Mulheres crescem em candidatura, mas eleição avança pouco

BRASÍLIA, 16 de junho de 2026 — O número de candidatas mulheres à Câmara dos Deputados cresceu quase dez vezes entre 1998 e 2022. Saltou de 358 para 3.668, uma alta de 925%. Porém, a quantidade de deputadas federais eleitas não acompanhou esse ritmo. Subiu de 29 para 90, um crescimento de 210%. Os dados são do Portal da Classe Política, lançado nesta terça (16) pela UFPR. Nas eleições de 2022, as mulheres conquistaram 17,5% das cadeiras da Câmara. Nas assembleias estaduais, ficaram com 17,8%. Esses são os maiores percentuais da série histórica. Mesmo assim, os números ainda estão abaixo de 20% do total. Também ficam distantes da cota mínima de 30% de candidaturas prevista em lei. Segundo os pesquisadores, parte desse crescimento veio da Lei das Cotas de Gênero, de 1997, e da minirreforma eleitoral de 2009. O cientista político Nilton Sainz, da UFPR, explica o motivo da baixa presença feminina. Ele afirma que a desigualdade dentro dos partidos é o principal problema. Mulheres recebem menos dinheiro para campanhas. Além disso, têm menos acesso aos espaços de decisão partidária. O pesquisador também aponta que muitos partidos registram candidaturas femininas só para cumprir a cota legal. Essas candidatas, porém, não têm condições reais de disputa. Para os pesquisadores, a baixa representação feminina afeta a agenda do Legislativo. Temas como violência de gênero, feminicídio, políticas de cuidado, saúde e creches perdem espaço. Com poucas mulheres nos processos de decisão, a diversidade de perspectivas diminui. Isso pode impactar até a definição do orçamento público. O Portal da Classe Política reúne dados do TSE sobre 14 eleições, de 1998 a 2024. A ferramenta mostra candidaturas, perfil dos eleitos, patrimônio, financiamento, reeleição e características dos partidos.
Câmara de São Luís adia debate sobre nova lei de zoneamento

SÃO LUÍS, 16 de junho de 2026 — A Câmara Municipal de São Luís adiou a audiência pública sobre o Projeto de Lei nº 0077/2026. A proposta trata do zoneamento, parcelamento, uso e ocupação do solo da capital maranhense. O anúncio foi feito pelo Legislativo Municipal, que ainda não definiu uma nova data para o encontro. A audiência estava marcada para esta segunda (15), às 17h, na Unidade de Educação Básica Major Augusto Mochel, localizada no bairro Maracanã, na zona rural de São Luís. O evento reuniria moradores e demais interessados para discutir as mudanças previstas no projeto. Segundo a Câmara, a nova data será divulgada pelos canais oficiais da instituição.
STF julga processo contra Eduardo Bolsonaro nesta terça (16)

BRASÍLIA, 16 de junho de 2026 — O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça (16) o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A Primeira Turma vai decidir se ele é condenado pelo crime de coação no curso do processo. O julgamento começa às 14h. O caso envolve ações dele para incentivar os Estados Unidos a aplicarem tarifas contra produtos brasileiros. Além disso, a acusação cita sanções contra integrantes do governo e ministros do STF. A sessão começa com a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes. Ele é o relator do processo. Depois, a Procuradoria-Geral da República apresenta a acusação. A defesa fica por conta da Defensoria Pública da União. Participam do julgamento os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A Primeira Turma tem quatro integrantes. A quinta vaga está vazia desde a saída de Luís Roberto Barroso e a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma. A PGR apresentou a denúncia em novembro do ano passado. O STF a recebeu na época. Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro usou entrevistas e redes sociais para pressionar o Supremo. O objetivo seria evitar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo da trama golpista. A procuradoria afirma que as ações dele prejudicaram as exportações brasileiras. Por isso, pede que o STF fixe um valor de reparação pelos danos econômicos. Durante o processo, Alexandre de Moraes mandou notificar o ex-deputado por edital. Como ele não foi localizado e não apresentou advogado, a Defensoria Pública da União assumiu a defesa. A DPU pede a anulação do processo. Alega que Moraes não deveria participar do julgamento, pois foi alvo das medidas citadas na denúncia. A defesa também sustenta que um ministro da Segunda Turma deveria completar o colegiado, já que a Primeira Turma tem apenas quatro membros. O crime de coação no curso do processo tem pena de um a quatro anos de prisão. O juiz pode aumentar a pena conforme as circunstâncias. A decisão da Primeira Turma define se o ex-deputado será responsabilizado criminalmente pelos fatos apontados pela PGR.
Polícia Federal recebe mais de 40 novos agentes no Maranhão

MARANHÃO, 16 de junho de 2026 — A Polícia Federal deu posse simbólica a 46 novos agentes nesta segunda (15), no Maranhão. Os servidores concluíram a formação na Academia Nacional de Polícia e passarão a atuar na Superintendência Regional e nas delegacias de Caxias e Imperatriz. A cerimônia reuniu autoridades do Judiciário e da própria corporação. Participaram do evento a diretora de Gestão de Pessoas da Polícia Federal, Helena de Rezende, a presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, desembargadora Maria Francisca Gualberto de Galiza, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Além disso, representantes da instituição acompanharam a recepção dos novos policiais. O superintendente regional da Polícia Federal no Maranhão, Guilherme Torres, deu as boas-vindas aos agentes. Ele destacou a importância da ética, do compromisso e da dedicação no trabalho policial. Segundo ele, a corporação tem papel essencial na proteção da sociedade e do Estado Democrático de Direito. Helena de Rezende afirmou que a Polícia Federal busca fortalecer um ambiente de trabalho mais integrado, colaborativo e saudável. Já a presidente do TRE-MA ressaltou a responsabilidade dos novos agentes nas eleições, especialmente no combate aos crimes eleitorais e na garantia da segurança e da legitimidade do processo eleitoral. Flávio Dino destacou a história, a cultura e as belezas naturais do Maranhão ao recepcionar os novos servidores.
União paga dívidas de estados e municípios no mês de maio

BRASÍLIA, 16 de junho de 2026 — O Tesouro Nacional pagou R$ 834,8 milhões em dívidas atrasadas de estados e municípios em maio de 2026. A informação foi divulgada na segunda (15) em um relatório oficial. No total, em 2026, a União já honrou R$ 2,2 bilhões em débitos de governos locais. Três estados precisaram dessa ajuda no mês passado. O Rio de Janeiro ficou com a maior parte: R$ 619,61 milhões. Em seguida, veio o Rio Grande do Sul, com R$ 212,36 milhões. O Rio Grande do Norte teve R$ 2,66 milhões pagos pela União. Além disso, duas prefeituras tiveram dívidas cobertas: Paranã (TO), com R$ 99,88 mil, e Santanópolis (BA), com R$ 67,91 mil. Essas garantias funcionam como um seguro. A União usa o Tesouro para cobrir calotes em empréstimos de estados e municípios com bancos. Quando um ente não paga uma parcela, o credor avisa a União. Daí, o Tesouro compensa o valor. Porém, ele desconta esse montante dos repasses federais futuros, como verbas de impostos. Além disso, o ente fica impedido de fazer novos financiamentos. Sobre o atraso, ainda incidem juros e multas. Desde 2016, a União já pagou R$ 88,73 bilhões nesse tipo de operação. Desse total, R$ 80,96 bilhões estão sob efeito de regimes especiais, como recuperação fiscal ou decisões judiciais. Por isso, a cobrança desses valores fica suspensa. Até agora, o Tesouro conseguiu recuperar R$ 6,04 bilhões em contragarantias. Os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais devolveram os maiores valores. Em 2026, a recuperação já soma R$ 118,04 milhões. No fim de 2025, 22 estados aderiram ao Propag, programa que renegocia dívidas estaduais. O plano dá descontos nos juros e parcelamento em até 30 anos. Em troca, os estados participantes precisam cortar gastos e investir em áreas como educação e segurança. Apenas cinco unidades da Federação não entraram no programa. O Rio Grande do Sul, por causa das enchentes de 2024, teve o pagamento da dívida suspenso por 36 meses. Os juros também foram perdoados nesse período. O estado deve cerca de R$ 100 bilhões à União. As parcelas que seriam pagas vão para um fundo estadual de reconstrução. Em 2022, o estado já tinha um plano de recuperação fiscal aprovado, que previa reformas para reduzir gastos.
Gaeco vê elo entre facções e desvio de emendas parlamentares

MARANHÃO, 16 de junho de 2026 — A Operação Benedictio revelou uma suposta ligação entre facções criminosas, agentes políticos e o desvio de mais de R$ 9 milhões em emendas parlamentares em São Luís. O coordenador do Gaeco, procurador Haroldo Paiva de Brito, apresentou as informações na segunda (15), após o avanço das investigações sobre recursos destinados a projetos sociais. Segundo o procurador, a apuração utilizou quebras de sigilos bancário, telemático e de dados para rastrear a movimentação do dinheiro. Além disso, o Gaeco identificou fortes indícios da participação de servidores públicos na aprovação de pagamentos destinados ao Instituto Sê Tu Uma Bênção. Haroldo Paiva afirmou que a investigação mostra a aproximação entre facções criminosas e agentes políticos para desviar recursos que deveriam atender pessoas em situação de vulnerabilidade. Por isso, os investigadores ampliaram o rastreamento dos valores e dos beneficiários dos repasses. A apuração também indica que parte do dinheiro teria financiado a compra de veículos de luxo e outros bens. Alguns desses itens foram apreendidos durante a operação. Entre os alvos da ação estavam o vereador Beto Castro (Avante) e o ex-vereador Umbelino Júnior. Beto Castro foi preso em flagrante por posse de arma de fogo de uso restrito, mas obteve liberdade provisória mediante medidas cautelares.
Venezuela, Irã, Cuba e Coreia do Norte lideram inflação

MUNDO, 16 de junho de 2026 — A Venezuela é o país com a maior inflação do mundo. A taxa anual chega a 574%, segundo o economista Steve Hanke, da Universidade Johns Hopkins. Em seguida vêm Irã (115%), Cuba (66%) e Coreia do Norte (22%). O levantamento usa a taxa de câmbio paralela para estimar a inflação em países com dados oficiais pouco confiáveis. Em Cuba, a situação é grave. Dados da Oficina Nacional de Estatística e Informação (Onei) mostram que os preços subiram 9,16% nos primeiros cinco meses de 2026. Em maio, a inflação anual chegou a 15,89%. Além disso, o peso cubano perdeu 40% do valor em 12 meses, segundo o estudo de Hanke. O preço dos alimentos disparou. O leite em pó custava 2 mil pesos por quilo em abril. No fim de maio, já estava em 2,4 mil pesos. No início de junho, alcançou 3,2 mil pesos. O café subiu 7,7% em maio, passando de 600 para 850 pesos em alguns mercados. O açúcar foi de 320 para 450 pesos por libra no mesmo período. A farinha, o sal e vários tipos de carne tiveram reajustes entre 2,5% e 9% no último levantamento. Os preços dos alimentos estão quase 20% mais altos do que em maio de 2025. O transporte também pesa no bolso, com aumento oficial de 21,7% em um ano. O setor de restaurantes acumulou alta anual superior a 26%. Autoridades cubanas atribuem parte da crise à interrupção de operações de companhias marítimas. Elas temem sanções dos Estados Unidos. A falta de combustível também agrava o problema. No mercado informal, o dólar já supera 640 pesos, e o euro se aproxima de 730 pesos. Especialistas afirmam que a desvalorização cambial, a escassez de produtos, a crise energética e as dificuldades de importação alimentam a inflação. Por enquanto, não há sinais de melhora no curto prazo. Os cubanos continuam enfrentando aumentos constantes nos preços de alimentos, transporte e outros bens essenciais.
Presidente eleito terá 21 indicações aos tribunais superiores

BRASÍLIA, 16 de junho de 2026 — O presidente que ganhar a eleição em outubro terá um grande poder sobre a justiça no Brasil. Ele poderá indicar 21 ministros para os tribunais superiores e para o Supremo Tribunal Federal (STF) até 2031. Isso representa 36% dos ministros da Suprema Corte e um quinto de todos os votos nessas cortes. Os dados são do jornal Folha de S.Paulo. Eles mostram que quatro vagas já estão abertas porque o presidente Lula não as preencheu ainda. Além disso, 13 ministros vão se aposentar até 2030 por causa da idade máxima de 75 anos. Outras quatro vagas são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde os mandatos duram apenas dois anos. O STF terá a maior mudança. Quatro dos 11 ministros vão sair. Uma vaga está livre desde outubro, quando Luís Roberto Barroso se aposentou. Mas o novo ministro só será escolhido depois das eleições. Até 2030, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes também vão se aposentar. Para o STF, o presidente pode indicar qualquer cidadão com mais de 35 anos, boa reputação e muito conhecimento em direito. Depois, o Senado precisa aprovar o nome. Nos outros tribunais, o presidente escolhe um nome de uma lista com três opções que o próprio tribunal prepara. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem uma vaga em aberto desde abril, mas a lista ainda não foi definida. Outros cinco ministros vão se aposentar até 2029. No Superior Tribunal Militar (STM), dois ministros militares também vão deixar o cargo. Eles vêm das Forças Armadas e não passam por lista tríplice. No Tribunal de Contas da União (TCU), uma vaga da Câmara dos Deputados ficará livre em dezembro. Nesse caso, são os deputados que escolhem o novo ministro. O governo Lula está analisando 29 indicações para o Judiciário, mas adiou a decisão. O presidente quer ouvir líderes políticos como Hugo Motta, Helder Barbalho e João Campos antes de escolher. Por enquanto, cargos importantes, como uma vaga no Tribunal Superior do Trabalho (TST), continuam vazios.