Mendonça pede dados sobre mensagem de Vorcaro a Moraes

BRASÍLIA, 1º de setembro de 2026 — O ministro André Mendonça mandou a PGR de Paulo Gonet se manifestar sobre uma mensagem em que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cobra proteção de órgãos de investigação como a Polícia Federal e a própria Procuradoria. Na mensagem em questão, o dono do Banco Master fala com o interlocutor sobre a necessidade de que “Paulo” e “Andrei” atuem nessa espécie de blindagem. No material enviado pela Polícia Federal ao ministro do STF, os investigadores apontam “Paulo” como sendo Paulo Gonet, chefe da PGR, e “Andrei” como sendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O interlocutor de Vorcaro na conversa, segundo a Polícia Federal, é o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Mendonça deu cinco dias para que a PGR analise o material. O caso foi revelado pelo site Metrópoles e o Radar confirmou a existência da ordem do ministro. Mais informações em Metrópoles.com.
Brandão leva recurso contra decisão de Dias Toffoli ao plenário

MARANHÃO, 1º de setembro de 2026 — A defesa do governador Carlos Brandão (MDB) apresentou ao Supremo Tribunal Federal um novo recurso contra a decisão do ministro Dias Toffoli. Os advogados querem suspender uma investigação no Maranhão conduzida por Flávio Dino e pedem que o plenário do STF analise o caso. Toffoli havia rejeitado o pedido de Brandão. Na decisão, o ministro citou possíveis “interesses pessoais” e afirmou que uma ADPF não pode substituir outro recurso ou uma ação rescisória. Agora, a defesa pede que o próprio ministro reveja sua posição. Caso isso não ocorra, quer levar o recurso aos demais ministros. Os advogados afirmam que a investigação ameaça a autonomia do Maranhão e o devido processo legal. Além disso, questionam o uso de reportagem jornalística para orientar diligências e apontam interferência de órgão federal na administração estadual sem autorização legal ou judicial. Por isso, a defesa quer que o STF volte a analisar a ADPF e avalie também o pedido de medida cautelar. O recurso usado é um agravo regimental, apresentado contra decisões tomadas individualmente por ministros. Ele permite que o caso seja levado ao colegiado competente do tribunal.
Felipe Camarão fica entre os maiores beneficiados pelo PT

MARANHÃO, 1º de setembro de 2026 — Felipe Camarão recebeu R$ 3,4 milhões da direção nacional do PT para disputar o Governo do Maranhão nas eleições deste ano. O valor, declarado ao TSE no DivulgaCand, coloca o vice-governador entre os candidatos petistas a governador que mais receberam recursos do partido. Fernando Haddad, candidato em São Paulo, lidera com R$ 8 milhões. Patrus Ananias, que disputa o governo de Minas Gerais, recebeu R$ 5,3 milhões. Camarão aparece depois, ao lado de Luís Cesar Bueno, candidato em Goiás, que também recebeu R$ 3,4 milhões. No Nordeste, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, recebeu R$ 1,7 milhão; Elmano de Freitas, do Ceará, R$ 1,1 milhão; e Rafael Fonteles, do Piauí, R$ 771 mil. Além disso, o PT terá R$ 615 milhões do fundo eleitoral, a segunda maior fatia entre os partidos. O partido prevê destinar 20,64% do fundo à campanha de reeleição do presidente Lula e 11,70% às candidaturas aos governos estaduais. Já os candidatos à Câmara devem receber 43,06%. Para o Senado, a reserva subiu de 2,48% para 10,08%. A direção nacional deixou aos diretórios estaduais a definição de prioridades entre os grupos G1, G2, G3 e G4. Em Minas Gerais, porém, 25 candidatos contestam a distribuição e cobram um piso de R$ 80 mil. O grupo ameaça recorrer à Justiça após ficar sem recursos do fundo eleitoral.
Amigo de Lulinha fez acordo para evitar prisão, diz revista VEJA

BRASÍLIA, 1º de setembro de 2026 — A Polícia Federal investiga as relações do empresário Cléber Ribas, dono da empresa de informática 3Structure, com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT). A 3Structure recebeu R$58 milhões em contratos federais desde o início do atual governo. Reportagem da revista Veja, publicada neste domingo (30 de agosto de 2026), dos jornalistas Hugo Marques, Ricardo Chapola e Laryssa Borges, detalha mensagens, contratos e um acordo penal firmado pelo empresário. Um dos três inquéritos da PF contra Lulinha envolve a Dataprev e Ribas. Mensagens em poder da polícia mostram que o empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger — descrita pelos investigadores como sócia oculta de Lulinha e com trânsito em Brasília — para obter mais contratos na Dataprev e no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Também foram obtidas mensagens de Lulinha orientando a lobista a “emitir NF” (nota fiscal) para ser paga por Cleber, o que tem sido interpretado como provável pagamento pelos “serviços prestados” por Lulinha, investigado por tráfico de influência. Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se ele queria falar com alguém de outro ministério. Ele respondeu que havia “uma questão da Dataprev”. Ela prometeu verificar “quem está no comando”. Em abril, a lobista organizou um jantar com a presença de Lulinha e de Fernando Bittar, sócio do filho do presidente. “A ideia é aquela: vc contratar eles”, escreveu ela. No mesmo mês, mencionou um encontro com Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência. Em maio, Ribas pediu reunião com Fábio e comentou a posse do novo presidente da Dataprev. Enquanto negociava com o governo, Ribas enfrentava outro problema. Em setembro de 2024, assinou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público para não ser preso por corrupção. O MP concluiu que, entre 2006 e 2010, o então presidente do Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), Adriano Niehues, recebeu R$ 218 mil em vantagens indevidas da Consist Software Solutions Inc por intermédio de Ribas. O empresário classifica o episódio como “mal-entendido”. Pelo acordo, Ribas se comprometeu a devolver valores a uma entidade social, informar qualquer mudança de endereço ao juízo e se abster de frequentar casas de prostituição e bares. Mesmo assim, ele visitou o Palácio do Planalto em maio de 2024 e fechou dois contratos com o MDS comandado pelo ministro Wellington Dias. Ribas afirma que tudo ocorreu “dentro da legalidade”. O empresário atribui o estreitamento da amizade com Lulinha a um episódio pessoal. “Eu descobri um câncer em junho de 2024. Até então eu conhecia o Fábio, mas convivia pouco com ele”, disse à Veja. “Não sei se por conta do problema do pai e da mãe, ele resolveu se aproximar. Quando fiquei careca e raspei a cabeça, ele raspou também. Minha relação com o Fábio é de amizade, não é financeira.” A reportagem da Veja se insere em uma série de apurações da PF sobre um suposto núcleo de atuação envolvendo Lulinha, Luchsinger e Bittar para interlocução de interesses privados junto a órgãos federais. Lulinha é alvo de três inquéritos. Sua defesa tem sustentado que ele colabora com as investigações e que não cometeu ilícitos. Lula tem declarado que não interferirá nas apurações sobre o filho. A PF segue analisando as mensagens e os contratos.
Plataforma da FAMEM auxilia municípios em exigências do TCE-MA

SÃO LUÍS, 1º de setembro de 2026 — A plataforma de rastreabilidade de emendas parlamentares oferecida pela Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) tem sido usada por municípios para atender às exigências do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA). Em Fernando Falcão, a ferramenta ajudou a gestão municipal a cumprir os requisitos de Transparência e Rastreabilidade de Emendas Parlamentares previstos pelo Tribunal. Após o procedimento, o TCE-MA emitiu a certidão correspondente. A plataforma foi apresentada durante capacitações do programa TCE + Movimento nas Regionais. A iniciativa do Tribunal de Contas orienta gestores municipais sobre transparência, governança e controle externo. A ferramenta organiza informações sobre emendas parlamentares e permite acompanhar os recursos desde o recebimento até a execução. Da disponibilização de documentos à rastreabilidade Segundo a contadora da Prefeitura de Fernando Falcão, Rayanne de Albuquerque Sobral, antes da implantação da ferramenta o município consultava plataformas como o Transferegov e os sistemas de transferências Fundo a Fundo. Os documentos eram gerados em PDF e publicados no Portal da Transparência, mas as informações não ficavam reunidas em um único ambiente. “Não tínhamos, de forma integrada e organizada, uma visão do recurso desde o seu recebimento até a sua execução, permitindo acompanhar com clareza o valor recebido, empenhado, liquidado e pago”, explicou. Com a implantação da plataforma, o município passou a concentrar essas informações no acompanhamento das emendas. “A plataforma foi, sem dúvida, um divisor de águas para o município. Ela nos permitiu sair de um modelo em que simplesmente disponibilizávamos documentos para cumprir uma exigência e passar a trabalhar efetivamente com a rastreabilidade dos recursos”, afirmou.
Empresa ligada a amiga de Lulinha fecha contratos federais

BRASÍLIA, 1º de setembro de 2026 — A empresa de tecnologia 3Structure fechou R$ 81 milhões em contratos e aditivos com o governo federal. A Polícia Federal (PF) investiga a atuação da lobista Roberta Luchsinger na defesa dos interesses do dono da empresa, Cleber Ribas. As informações são do jornal O Globo. Os investigadores suspeitam de uma sociedade oculta entre Roberta e Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Documentos da PF citam o filho do presidente em diálogos como destinatário de repasses e benefícios do empresário. A investigação encontrou pagamentos de pelo menos R$ 2,5 milhões de Ribas para Roberta de março de 2024 a dezembro de 2025. Em mensagens, ela afirma que usou parte dos valores para comprar passagens aéreas para o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Contratos envolvem tecnologia A 3Structure assinou seis contratos federais para serviços como backup e armazenamento de dados. O Ministério do Desenvolvimento Social concentra R$ 53,1 milhões desse total, em dois acordos e aditivos. Registros oficiais revelam 17 visitas de Roberta ao gabinete do ministro Wellington Dias desde 2023. O ministério informou que os encontros não resultaram em atos administrativos e citou a amizade entre os dois. A empresa também fechou quatro contratos de R$ 5,8 milhões com o governo do Maranhão em 2024. Áudios mostram Roberta e Lulinha em articulação de uma agenda para o governador Carlos Brandão no Palácio do Planalto. A PF identificou ainda um contrato de R$ 12,4 milhões da Duosystem com a Secretaria de Saúde do Maranhão. A empresa também era representada pela lobista. INVESTIGAÇÃO INCLUI MINISTÉRIO DA SAÚDE Roberta participou de negociações com o Ministério da Saúde e a Dataprev, mas os acordos não foram concluídos. Ela também enviou uma minuta sobre a venda de medicamentos com canabidiol ao ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro., o Marcola O Supremo Tribunal Federal analisa três inquéritos da PF que envolvem Lulinha e Roberta Luchsinger. As investigações apuram suspeitas de tráfico de influência. Ao jornal O Estado de S. Paulo, a 3Structure afirmou que venceu as licitações dentro das normas legais e com transparência. Brandão negou a intermediação de terceiros em sua agenda. Já a Duosystem também afirmou que venceu licitação regular. A defesa de Roberta Luchsinger e a Telebras, porém, não se manifestaram.
Federação PSOL-Rede tem maior número de candidatos no MA

BRASÍLIA, 1º de setembro de 2026 — A federação Psol-Rede reúne o maior número de candidaturas no Maranhão nas eleições deste ano. São 55 nomes registrados. O Psol concentra a maior parte deles, enquanto a Rede completa a lista. A federação também apoia Felipe Camarão (PT) na disputa pelo Governo do Estado. O Psol tem Enilton Rodrigues como candidato ao Senado e também lançou os dois suplentes da chapa. Além disso, o partido conta com 14 candidatos a deputado federal e 27 a deputado estadual. A Rede soma outros 11 nomes: cinco para a Câmara e seis para a Assembleia Legislativa. Pelas regras eleitorais, partidos que formam uma federação atuam como uma única representação política. Psol e Rede estão juntos desde maio de 2022. A parceria foi renovada neste ano e, portanto, as duas siglas devem continuar unidas até 2030. Na disputa pelo Governo do Maranhão, Psol e Rede integram a coligação de Felipe Camarão. A federação PT-PCdoB-PV aparece logo atrás, com 54 candidaturas. O PT tem 41 nomes, incluindo Felipe Camarão. O PCdoB soma dez candidaturas e o PV tem três. Já o MDB ocupa a terceira posição, com 50 candidatos. Pelo MDB, Orleans Brandão disputa o governo e Roseana Sarney concorre ao Senado. Além disso, o partido lançou 31 candidatos a deputado estadual e 15 a deputado federal.
Careca do INSS articulou consórcio para driblar governo

BRASÍLIA, 1º de setembro de 2026 — Personagem central no escândalo do INSS, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, articulou a formação de um consórcio de empresas para camuflar o favorecimento que esperava ter dentro do governo com a atuação da lobista Roberta Luchsinger e de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. O plano envolvia garantir que o Ministério da Saúde contratasse a empresa World Cannabis, do próprio Careca do INSS, para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol e ajustar o termo de referência do projeto para que apenas quatro empresas, combinadas previamente com ele, participassem formalmente da concorrência para o fornecimento do insumo. A informação consta de depoimento que o empresário Edson Claro, antigo funcionário de Camilo Antunes, prestou à Polícia Federal. A oitiva, a que VEJA teve acesso, até hoje é mantida em sigilo. De acordo com ele, a viabilidade do negócio com cannabis medicinal, estimado em 627 milhões de reais, dependia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de certificações internacionais, o que restringiria a concorrência das cerca de 400 empresas que atuam no ramo para apenas dez. Dessas, três foram procuradas pelo Careca do INSS em um modelo desenhado por Claro aos investigadores como um jogo de ganha-ganha. A quarta era a própria World Cannabis. Pelo projeto, as quatro venderiam 1,2 milhão de unidades do produto para serem distribuídos a Secretarias Estaduais de Saúde, enquanto Camilo Antunes, por meio de Lulinha e Roberta Luchsinger, destravariam eventuais impasses junto ao governo. As investigações da Polícia Federal mostram que o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, chegou a receber o termo de referência e era contato direto da lobista no Palácio do Planalto. Conforme o depoimento, Edson Claro “entendeu que a formação do consórcio de quatro empresas poderia servir para dissimular eventual favorecimento à World Cannabis; e que, mesmo assim, os lucros estimados eram elevados, considerando que cada dólar investido retornaria onze dólares para as empresas participantes”. Em abril de 2024, o Careca do INSS viajou com um grupo à Colômbia para comprar parte de uma das empresas que integrariam o consórcio simulado, mas o negócio não foi consolidado. Na época, Camilo Antunes tinha tanta certeza de que o esquema de influência que fomentava por meio de Luchsinger daria certo que, segundo Claro, o Careca do INSS “garantiu que o pagamento seria único e antecipado, demonstrando possuir influência e poder de articulação”. De acordo com o depoimento, Roberta Luchsinger atuava como intermediária entre o Careca, Lulinha e Gustavo Gaspar, antigo sócio de Camilo Antunes e também investigado nos inquéritos que apuram tráfico de influência no Executivo, e era descrita como “secretária” de Fábio Luís. O Careca do INSS, por sua vez, se vangloriava da informação de que a lobista teria sido “assessora do presidente Lula”. Nesta quinta-feira, 27, durante sabatina no Jornal Nacional, o petista chamou Roberta Luchsinger de “pilantra” e disse não a conhecer. “Nunca vi na minha vida. Nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim. Malandro é igual em qualquer lugar do mundo”, afirmou ele, que aparece em pelo menos dez fotografias ao lado da lobista postadas por ela própria em redes sociais. Para destravar o projeto de interesse da World Cannabis, o Careca do INSS se reuniu em um restaurante de Brasília com Roberta e Swedenberger Barbosa, o Berge, então número dois do Ministério da Saúde. Na época, o grupo projetava que Berge assumiria o estratégico posto de diretor-presidente da Anvisa, o que daria a ele poder de caneta para a regulamentação de medicamentos, inclusive os derivados de cannabis medicinal.