Ex-prefeito de Rosário é condenado e perde direitos políticos

ROSÁRIO, 30 de junho de 2026 —O ex-prefeito de Rosário, Calvet Filho (Republicanos), recebeu condenação da Justiça do Maranhão por discriminação racial e religiosa. O caso ocorreu após declarações feitas em janeiro de 2025 durante um vídeo sobre a posse do prefeito Jonas Magno (PDT). Segundo a decisão, as falas tiveram caráter de intolerância religiosa. De acordo com o Ministério Público do Maranhão, Calvet Filho afirmou que Rosário havia sido consagrada a “Satanás” e acusou o sucessor de ligação com religiões de matriz africana. Além disso, chamou Zé Ribeiro, líder do Tambor de Crioula do povoado Miranda, de “macumbeiro” e “umbandista”. Por isso, a Justiça entendeu que houve discriminação racial e religiosa. A sentença fixou pena de 6 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto. Além disso, determinou multa equivalente a 120 dias, calculada sobre um trigésimo do salário mínimo por dia. O juiz também decidiu que a pena não poderá ser substituída por medidas restritivas de direitos. Na esfera cível, a decisão estabeleceu o pagamento de R$ 10 mil por danos morais individuais à vítima e mais R$ 10 mil por danos morais coletivos. A condenação também suspende os direitos políticos de Calvet Filho, impedindo sua candidatura nas eleições deste ano, conforme prevê a legislação.
Petista quis reunião com Mendonça antes de operação da PF

BRASÍLIA, 30 de junho de 2026 — O senador Jaques Wagner (PT-BA) procurou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para dar explicações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Augusto Lima. O encontro aconteceu cerca de uma semana antes de a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra o parlamentar. A informação é da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo. A iniciativa ocorreu quando o pedido da PF já tramitava no STF. Os investigadores estranharam a movimentação, porque a operação já estava em fase final de preparação. Na audiência, Wagner negou irregularidades. Ele disse que sua relação com os empresários era pessoal e que os contratos da nora, Bonnie de Bonilha, com empresas ligadas ao Master eram legais. O senador também explicou sua participação na implantação do Credcesta na Bahia, um produto de crédito consignado do banco. A representação da PF que pedia as buscas foi assinada em 10 de junho. Um dia antes, um vídeo mostrou Wagner conversando reservadamente com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em um evento no Palácio do Planalto. As imagens não revelam o conteúdo da conversa. Na época, nenhum dos dois comentou o assunto. A operação aconteceu em 18 de junho. Os agentes foram à casa do senador, em Salvador, e ao hotel onde ele mora em Brasília. Eles apreenderam US$ 55 mil, € 33 mil, documentos e o celular do parlamentar. Wagner afirmou que o dinheiro era de diárias de viagens internacionais acumuladas ao longo dos anos. Ele disse que guardava os valores em envelopes do Senado. Porém, a investigação não encontrou esses envelopes nos endereços vistoriados. A quantia apreendida também supera o total de diárias que ele recebeu desde 2019. Na decisão que autorizou a operação, Mendonça afirmou que Augusto Lima era o “canal de interlocução” entre Vorcaro e Wagner. Entre os assuntos tratados estavam o rating do banco, sua estrutura acionária, a CPI do Master e a tentativa de venda ao Banco Regional de Brasília, que o Banco Central barrou em setembro do ano passado. A PF diz que a relação entre Wagner e Lima tinha “elevado grau de confiança pessoal”. Isso teria criado um ambiente propício para defender interesses privados do Master. A investigação também recuperou episódios anteriores. Em 2018, Lima articulou com Wagner, então secretário da Fazenda da Bahia, a privatização da Empresa Baiana de Alimentos. Como o leilão não atraiu interessados, o empresário sugeriu incluir um cartão de benefícios consignado no edital. Assim nasceu o Credcesta, que depois foi para o Banco Master. Segundo a PF, há indícios de que Wagner recebeu pagamentos do banco por meio da empresa da nora. Ele também usou aviões particulares de Vorcaro com frequência. Além disso, recebeu de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões. Depois da operação, o senador reconheceu que o imóvel foi comprado por Lima. Mas afirmou que a unidade seria para a filha e que pretendia ressarcir o empresário depois. A investigação revelou ainda que Lima deu ingressos para dois shows de Taylor Swift a familiares de Wagner. Os bilhetes custaram R$ 63,3 mil em uma das ocasiões. Wagner admitiu ter recebido os ingressos. Ele minimizou o episódio e disse que o empresário se enganou se achou que isso traria alguma vantagem. Após a operação, Wagner deixou a liderança do governo no Senado. Ele decidiu sair do cargo depois de conversar com o presidente Lula. O senador também criticou a ação policial. Ele classificou a operação como “patacoada” e disse que houve “espetacularização” com a divulgação das fotos do dinheiro e dos relógios apreendidos.
Câmara de São Luís deve empossar vereador nos próximos dias

SÃO LUÍS, 30 de junho de 2026 — O advogado Joabson Júnior (União) assumirá, nos próximos dias, uma cadeira na Câmara Municipal de São Luís. Ele ocupará a vaga da vereadora Professora Magnólia, que se licenciou do mandato para tratar de assuntos pessoais. A posse está prevista para ocorrer até 6 de julho. Esta será a segunda vez que Joabson exercerá mandato no Legislativo da capital. Em 2024, ele também assumiu como suplente após a licença do então vereador Álvaro Pires. Joabson destaca ainda sua ligação com o bairro da Forquilha, onde nasceu e mantém atividades até hoje. A cerimônia de posse será conduzida pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor. Advogado formado pela Universidade Ceuma, Joabson Júnior já ocupou o cargo de gestor do Comitê Gestor de Limpeza Urbana (CGLU) de São Luís. Além disso, exerceu a função de secretário adjunto de Meio Ambiente do Maranhão.
Governo supera piso e paga R$ 18 bi em emendas impositivas

BRASÍLIA, 30 de junho de 2026 — O governo Lula pagou R$ 18 bilhões em emendas parlamentares impositivas até o dia 26 de setembro. Esse valor supera o piso mínimo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em R$ 567 milhões. A lei exigia que o Executivo desembolsasse R$ 17,5 bilhões até o dia 30. O governo antecipou parte do pagamento e ainda ultrapassou a meta. A maior parte do dinheiro extra foi para a saúde. Esse setor recebeu R$ 434 milhões acima do mínimo. Além disso, a assistência social ganhou R$ 133 milhões adicionais. O governo também liberou recursos de outras modalidades de emendas, como as de bancada e de comissão. No total, considerando todos os tipos, o montante chega a R$ 21,9 bilhões em 2026. O pagamento acontece em um momento importante de negociação entre o Planalto e o Congresso. O Executivo usa esses repasses para manter diálogo com deputados e senadores. Assim, ele busca garantir apoio a projetos que considera prioritários. Essa estratégia ficou ainda mais relevante com as discussões sobre medidas econômicas de impacto fiscal. O governo precisa de maioria para aprovar essas propostas. Nos últimos meses, houve divergências entre os dois Poderes. O Planalto e o Legislativo travaram debates em torno de projetos chamados de “pautas-bomba” pela equipe econômica. A relação também sofreu desgaste com o impasse sobre a vaga no Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo. Mas o plenário do Senado rejeitou o nome.
MP cobra controle de combustíveis em São Francisco do Brejão

SÃO FRANCISCO DO BREJÃO, 30 de junho de 2026 — O Ministério Público do Estado do Maranhão firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura de São Francisco do Brejão para corrigir falhas no controle do abastecimento da frota municipal. O acordo foi celebrado no âmbito do Inquérito Civil nº 003406-255/2024 e publicado em 11 de junho de 2026 no Diário Eletrônico da instituição. A investigação analisou a execução dos contratos do Pregão Presencial nº 018/2023, destinado ao fornecimento de combustíveis para a administração municipal. Segundo relatório técnico do Ministério Público, faltavam registros individualizados dos abastecimentos, o que dificultava relacionar o combustível consumido aos veículos e às respectivas quilometragens. O documento também apontou o abastecimento frequente em tambores e galões, prática considerada de maior risco para desvios e dificuldades na fiscalização. Por isso, o município terá até 60 dias para implantar um sistema mais rigoroso de controle dos abastecimentos. Pelas novas regras, cada abastecimento deverá registrar o motorista, o órgão solicitante, a placa do veículo, o tipo de combustível, a quilometragem e a quantidade de litros fornecida. Além disso, o abastecimento em recipientes ficará proibido, exceto para máquinas e equipamentos utilizados em áreas rurais de difícil acesso, mediante autorização formal e registro detalhado. O TAC foi assinado pelo promotor de Justiça Denys Lima Rego e pela prefeita Edinalva Brandão Gonçalves. O acordo também prevê a adoção do sistema de credenciamento nas futuras contratações de combustíveis e estabelece multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento das obrigações.
Ministro Luiz Fux assume presidência da 2ª turma do STF

BRASÍLIA, 30 de junho de 2026 — O ministro Luiz Fux vai assumir a presidência da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto. Ele substituirá Gilmar Mendes. A mudança acontece depois do recesso do Judiciário. A troca segue o rodízio anual obrigatório por antiguidade. O presidente da Turma tem o poder de escolher quais processos vão a julgamento. A transição ocorre após um racha recente no colegiado. Gilmar Mendes incluiu na pauta, de surpresa, um pedido para soltar Henrique e Felipe Vorcaro. Eles são pai e primo do dono do Banco Master. O decano perdeu a votação por 3 a 1. Na sessão, Gilmar criticou as prisões preventivas. Ele acusou o relator de usar a cadeia para forçar delações. O ministro comparou os métodos aos da Lava Jato. André Mendonça, relator do caso, rebateu as críticas. Ele afirmou que a organização tem contornos de máfia. O ministro disse que há indícios de violência e não só crimes financeiros. Daí, Mendonça retirou o sigilo de duas investigações. O objetivo foi expor fraudes e subornos. Dias depois, ele restabeleceu o segredo de Justiça por causa de novas buscas da Polícia Federal. Fux migrou para a 2ª Turma em outubro de 2025. Ele pediu a transferência da 1ª Turma quando Barroso se aposentou. O regimento do STF não permite reeleição imediata para a chefia. Por isso, todos os cinco ministros devem ocupar o posto por um ano antes do reinício do ciclo. A expectativa de interlocutores é que Fux atue em sintonia com Mendonça. Isso reduziria a influência de Gilmar sobre os processos da Turma.
Prefeitura de São Luís renova contrato com empresa em crise

SÃO LUÍS, 30 de junho de 2026 — A Secretaria Municipal de Educação de São Luís (Semed) renovou, em 19 de junho, o Contrato nº 66/2023 com a Toppus Serviços Terceirizados Ltda., empresa em recuperação judicial. O aditivo estende a vigência por mais 12 meses, até 20 de junho de 2027. Além disso, o novo período contratual tem valor de R$ 8.402.725,80. O contrato prevê a prestação de serviços de motoristas habilitados nas categorias B, C e D para atender a rede municipal de ensino. A prorrogação ocorreu com base no artigo 57, inciso II, da Lei nº 8.666/93. Portanto, a empresa continuará responsável pelo fornecimento dos profissionais durante o novo prazo. O extrato oficial informa que a Toppus está em recuperação judicial, um instrumento previsto na legislação brasileira para empresas que se encontram em situação de crise econômico-financeira. Embora a legislação não impeça, por si só, a manutenção de contratos com empresas nessa situação, o documento não apresenta informações sobre estudos de economicidade, avaliação do desempenho da contratada ou análise de alternativas para a execução do serviço. A secretária municipal de Educação, Anna Caroline Marques Pinheiro Salgado, e a representante legal da empresa, Julia Carolina de Lima Albuquerque, assinaram o termo aditivo. A publicação ocorreu no Diário Oficial do Município em 24 de junho de 2026.
PF pede mais tempo para analisar provas contra Lulinha

BRASÍLIA, 30 de junho de 2026 — A Polícia Federal (PF) pediu mais tempo ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para analisar provas contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O pedido ocorre na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. A PF atribui a demora à falta de funcionários. Apenas 11 servidores atuam no caso, mas seriam necessários mais de 40. Até agora, a corporação concluiu 40% da análise de 1,7 mil itens apreendidos, como celulares, computadores e HDs. Mendonça havia dado 60 dias para a PF concluir as perícias. O ministro considerou a investigação lenta e cobrou mais rapidez. Em resposta, a PF disse que termina a análise dos materiais dos presos em 30 dias. Já os equipamentos dos demais investigados devem levar até seis meses. Entre as diligências pendentes está a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, autorizada pelo ministro em fevereiro. Além da cobrança por agilidade, Mendonça determinou que a PF mantenha a mesma equipe na investigação. O ministro avalia que as trocas de servidores atrasaram o caso. Apesar disso, a corporação informou que o delegado responsável precisou deixar a operação para voltar à sua região de origem. Antes disso, a PF já havia transferido o inquérito da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores. A mudança surpreendeu o chefe da divisão antiga, delegado Guilherme Figueiredo Silva. A PF justificou que a nova coordenação tem estrutura melhor para casos no STF. A oposição, porém, levantou suspeitas de proteção a Lulinha. Uma linha de investigação apura se ele seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema de fraudes. Outro ponto sem definição é a colaboração premiada do empresário Maurício Camisotti. As negociações começaram em maio entre a defesa, a PF e a Procuradoria-Geral da República. A PGR, porém, mandou recomeçar as tratativas do zero, pois não participou da primeira proposta. A PF também identificou transferências da Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos, alvo da operação, para empresas ligadas a Camisotti.