Conselho de ética mantém processo contra Erika Hilton

brasília, 11 de agosto de 2026 — O Conselho de Ética da Câmara aprovou, nesta terça (11), a continuidade do processo contra a deputada Erika Hilton (Psol-SP). A votação terminou com 10 votos a 5. O partido Missão pediu a cassação do mandato dela. O pedido surgiu após postagens da deputada nas redes sociais. Ela respondia a críticas que recebeu quando assumiu a presidência da Comissão da Mulher. Nas mensagens, Erika chamou a reação de “esgoto da sociedade” e disse que a opinião de “imbecis” era irrelevante. O Missão afirma que isso quebrou o decoro parlamentar. O partido diz que ela deveria agir com dignidade e respeito à vontade popular. O relator do caso, deputado Gilberto Silva (PL-PB), vai agora dar sequência à apuração. Nessa etapa, Erika poderá apresentar defesa e indicar testemunhas. Depois, o relator fará um parecer final sobre a punição. As penalidades mais graves, como suspensão ou perda do mandato, precisam ser votadas no plenário da Câmara. A deputada não participou da reunião e já entregou sua defesa por escrito. A colega Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) falou por ela. Ela afirmou que as publicações foram opiniões pessoais e não quebra de decoro. O prazo para o processo no Conselho de Ética é de 90 dias. O calendário eleitoral pode atrapalhar a conclusão. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro e o segundo para 25 de outubro. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) disse que é difícil o colegiado terminar os processos antes dessa data. Mesmo que o Conselho aprove um parecer, o presidente da Câmara, Hugo Motta, pode decidir se coloca o caso em votação. Em maio, por exemplo, o Conselho aprovou a suspensão de outros três deputados. Eles recorreram e os processos ainda não foram concluídos.
Câmara aborda punição à Prefeitura por emendas não executadas

SÃO LUÍS, 11 de agosto de 2026 — A Câmara Municipal de São Luís acionou o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) para esclarecer as regras sobre a não execução das emendas impositivas apresentadas pelos vereadores. A consulta partiu da Comissão de Orçamento, Finanças, Planejamento e Patrimônio Municipal. Presidida pelo vereador Raimundo Penha, a comissão quer saber se a Prefeitura comete irregularidade quando deixa de executar uma emenda sem apresentar justificativa formal de impedimento técnico. Além disso, questiona os possíveis efeitos dessa situação na análise das contas do prefeito. Os vereadores também perguntaram se a não execução pode levar à responsabilização dos gestores envolvidos. A Câmara busca esclarecer quais consequências podem ocorrer quando os recursos aprovados no orçamento não são utilizados pelo Executivo. Outro ponto trata do dinheiro que não for aplicado durante o ano. A comissão também quer saber se esses valores podem ser inscritos como restos a pagar e executados depois, além de questionar qual limite deve ser considerado. A Lei Orgânica de São Luís permite que as emendas parlamentares individuais impositivas alcancem 2% da receita corrente líquida. Metade desse valor deve ser destinada à área da saúde. Agora, a Câmara aguarda o posicionamento do TCE-MA.
Prefeito Fernando Bermuda diz que PSB não pode expulsá-lo

CAMPESTRE DO MARANHÃO, 11 de agosto de 2026 — O prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda, afirmou nesta terça (11) que não pode ser expulso do PSB. Segundo ele, sua desfiliação ocorreu em 21 de maio de 2025. A declaração foi divulgada em nota após o partido anunciar a expulsão do prefeito. A decisão ocorreu depois da repercussão de mensagens atribuídas ao gestor, relacionadas a apoio político a candidatos de outras legendas e a supostas ameaças a servidores. Fernando Bermuda afirmou que o registro oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) comprova sua saída do PSB em maio de 2025. Por isso, segundo o prefeito, a decisão do partido teria sido aplicada a alguém que já não fazia parte da legenda. Na nota, o gestor também criticou a divulgação da decisão por páginas e veículos de comunicação. Ele afirmou que informações sobre acusações e medidas partidárias deveriam ser publicadas após a manifestação da parte envolvida. Fernando Bermuda disse ainda que a ausência de direito de resposta ou de defesa prévia pode comprometer a credibilidade das informações divulgadas. O prefeito classificou a decisão do PSB como juridicamente sem efeito diante de sua desfiliação anterior. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Fernando Bermuda (@fernando.bermuda)
Lula disse, mas não fez: um mandato de promessas furadas

BRASÍLIA, 11 de agosto de 2026 — O presidente Lula chega a menos de um semestre do fim de seu terceiro mandato com uma série de promessas de campanha não cumpridas. Algumas delas, como a redução nos preços da picanha e da cerveja, parece nunca terem passado de uma bravata. Outras, como a criação do Ministério da Segurança Pública, separado da Justiça, soavam como algo crucial na terceira passagem do petista pelo Planalto. Ambas as ideias nunca se concretizaram de verdade. Além delas, outras tantas promessas feitas por Lula na campanha eleitoral de 2022 ficaram pelo caminho e têm pouca ou nenhuma chance de se realizarem no pouco tempo que sobra ao petista no poder. A Gazeta do Povo elaborou uma lista que leva em conta as propostas apresentadas por Lula ao TSE em agosto de 2022, no início da campanha presidencial daquele ano. Também foram utilizados dados de um levantamento feito pelo site G1 e publicado no fim de julho deste ano. Veja a seguir dez promessas de campanha não cumpridas por Lula. 1 – Acabar com a possibilidade de decretar sigilos de 100 anos Um dos principais pontos de campanha do petista foi atacar os sigilos de 100 anos aplicados a alguns documentos oficiais por seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Como prova de que sua gestão seria marcada pela transparência, Lula chegou a quebrar sigilos impostos pelo governo anterior. Um dos primeiros sigilos derrubados pelo presidente após a posse foi a lista de pessoas que visitaram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no Palácio da Alvorada nos anos de 2021 e 2022. Outros tantos casos atingidos pela restrição passaram por uma análise da Controladoria-Geral da União (CGU). Alguns dados foram liberados. Outros permaneceram sigilosos por estarem relacionados a investigações em andamento. Mas, sem surpresas para ninguém, Lula retomou a prática antes reprovada por ele. Em 2023, informações sobre a agenda da primeira-dama, Janja da Silva, foram colocadas sob sigilo de um século. A incoerência do petista gerou críticas da oposição. A CGU editou uma norma que determinou o fim da presunção automática do sigilo de 100 anos, mas na prática a medida ainda é aplicável a informações de pessoa privada. Três classificações foram estabelecidas para as outras informações: ultrassecreta com 25 anos de sigilo, secreta com 15 anos de sigilo e reservada com sigilo de 5 anos. 2 – Criar um programa robusto e universal de atendimento a mulheres vítimas de violência Durante a campanha, Lula prometeu expandir a Rede Casa da Mulher Brasileira e reforçar as ações de combate à violência contra as mulheres. Durante o mandato, o petista até inaugurou alguns serviços especializados em centros de referência e unidades especializadas da rede. Mas, na prática, a promessa de uma rede nacional de atendimento nunca saiu do papel. A rede não foi expandida para todos os estados, e por isso há milhares de municípios em que esse tipo de atendimento de apoio especializado às vítimas segue sem estar sendo prestado. 3 – Universalizar o acesso da população à energia elétrica e serviços de água e esgoto Enquanto o mundo discute avanços da tecnologia, como o uso de inteligência artificial, no Brasil não é estranho encontrar casas, bairros e até cidades inteiras sem ligação à rede de saneamento básico. Sinalizando preocupação com o problema, Lula assumiu o compromisso de universalizar o acesso à água e energia elétrica no país. Dados do Instituto Trata Brasil mostram que em 2026 ainda há 33 milhões de brasileiros que vivem sem acesso à água potável. Isso representa 16% da população total do país. Ainda de acordo com o instituto, 90 milhões de pessoas não contam com coleta de esgoto — pouco mais de 43% das residências brasileiras. Do esgoto que é efetivamente coletado, cerca da metade em volume não sofre nenhum tipo de tratamento antes de voltar à natureza. E para completar o cenário de falta de infraestrutura, um a cada três litros de água tratada no Brasil é desperdiçado antes de chegar às residências. Sobre a energia elétrica, os números parecem mais próximos das promessas de Lula. Dados do governo federal dão conta de que 99% da população brasileira conta com ligação à rede de energia elétrica. Os cerca de 1% restantes formam a fatia que impede o petista de cravar a universalização como uma promessa cumprida. 4 – Recriar o Ministério da Segurança Pública Na campanha, Lula prometeu trazer de volta uma pasta que existia durante o governo de Michel Temer (MDB), após o impeachment de Dilma Rousseff (PT): o Ministério da Segurança Pública. A ideia era coordenar políticas nacionais e oferecer apoio direto aos governadores no combate ao crime organizado. Tudo muito bom no papel. Mas, ainda durante o período de transição, o ex-ministro Flávio Dino, hoje no STF, aconselhou o petista a escantear a ideia, mantendo os temas sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça. Em 2024, o então ministro Ricardo Lewandowski tentou trazer o assunto à baila na forma de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O objetivo era tirar o poder dos estados sobre as polícias e concentrá-lo nas mãos do governo federal. A PEC está parada no Congresso Nacional. Na última atualização disponível, de 22 de junho, a PEC continuava “aguardando despacho” no Plenário. Ou seja: até 31 de julho de 2026, ela não havia sequer avançado para a etapa de comissão no Senado. Em janeiro de 2026, a ministra da Secretaria das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que o governo poderia avançar com a criação do Ministério da Segurança Pública ainda neste ano. Mas o desmembramento da pasta da Justiça ainda dependeria da aprovação da PEC, o que parece que não vai acontecer até dezembro. 5 – Fim do “orçamento secreto” no Congresso Nacional Outra promessa não cumprida por Lula foi o fim do “orçamento secreto” no Congresso Nacional. Da forma como foi criado, o modelo de destinação secreta de verbas por parlamentares foi proibido em 2022 pelo STF. Na prática, ainda há bilhões de reais que são indicados sem que se saiba exatamente
Prefeitura de São Luís é alvo de cobrança por enfermeiros

SÃO LUÍS, 11 de agosto de 2026 — Enfermeiros da Estratégia Saúde da Família fizeram uma manifestação em frente à Secretaria Municipal de Saúde de São Luís. Os profissionais cobraram diálogo com a Prefeitura, valorização da categoria e melhores condições de trabalho. Segundo os trabalhadores, a categoria enfrenta dificuldades para negociar suas demandas com a Secretaria de Saúde. Eles relatam falta de abertura durante a gestão de Eduardo Braide e também na atual administração da prefeita Esmênia Miranda. Entre as principais reivindicações está o pagamento do Adicional Saúde diretamente no contracheque. Os enfermeiros também pedem isonomia entre os profissionais da Atenção Básica e o fim de episódios de assédio moral relatados pela categoria. Além disso, os trabalhadores cobram progressão funcional e melhorias nas condições de trabalho. Para os profissionais, a valorização da enfermagem é necessária para manter a qualidade do atendimento prestado às famílias na rede de Atenção Básica. A categoria agora aguarda uma resposta da Prefeitura de São Luís. Os enfermeiros também pedem a abertura de um canal efetivo de negociação para discutir as reivindicações apresentadas durante a manifestação.
Brasil aumenta gasto militar mesmo sem estar em guerra

BRASIL, 11 de agosto de 2026 — O gasto militar do Brasil disparou para US$ 23,9 bilhões em 2025, alta real de 13% em relação ao ano anterior — mais de quatro vezes a média mundial, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em iglês). Apesar do aumento, uma parcela cada vez maior dos recursos continua destinada ao pagamento de militares inativos (aposentados e pensionistas), que hoje já custam mais do que o efetivo na ativa. Segundo dados do Observatório de Pessoal do Ministério da Gestão, a folha de aposentados e pensionistas cresceu mais de duas vezes mais rápido que a de ativos e segue pressionando o orçamento de defesa. Em 2020, para cada real gasto com militares na ativa, outros R$ 1,63 iam para inativos. Em 2025, já eram R$ 1,82. Os gastos com militares inativos saltaram de R$ 50 bilhões para R$ 60,7 bilhões entre 2020 e 2025, uma alta nominal de 21,4%. Já as despesas com pessoal militar ativo cresceram 9,2% entre 2020 e 2025, passando de R$ 30,6 bilhões para R$ 33,4 bilhões.
Audiência sobre zoneamento é suspensa na Câmara de São Luís

SÃO LUÍS, 11 de agosto de 2026 — A audiência pública sobre a nova Lei de Zoneamento de São Luís foi suspensa nesta terça (11), na Câmara Municipal, após a ausência de representantes da Prefeitura e do Ministério Público do Maranhão. O encontro ocorreria no Plenário Simão Estácio da Silveira. O presidente da Câmara, Paulo Victor (PSB), informou que a falta dos dois órgãos prejudicaria o debate. Segundo ele, a participação da Prefeitura e do MPMA é necessária para garantir uma discussão ampla e transparente sobre a proposta de legislação. Paulo Victor afirmou que a Câmara não pretende realizar a audiência apenas para cumprir uma exigência. A intenção, segundo ele, é permitir que moradores, empresas, universidades, comunidades e outros setores apresentem dúvidas, propostas e posicionamentos. Wendell Martins (Podemos) e o Coletivo Nós (PT), representado pelo co-vereador Jhonatan Soares, também criticaram a ausência. Para eles, a participação da Prefeitura e do Ministério Público é importante devido aos possíveis impactos da nova lei no desenvolvimento urbano da capital. Mesmo com a suspensão, moradores, professores e outros participantes usaram a tribuna. Representantes de comunidades, principalmente da zona rural, apresentaram preocupações sobre a proposta e pediram novas audiências em diferentes regiões de São Luís. A proposta trata do uso e da ocupação do solo e deve passar por novas discussões antes da continuidade da tramitação.
Pedidos de recuperação judicial batem recorde no 1º semestre

BRASIL, 11 de agosto de 2026 — O Brasil terminou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial. Esse é um número recorde. O dado é do levantamento Monitor RGF-Bizdoc. O crescimento foi de 6,2% em relação ao fim de 2025. Porém, esse ritmo é menor que o do ano passado, que tinha sido de 7,3%. O semestre teve duas fases. Em maio, o estoque chegou ao pico de 6.513 empresas. Em junho, caiu para 6.341. Foram 172 companhias a menos. O coordenador do estudo, Cláudio Damasceno, afirma que um mês só não indica uma mudança de rumo, mas é o primeiro sinal de estabilidade. Além disso, os pedidos estão mudando de perfil. As micro e pequenas empresas são as que mais buscam esse recurso. Desde 2023, a incidência entre microempresas mais que dobrou. O número delas em recuperação quase triplicou, saindo de 513 para 1.575. Entre as pequenas, o índice cresceu 69%. Já entre as médias, foi de 36%. Por outro lado, a procura caiu entre as grandes empresas. Muitas delas estão preferindo a recuperação extrajudicial. Damasceno explica que a recuperação judicial virou uma ferramenta mais popular. Antes, era usada só por empresas ricas. Agora, escritórios de advocacia menores também aprenderam a fazer esse tipo de processo. O cenário econômico ajuda a explicar esse aumento. Juros altos, crédito mais difícil e endividamento grande são os principais motivos. As empresas demoram para pedir ajuda e chegam ao Judiciário já muito endividadas. As advogadas ouvidas dizem que muitas companhias tentam renegociar dívidas por anos. Só que, nesse meio tempo, perdem a capacidade de se recuperar. O efeito não atinge só as devedoras. Fornecedores e outras empresas da cadeia produtiva também sofrem. O crédito fica mais caro e os bancos pedem mais garantias. Para as especialistas, a reversão dessa curva depende de juros mais baixos, crédito disponível e melhora da economia. Enquanto isso não chega, a recuperação judicial deve continuar sendo muito usada.