
BRASÍLIA, 20 de julho de 2026 — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, nesta segunda (20), o arquivamento das investigações, no caso “Abin Paralela”, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão também vale para Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
O magistrado concluiu que ambos já responderam “pelos mesmos fatos” nas ações penais sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. A investigação da “Abin Paralela” apurava o suposto uso irregular do sistema First Mile para monitorar autoridades, jornalistas e adversários políticos. O caso teria ocorrido de 2019 a 2022.
Além de Bolsonaro e Ramagem, Moraes extinguiu a apuração contra Marcelo Araújo Bormevet, Giancarlo Gomes Rodrigues e integrantes da cúpula da Abin, entre eles o ex-diretor-adjunto Alessandro Moretti, o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa, Luiz Carlos Nóbrega Nelson, José Fernando Moraes Chuy e Lucio de Andrade Vaz Parente.
O ministro do STF revogou os indiciamentos desses investigados por entender que as acusações se baseavam em “conclusões genéricas” e não apresentavam elementos mínimos de dolo ou de conduta criminosa específica. Para Moraes, não havia justa causa para dar continuidade ao processo.
CARLOS BOLSONARO
Ao analisar a situação dos demais investigados, Moraes concluiu que o STF não tem competência para julgar aqueles que não possuem foro por prerrogativa de função, o chamado foro privilegiado. Por isso, determinou o envio do caso à Justiça Federal.
Entre os investigados que passarão a responder na primeira instância está o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, que hoje é pré-candidato ao Senado Federal pelo PL de Santa Catarina.
A Polícia Federal (PF) apontou Carlos como integrante do chamado “núcleo político” da suposta organização investigada e o identificou como coordenador do denominado “Gabinete do Ódio”. O ex-vereador carioca foi indiciado pelo crime de organização criminosa. Ele nega as acusações.
Também responderão na Justiça Federal assessores e integrantes do grupo descrito pela PF como “núcleo de vetores de produção e propagação de fake news“. Entre eles estão Daniel Ribeiro Lemos e Mateus de Carvalho Sposito.
No relatório final, a PF afirmou que o grupo produzia desinformação e utilizava a estrutura do Estado para fins ilícitos e antidemocráticos.
Moraes também autorizou o compartilhamento integral das provas reunidas no caso com o Inquérito das Fake News. O ministro considerou que há conexão entre a atuação do suposto “Gabinete do Ódio” com o que ele chama de “ataques ao sistema eleitoral e ao Poder Judiciário”.







