Garimpo ilegal avança no MA sob omissão do governo Lula

MARANHÃO, 16 de junho de 2026 — O garimpo ilegal avança em municípios do oeste do Maranhão sob a incapacidade dos órgãos de fiscalização de interromper a atividade. Em documento citado pelo Ministério Público Federal, a Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao governo federal, admitiu não possuir condições técnicas e operacionais para cumprir decisões judiciais que determinam a suspensão do garimpo em Centro Novo do Maranhão, apontando falta de apoio das forças de segurança para atuar na região. O Ministério Público Federal classificou como de extrema gravidade a situação do garimpo ilegal em Centro Novo do Maranhão e Centro do Guilherme. O órgão apontou impactos ambientais, riscos à saúde pública e dificuldades para fiscalizar a atividade. Segundo o MPF, o garimpo ilegal tem provocado contaminação ambiental e degradação de áreas próximas aos rios da região. Em Centro Novo do Maranhão, pesquisas científicas identificaram indícios de contaminação por mercúrio no Riacho Cachoeira e no Rio Gurupi. Os estudos foram realizados por pesquisadores ligados ao programa de pós-graduação em Geografia. CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL Segundo denúncias, há registros em Centro Novo que mostram a atividade ocorrendo de forma improvisada e sem equipamentos de segurança. Especialistas alertam para os riscos causados pelo uso de substâncias químicas. Em Centro do Guilherme, moradores também relataram prejuízos ao Rio Maracaçumé, utilizado para abastecimento e pesca. O procurador da República Juraci Guimarães Júnior afirmou que operações anteriores já identificaram crateras abertas pela mineração irregular, uso de produtos químicos nocivos e trabalhadores concentrados em condições precárias. Segundo ele, decisões recentes da Justiça Federal confirmaram o cenário encontrado pelas investigações. A pesquisadora Mariana Basso, especialista em toxicologia aquática da Universidade Federal do Maranhão, explicou que a exposição ao mercúrio pode causar intoxicações, irritações e danos neurológicos. Inclusive, o contato prolongado com o metal pode provocar alterações motoras, dificuldades de memória e problemas de aprendizado.
Mulheres crescem em candidatura, mas eleição avança pouco

BRASÍLIA, 16 de junho de 2026 — O número de candidatas mulheres à Câmara dos Deputados cresceu quase dez vezes entre 1998 e 2022. Saltou de 358 para 3.668, uma alta de 925%. Porém, a quantidade de deputadas federais eleitas não acompanhou esse ritmo. Subiu de 29 para 90, um crescimento de 210%. Os dados são do Portal da Classe Política, lançado nesta terça (16) pela UFPR. Nas eleições de 2022, as mulheres conquistaram 17,5% das cadeiras da Câmara. Nas assembleias estaduais, ficaram com 17,8%. Esses são os maiores percentuais da série histórica. Mesmo assim, os números ainda estão abaixo de 20% do total. Também ficam distantes da cota mínima de 30% de candidaturas prevista em lei. Segundo os pesquisadores, parte desse crescimento veio da Lei das Cotas de Gênero, de 1997, e da minirreforma eleitoral de 2009. O cientista político Nilton Sainz, da UFPR, explica o motivo da baixa presença feminina. Ele afirma que a desigualdade dentro dos partidos é o principal problema. Mulheres recebem menos dinheiro para campanhas. Além disso, têm menos acesso aos espaços de decisão partidária. O pesquisador também aponta que muitos partidos registram candidaturas femininas só para cumprir a cota legal. Essas candidatas, porém, não têm condições reais de disputa. Para os pesquisadores, a baixa representação feminina afeta a agenda do Legislativo. Temas como violência de gênero, feminicídio, políticas de cuidado, saúde e creches perdem espaço. Com poucas mulheres nos processos de decisão, a diversidade de perspectivas diminui. Isso pode impactar até a definição do orçamento público. O Portal da Classe Política reúne dados do TSE sobre 14 eleições, de 1998 a 2024. A ferramenta mostra candidaturas, perfil dos eleitos, patrimônio, financiamento, reeleição e características dos partidos.
Câmara de São Luís adia debate sobre nova lei de zoneamento

SÃO LUÍS, 16 de junho de 2026 — A Câmara Municipal de São Luís adiou a audiência pública sobre o Projeto de Lei nº 0077/2026. A proposta trata do zoneamento, parcelamento, uso e ocupação do solo da capital maranhense. O anúncio foi feito pelo Legislativo Municipal, que ainda não definiu uma nova data para o encontro. A audiência estava marcada para esta segunda (15), às 17h, na Unidade de Educação Básica Major Augusto Mochel, localizada no bairro Maracanã, na zona rural de São Luís. O evento reuniria moradores e demais interessados para discutir as mudanças previstas no projeto. Segundo a Câmara, a nova data será divulgada pelos canais oficiais da instituição.
STF julga processo contra Eduardo Bolsonaro nesta terça (16)

BRASÍLIA, 16 de junho de 2026 — O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça (16) o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A Primeira Turma vai decidir se ele é condenado pelo crime de coação no curso do processo. O julgamento começa às 14h. O caso envolve ações dele para incentivar os Estados Unidos a aplicarem tarifas contra produtos brasileiros. Além disso, a acusação cita sanções contra integrantes do governo e ministros do STF. A sessão começa com a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes. Ele é o relator do processo. Depois, a Procuradoria-Geral da República apresenta a acusação. A defesa fica por conta da Defensoria Pública da União. Participam do julgamento os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A Primeira Turma tem quatro integrantes. A quinta vaga está vazia desde a saída de Luís Roberto Barroso e a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma. A PGR apresentou a denúncia em novembro do ano passado. O STF a recebeu na época. Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro usou entrevistas e redes sociais para pressionar o Supremo. O objetivo seria evitar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo da trama golpista. A procuradoria afirma que as ações dele prejudicaram as exportações brasileiras. Por isso, pede que o STF fixe um valor de reparação pelos danos econômicos. Durante o processo, Alexandre de Moraes mandou notificar o ex-deputado por edital. Como ele não foi localizado e não apresentou advogado, a Defensoria Pública da União assumiu a defesa. A DPU pede a anulação do processo. Alega que Moraes não deveria participar do julgamento, pois foi alvo das medidas citadas na denúncia. A defesa também sustenta que um ministro da Segunda Turma deveria completar o colegiado, já que a Primeira Turma tem apenas quatro membros. O crime de coação no curso do processo tem pena de um a quatro anos de prisão. O juiz pode aumentar a pena conforme as circunstâncias. A decisão da Primeira Turma define se o ex-deputado será responsabilizado criminalmente pelos fatos apontados pela PGR.
Polícia Federal recebe mais de 40 novos agentes no Maranhão

MARANHÃO, 16 de junho de 2026 — A Polícia Federal deu posse simbólica a 46 novos agentes nesta segunda (15), no Maranhão. Os servidores concluíram a formação na Academia Nacional de Polícia e passarão a atuar na Superintendência Regional e nas delegacias de Caxias e Imperatriz. A cerimônia reuniu autoridades do Judiciário e da própria corporação. Participaram do evento a diretora de Gestão de Pessoas da Polícia Federal, Helena de Rezende, a presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, desembargadora Maria Francisca Gualberto de Galiza, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Além disso, representantes da instituição acompanharam a recepção dos novos policiais. O superintendente regional da Polícia Federal no Maranhão, Guilherme Torres, deu as boas-vindas aos agentes. Ele destacou a importância da ética, do compromisso e da dedicação no trabalho policial. Segundo ele, a corporação tem papel essencial na proteção da sociedade e do Estado Democrático de Direito. Helena de Rezende afirmou que a Polícia Federal busca fortalecer um ambiente de trabalho mais integrado, colaborativo e saudável. Já a presidente do TRE-MA ressaltou a responsabilidade dos novos agentes nas eleições, especialmente no combate aos crimes eleitorais e na garantia da segurança e da legitimidade do processo eleitoral. Flávio Dino destacou a história, a cultura e as belezas naturais do Maranhão ao recepcionar os novos servidores.
União paga dívidas de estados e municípios no mês de maio

BRASÍLIA, 16 de junho de 2026 — O Tesouro Nacional pagou R$ 834,8 milhões em dívidas atrasadas de estados e municípios em maio de 2026. A informação foi divulgada na segunda (15) em um relatório oficial. No total, em 2026, a União já honrou R$ 2,2 bilhões em débitos de governos locais. Três estados precisaram dessa ajuda no mês passado. O Rio de Janeiro ficou com a maior parte: R$ 619,61 milhões. Em seguida, veio o Rio Grande do Sul, com R$ 212,36 milhões. O Rio Grande do Norte teve R$ 2,66 milhões pagos pela União. Além disso, duas prefeituras tiveram dívidas cobertas: Paranã (TO), com R$ 99,88 mil, e Santanópolis (BA), com R$ 67,91 mil. Essas garantias funcionam como um seguro. A União usa o Tesouro para cobrir calotes em empréstimos de estados e municípios com bancos. Quando um ente não paga uma parcela, o credor avisa a União. Daí, o Tesouro compensa o valor. Porém, ele desconta esse montante dos repasses federais futuros, como verbas de impostos. Além disso, o ente fica impedido de fazer novos financiamentos. Sobre o atraso, ainda incidem juros e multas. Desde 2016, a União já pagou R$ 88,73 bilhões nesse tipo de operação. Desse total, R$ 80,96 bilhões estão sob efeito de regimes especiais, como recuperação fiscal ou decisões judiciais. Por isso, a cobrança desses valores fica suspensa. Até agora, o Tesouro conseguiu recuperar R$ 6,04 bilhões em contragarantias. Os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais devolveram os maiores valores. Em 2026, a recuperação já soma R$ 118,04 milhões. No fim de 2025, 22 estados aderiram ao Propag, programa que renegocia dívidas estaduais. O plano dá descontos nos juros e parcelamento em até 30 anos. Em troca, os estados participantes precisam cortar gastos e investir em áreas como educação e segurança. Apenas cinco unidades da Federação não entraram no programa. O Rio Grande do Sul, por causa das enchentes de 2024, teve o pagamento da dívida suspenso por 36 meses. Os juros também foram perdoados nesse período. O estado deve cerca de R$ 100 bilhões à União. As parcelas que seriam pagas vão para um fundo estadual de reconstrução. Em 2022, o estado já tinha um plano de recuperação fiscal aprovado, que previa reformas para reduzir gastos.
Gaeco vê elo entre facções e desvio de emendas parlamentares

MARANHÃO, 16 de junho de 2026 — A Operação Benedictio revelou uma suposta ligação entre facções criminosas, agentes políticos e o desvio de mais de R$ 9 milhões em emendas parlamentares em São Luís. O coordenador do Gaeco, procurador Haroldo Paiva de Brito, apresentou as informações na segunda (15), após o avanço das investigações sobre recursos destinados a projetos sociais. Segundo o procurador, a apuração utilizou quebras de sigilos bancário, telemático e de dados para rastrear a movimentação do dinheiro. Além disso, o Gaeco identificou fortes indícios da participação de servidores públicos na aprovação de pagamentos destinados ao Instituto Sê Tu Uma Bênção. Haroldo Paiva afirmou que a investigação mostra a aproximação entre facções criminosas e agentes políticos para desviar recursos que deveriam atender pessoas em situação de vulnerabilidade. Por isso, os investigadores ampliaram o rastreamento dos valores e dos beneficiários dos repasses. A apuração também indica que parte do dinheiro teria financiado a compra de veículos de luxo e outros bens. Alguns desses itens foram apreendidos durante a operação. Entre os alvos da ação estavam o vereador Beto Castro (Avante) e o ex-vereador Umbelino Júnior. Beto Castro foi preso em flagrante por posse de arma de fogo de uso restrito, mas obteve liberdade provisória mediante medidas cautelares.
Venezuela, Irã, Cuba e Coreia do Norte lideram inflação

MUNDO, 16 de junho de 2026 — A Venezuela é o país com a maior inflação do mundo. A taxa anual chega a 574%, segundo o economista Steve Hanke, da Universidade Johns Hopkins. Em seguida vêm Irã (115%), Cuba (66%) e Coreia do Norte (22%). O levantamento usa a taxa de câmbio paralela para estimar a inflação em países com dados oficiais pouco confiáveis. Em Cuba, a situação é grave. Dados da Oficina Nacional de Estatística e Informação (Onei) mostram que os preços subiram 9,16% nos primeiros cinco meses de 2026. Em maio, a inflação anual chegou a 15,89%. Além disso, o peso cubano perdeu 40% do valor em 12 meses, segundo o estudo de Hanke. O preço dos alimentos disparou. O leite em pó custava 2 mil pesos por quilo em abril. No fim de maio, já estava em 2,4 mil pesos. No início de junho, alcançou 3,2 mil pesos. O café subiu 7,7% em maio, passando de 600 para 850 pesos em alguns mercados. O açúcar foi de 320 para 450 pesos por libra no mesmo período. A farinha, o sal e vários tipos de carne tiveram reajustes entre 2,5% e 9% no último levantamento. Os preços dos alimentos estão quase 20% mais altos do que em maio de 2025. O transporte também pesa no bolso, com aumento oficial de 21,7% em um ano. O setor de restaurantes acumulou alta anual superior a 26%. Autoridades cubanas atribuem parte da crise à interrupção de operações de companhias marítimas. Elas temem sanções dos Estados Unidos. A falta de combustível também agrava o problema. No mercado informal, o dólar já supera 640 pesos, e o euro se aproxima de 730 pesos. Especialistas afirmam que a desvalorização cambial, a escassez de produtos, a crise energética e as dificuldades de importação alimentam a inflação. Por enquanto, não há sinais de melhora no curto prazo. Os cubanos continuam enfrentando aumentos constantes nos preços de alimentos, transporte e outros bens essenciais.