
BRASÍLIA, 07 de julho de 2026 — O governo federal lançou o novo Plano Safra da Agricultura Familiar, com R$ 85,2 bilhões para financiar a produção rural, incluindo linhas de crédito e incentivos para diversos perfis de produtores.
No entanto, juristas apontam que a dificuldade principal é a transformação desses recursos em financiamentos efetivos, devido às exigências bancárias que muitos agricultores não conseguem atender.
O governo federal lançou nesta semana o novo Plano Safra da Agricultura Familiar, com R$ 85,2 bilhões destinados ao financiamento da produção rural. O pacote reúne linhas de crédito, incentivos para diferentes perfis de produtores e medidas para facilitar o acesso aos recursos.
Apesar do volume anunciado, juristas avaliam que a principal dificuldade continua sendo transformar os valores previstos em financiamentos efetivamente contratados pelos agricultores.
Na avaliação do advogado Igor Fernandez de Moraes, sócio do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito do agronegócio, o problema não está apenas na oferta de recursos, mas na capacidade dos produtores de atender às exigências necessárias para obter aprovação bancária.
“O volume de recursos ajuda, mas, sozinho, não resolve, porque o gargalo é de absorção, e não de oferta”, afirma. “O agricultor familiar médio nem sempre tem estrutura para lidar com exigências bancárias, como comprovação de renda, projeto técnico e cadastro ambiental. Isso vale também para o pequeno agricultor familiar.”
Entre as novidades anunciadas pelo governo está um simulador de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), desenvolvido para orientar os produtores sobre as linhas de financiamento mais compatíveis com seu perfil.
Segundo Moraes, a ferramenta pode reduzir dúvidas na etapa inicial da contratação, embora não elimine outros entraves.
“O governo lançou ainda o simulador de crédito do Pronaf, permitindo que o produtor chegue ao banco já sabendo qual linha melhor se encaixa no seu perfil”, disse. “A medida ataca o problema da informação, mas não resolve o processamento bancário em si, que continua, em regra, lento.”







