Investigação sobre Lulinha envolve 4 integrantes do governo Lula

Lula Lulinha

BRASÍLIA, 24 de setembro de 2026 — Investigações da Polícia Federal que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), alcançaram ao menos quatro integrantes ou ex-integrantes do governo federal. Mensagens e movimentações financeiras são analisadas pela PF em três inquéritos que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência. A PF suspeita que a lobista Roberta Luchsinger atuava na defesa de interesses privados junto a órgãos federais em parceria com dois sócios ocultos: Lulinha e o empresário Fernando Bittar. Veja quem são os quatro nomes citados nas investigações: Ranniêr Costa Ciríaco Segundo mensagens analisadas pela Polícia Federal, Roberta Luchsinger orientou seu motorista e auxiliar, Ulisses Barbosa, a fazer depósitos em contas de Ranniêr, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), de outro funcionário da pasta e de uma terceira pessoa. O dinheiro, de acordo com as conversas, fazia parte de R$ 60 mil mantidos em espécie pela lobista. Seis meses depois dos repasses mencionados pela PF, a pasta fechou contrato com um empresário de tecnologia representado pela lobista. O MDS foi procurado pela Folha nesta quarta-feira (23), mas não havia se manifestado até a última atualização deste texto. José Martinho Ferreira de Araújo O coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias no MDS aparece nas mesmas mensagens em que Roberta teria determinado a distribuição dos R$ 60 mil mantidos em espécie. Segundo a PF, uma das contas indicadas para receber os recursos era de José Martinho, enquanto outra pertenceria a uma parente dele. Marco Aurélio Santana Ribeiro, “Marcola” Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, foi chefe de gabinete de Lula e um dos auxiliares mais próximos do presidente. Ele deixou o Palácio do Planalto para atuar na campanha de reeleição do petista, mas posteriormente também saiu da equipe eleitoral após a divulgação das suspeitas envolvendo sua relação financeira com Roberta Luchsinger. Segundo a PF, a lobista pagou cerca de R$ 217 mil em despesas de Marcola durante 2024, entre faturas de cartão de crédito, parcelas relacionadas a um veículo e outros gastos. Os pagamentos coincidiram com tratativas em que Roberta buscava, com auxílio de Marcola, avançar interesses privados junto ao Ministério da Saúde e a integrantes do gabinete presidencial. A defesa de Marcola afirma que os valores estavam relacionados a um empréstimo pessoal que teria sido integralmente quitado. Também diz que ele jamais intermediou negociações ou encaminhou documentos relacionados a compras e licitações no Ministério da Saúde, na Anvisa ou em outros órgãos federais. Swedenberger Barbosa Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, foi secretário-executivo do Ministério da Saúde e hoje ocupa o cargo de chefe de gabinete adjunto da Presidência da República. Ele aparece em conversas obtidas pela PF sobre reuniões e tentativas de avançar com negócios de interesse de Roberta Luchsinger junto ao governo. Mensagens de Lulinha também tratam de almoços com Berger e Marcola. Segundo a Folha, ambos aparecem nas investigações em tratativas relacionadas a contratos de interesse de Roberta com o governo. A PF analisa as interlocuções para saber se houve atuação indevida em favor de negócios privados. O Ministério da Saúde afirma que nunca teve contrato com a World Cannabis, empresa ligada às negociações investigadas. Swedenberger não tem se manifestado sobre o caso. Segundo a Folha, ele disse a interlocutores que uma de suas funções era receber pessoas e encaminhar demandas para análise técnica e que não deu andamento à proposta apresentada por Roberta. O QUE DIZEM LULINHA E ROBERTA LUCHSINGER A defesa de Lulinha afirma que não é possível confirmar a autenticidade das conversas usadas nas investigações e diz que ele não tem relação com os pagamentos. Também questiona a cadeia de custódia das provas e afirma que as conclusões da PF se baseiam em inferências não conclusivas. Procurada, a defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou. Anteriormente, afirmou que não se posicionaria sobre inquérito sob sigilo. Os três inquéritos envolvendo Lulinha e Luchsinger tramitam no STF e foram abertos a partir de elementos encontrados nas buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto.

Advogada maranhense da Turma do KN foi juíza no TRE-MA

advogada TRE-MA

MARANHÃO, 24 de setembro de 2026 — A advogada Camilla Ramos, citada em mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, já integrou o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão. Ela aparece nas conversas associada à chamada “Turma do KN”. Camilla foi membro substituta e depois titular do TRE-MA. Camilla tomou posse como membro substituta da Corte Eleitoral em agosto de 2018. Depois, em novembro de 2021, assumiu uma vaga de membro titular destinada à advocacia. Naquele ano, sua entrada fez o TRE-MA passar a ter quatro mulheres em sua composição. O nome da advogada voltou ao noticiário após o avanço das investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master. Mensagens apreendidas citam Camilla e o marido, o desembargador federal Newton Ramos, como integrantes da chamada “Turma do KN”. Camilla integra escritório que atuou em processos relacionados a precatórios de interesse do Banco Master. Além disso, ela tem visitado Vorcaro na prisão. Segundo a advogada, os encontros tratam desses processos, nos quais afirma estar formalmente habilitada.

Governo Lula foi contra derrubar tigrinho e cassinos online

Lula bets

BRASÍLIA, 24 de setembro de 2026 — O PT votou contra uma emenda que tentava barrar os cassinos online, entre eles o “jogo do tigrinho”, quando o projeto de regulamentação das bets foi aprovado pelo Congresso, em 2023. Agora, às vésperas da eleição, o governo Lula adotou o discurso da restrição a estas modalidades de aposta e deve anunciar medidas em breve. Uma alternativa na mesa é vetar apenas os cassinos online. Em 2023, no entanto, o PT orientou voto contrário no Senado a uma emenda do senador Carlos Portinho (PL-RJ) que buscava proibir os cassinos. “Não estamos criando nem autorizando. Estamos apenas regulamentando, por isso orientamos voto ‘não’”, disse o líder do governo à época, o senador Jaques Wagner (PT-BA). Os únicos senadores petistas que votaram a favor da emenda foram Teresa Leitão (PE) e Humberto Costa (PE). Apesar do voto contrário dos governistas, a emenda acabou aprovada pelo plenário com 37 votos favoráveis. Na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) apresentou um destaque para que a emenda do Senado contra os cassinos online fosse mantida. “Se queremos salvar os brasileiros dessa mazela, temos que aprovar esse destaque. Cassinos fazem um dano enorme ao patrimônio de milhares de famílias. Se existe alguma coisa pior, eu quero conhecer. Vamos salvar pelo menos este mal”, declarou Sóstenes na sessão. Tanto o PT quanto o governo também orientaram voto contrário. Nenhum dos 58 petistas presentes votou para barrar os cassinos online. Nesta votação, o governo saiu vencedor e conseguiu manter as apostas virtuais. “Não adianta a gente negar que um problema não existe. Se existe, temos que tratar. Por isso, nós seguimos o que nosso relator colocou”, orientou a deputada Dandara (PT-MG). Procurada, a bancada do PT afirma que, na época, o governo buscou regular um mercado que atuou sem regras sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL), o que permitiu maior fiscalização. O partido diz, no entanto, que as plataformas se mostraram danosas e, por isso, mudou o posicionamento. Tanto é que, neste ano, a liderança do PT apresentou um projeto de lei que busca proibir as bets.

TCE sinaliza rejeição das contas de ex-prefeito de Santa Helena

Santa Helena

SANTA HELENA, 24 de setembro de 2026 — O TCE-MA recomendou a desaprovação das contas de 2024 do ex-prefeito de Santa Helena, Zezildo Almeida. O parecer foi publicado nesta quarta (23). A decisão foi unânime. O Tribunal apontou problemas nas finanças e no cumprimento de regras orçamentárias. Segundo o TCE-MA, Santa Helena gastou R$ 233,5 milhões, mas arrecadou R$ 222,2 milhões. Portanto, o município fechou o período com déficit de R$ 11,2 milhões. Além disso, faltaram R$ 53,08 milhões em caixa para cobrir despesas deixadas para pagamento posterior. O Tribunal também apontou aumento dos gastos com pessoal nos últimos 180 dias do mandato. O percentual subiu de 49,11% para 56,58%. Além disso, o TCE identificou falta de comprovação sobre recursos do VAAT e índices de 0% em educação infantil e despesas de capital. No FUNDEB, Santa Helena aplicou 69,44% na remuneração dos profissionais da educação básica. O mínimo era 70%. O TCE recomendou a correção. Também encontrou diferença de R$ 164,7 mil entre balanços. Após o fim do processo, a Câmara Municipal julgará as contas.

André Mendonça mira caixa-preta do inquérito das fake news

André Mendonça

BRASÍLIA, 24 de setembro de 2026 — O pedido do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para acessar a íntegra do inquérito das fake news abriu um horizonte improvável até poucos meses atrás: o de que um ministro diferente de Alexandre de Moraes examine os documentos secretos de uma investigação que acumulou abusos, medidas de censura e sucessivas ampliações de objeto ao longo de mais de sete anos. Se a liberação for realmente irrestrita, como solicitada, André Mendonça poderia acessar a caixa-preta do procedimento mais abusivo da história do STF, o que poderia trazer à tona, por exemplo, como pessoas foram escolhidas como alvos e quais diligências permaneceram escondidas por sigilo. Não se sabe até hoje, por exemplo, quantas pessoas foram vítimas de bloqueios de perfis, remoções de conteúdo e outras restrições impostas pelo STF nas redes sociais. O inquérito das fake news esteve no centro dessa engrenagem de censura judicial, cuja extensão permanece desconhecida em razão do sigilo que encobre boa parte das medidas adotadas. A liberação da íntegra do inquérito a Mendonça, contudo, é pouco provável – em primeiro lugar, porque Edson Fachin, presidente do tribunal, teria naturalmente pouco interesse em fazê-lo; em segundo lugar, porque a revelação da íntegra de uma investigação que corre em sigilo causa controvérsia no meio jurídico. Para o procurador Cesar Dario Mariano, professor de Direito Penal, embora o ministro tenha direito de acessar os elementos usados contra ele, sua petição não apresenta fundamentação suficiente para a abertura de toda a investigação, que reúne documentos sigilosos sobre inúmeros outros casos. Segundo Mariano, Mendonça tem o direito de acessar os elementos da investigação que dizem respeito a seu nome, já que o conhecimento desse material é necessário ao exercício de sua defesa. “Ele pode fazer esse pedido porque está fazendo isso para a defesa dele. Ele quer saber para poder se defender”, afirma. Esse direito, contudo, não se confundiria com a permissão para consultar todo o acervo acumulado desde 2019. Para o especialista, a tendência é que o ministro Edson Fachin, presidente do STF, identifique quais peças têm relação com Mendonça e libere somente esse material. “Há coisas que não interessam a ele ali, são de outras investigações”, diz. A jurista Katia Magalhães discorda de Mariano, e considera que a inclusão de Mendonça no inquérito oferece fundamento para que ele reivindique um conhecimento mais amplo da investigação, inclusive para verificar a relação entre as acusações apresentadas contra ele e os demais fatos apurados. Para ela, a petição de Mendonça está tecnicamente bem sustentada.

MP Eleitoral encontra mais de 300 irregularidades em Imperatriz

MPE Imperatriz

IMPERATRIZ, 24 de setembro de 2026 — O Ministério Público Eleitoral identificou mais de 300 irregularidades em propagandas de campanha em Imperatriz. A fiscalização ocorreu após denúncias da população e encontrou materiais instalados em locais proibidos ou em desacordo com as regras eleitorais. Segundo o promotor eleitoral Jadilson Cirqueira, os fiscais registraram as irregularidades com fotos e vídeos para adoção das medidas legais. Entre os casos estão wind banners, estruturas com bandeiras que só podem permanecer em locais permitidos entre 6h e 22h. Durante as ações, o Ministério Público encontrou wind banners depois da meia-noite e durante a madrugada. Além disso, uma das estruturas estava instalada dentro de um órgão público. O MP explicou que a irregularidade pode estar no formato, no local ou na forma de divulgação. A população também pode denunciar possíveis infrações pelo aplicativo Pardal, do Tribunal Superior Eleitoral. O sistema permite o envio de fotos e informações, inclusive de forma anônima. Por isso, o órgão considera as denúncias uma ferramenta de apoio à fiscalização. Candidatos ou responsáveis por propaganda irregular em bens públicos ou locais de uso comum podem receber multas de R$ 2 mil a R$ 8 mil por infração. Segundo o promotor, há candidatos com mais de 20 ou 30 registros. Novas fiscalizações devem ocorrer, principalmente à noite.

CNJ realiza operação contra desembargador maranhense

Desembargador maranhense

BRASÍLIA, 24 de setembro de 2026 — O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Polícia Federal, realizou nesta quinta (24) uma operação contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF). A operação foi determinada pelo corregedor do CNJ, ministro Benedito Gonçalves. Foram cumpridas medidas no gabinete do desembargador do TRF-1. O disco rígido do computador de Ramos foi copiado. O desembargador, que não estava no gabinete no momento da operação, não foi afastado do cargo. Ele mantém acesso ao sistema eletrônico de processos do tribunal. Investigações da PF apontam que o escritório de advocacia da esposa de Newton Ramos, Camilla Ramos, firmou contratos de honorários relacionados a causas de interesse de empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Um contrato encontrado em celular de Vorcaro indica pagamentos de até R$ 427 milhões ao escritório de Camilla. A ação desta quinta, chamada de correição extraordinária, é um procedimento de fiscalização e auditoria. Trata-se de um desdobramento da apuração aberta pela Corregedoria do CNJ sobre os processos do desembargador que envolvem precatórios do setor sucroalcooleiro. TURMA DO KN Em mensagens encontradas pelos investigadores, o desembargador Newton Ramos e sua esposa eram chamados por funcionários e interlocutores de Daniel Vorcaro pelo codinome “turma do KN”. Segundo a Polícia Federal, as iniciais “KN” fazem referência direta ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos indicam uma relação de intimidade entre o grupo “turma do KN” e Vorcaro. As apurações também apontam conexões sociais de proximidade, incluindo deslocamentos em jatos particulares. Antes de ser desembargador, Newton Ramos foi juiz auxiliar de Kassio Nunes Marques, quando o agora ministro do STF era vice-presidente do TRF-1, de 2018 a 2020. NOTA Leia a íntegra da nota divulgada pelo desembargador Newton Ramos: Nota de Esclarecimento O Desembargador Newton Ramos esclarece que a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça realizou uma correição extraordinária em seu gabinete com o objetivo de levantar informações em processos que envolvem o setor sucroalcooleiro. O magistrado ressalta que permanece no pleno exercício de sua jurisdição, atuando e julgando normalmente os demais processos sob sua responsabilidade. O Desembargador confia no trabalho desempenhado pela Corregedoria do CNJ, o qual considera natural e regular. Por fim, reafirma que está à inteira disposição do órgão para prestar todos os esclarecimentos necessários e sanar eventuais dúvidas sobre os casos em análise.

Justiça manda Prefeitura SLZ regularizar imóveis no Novo Angelim

Prefeitura SLZ

SÃO LUÍS, 24 de setembro de 2026 — A Justiça determinou que a Prefeitura de São Luís conclua a regularização fundiária do Novo Angelim e entregue os títulos definitivos às famílias habilitadas. A decisão é do juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Imobiliários. A Prefeitura terá 60 dias para apresentar um cronograma e um plano de trabalho. O documento deverá informar datas e etapas da regularização. Além disso, a Prefeitura terá até um ano e seis meses para finalizar o processo junto ao cartório e entregar os títulos. O plano deverá incluir levantamento da área, memoriais, estudos urbanísticos e ambientais, cadastro socioeconômico das famílias e solução de pendências cartorárias. Também deverá prever o registro dos títulos e a abertura das matrículas individuais dos imóveis. Segundo a sentença, o projeto deve seguir a Lei nº 13.465/2017. Por isso, terá de definir unidades, vias, áreas públicas e infraestrutura básica, como água, esgoto, drenagem e energia elétrica. A Corregedoria Geral da Justiça do Maranhão informou que não há impedimento jurídico ou técnico para concluir a regularização. A Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação já havia emitido, em 2018, a Certidão de Regularização Fundiária da comunidade. O Novo Angelim é ocupado há décadas, principalmente por famílias de baixa renda. A Defensoria Pública afirmou que o Município interrompeu etapas da política habitacional. Para o juiz, a regularização, nesse caso, é um dever jurídico da Prefeitura.

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