Transparência pede saída de PGR Paulo Gonet do caso Master

Gonet MASTER

BRASÍLIA, 25 de setembro de 2026 — A Transparência Internacional no Brasil pediu nesta sexta (25) que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, deixe o caso Master. A entidade quer que ele se declare impedido. O motivo é a suposta proximidade dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso. Isso poderia gerar conflito de interesses. No mesmo dia, o Conselho Superior do Ministério Público Federal analisou a atuação de Gonet no caso. O relator, Francisco Sanseverino, votou contra abrir investigação. Ele também rejeitou os pedidos para afastar Gonet. A Transparência disse que ainda não há provas de que Gonet ou parentes receberam dinheiro de Vorcaro. Também não há registro de atos dele para beneficiar o ex-banqueiro. Mesmo assim, a entidade considera grave que Gonet tenha aceitado viagem e entretenimento de luxo pagos por um banqueiro com má reputação. Além disso, a organização critica a atuação de Gonet em casos que envolvem ministros do STF. Segundo ela, o procurador pediu o arquivamento de apurações mesmo com seu nome citado em relatório da Polícia Federal. Por isso, a Transparência vê conflito de interesses. A entidade defende que a PGR leve ao plenário do STF pedidos de investigação pendentes sobre ministros. Também propõe treinamentos e regras para evitar conflitos de interesses e disciplinar benefícios recebidos por membros do MP.

Desembargador mantém prefeito de Centro Novo no cargo

Centro Novo

CENTRO NOVO DO MARANHÃO, 25 de setembro de 2026 — O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) negou o pedido do Ministério Público para afastar prefeito de Centro Novo do Maranhão, Joedson Almeida dos Santos, o Júnior Garimpeiro. A decisão, assinada pelo desembargador Jamil de Miranda Gedeon Neto, analisou recurso do MPMA em ação que questiona uma licitação municipal. O recurso contesta decisão da Justiça de Maracaçumé, que já havia rejeitado o afastamento. A ação popular discute o Pregão Eletrônico SRP nº 013/2024, homologado por R$ 18.017.499,34 para recuperação de estradas vicinais. A vencedora foi a Mix Gestão Construção e Locação Ltda. A ação aponta possíveis falhas na licitação, como dúvidas sobre a compatibilidade do valor com a dotação orçamentária, estudos técnicos insuficientes e falta de definição dos trechos das estradas. Além disso, questiona a composição dos custos e possíveis restrições à concorrência. Em fevereiro de 2025, a Justiça suspendeu contratos ligados à licitação, proibiu repasses à empresa vencedora e mandou o município apresentar documentos sobre a publicidade do procedimento. Depois, com a paralisação da ação pelo autor popular, o Ministério Público assumiu o processo e pediu o afastamento por até 90 dias. O MPMA alegou que a permanência do prefeito poderia colocar em risco documentos, registros contábeis e depoimentos de servidores. Jamil Gedeon afirmou, porém, não haver elementos suficientes de destruição de provas, pressão sobre testemunhas ou descumprimento de ordens judiciais. Por isso, manteve Joedson Almeida no cargo. O processo continuará no Tribunal de Justiça do Maranhão.

Cerco a KN pode favorecer candidato de Dino e Gilmar ao TRF-1

Dino Gilmar

BRASÍLIA, 25 de setembro de 2026 — Uma disputa que começou há meses nos bastidores do Poder Judiciário ficou mais tensa nesta semana. A ofensiva ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), avançou em diferentes frentes, com ataques na Corte, vazamentos relacionados ao processo do Banco Master e uma operação contra seu aliado Newton Ramos, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O movimento deve produzir efeitos na corrida por uma vaga no TRF-1. Nunes Marques tenta emplacar seu juiz auxiliar Henrique Gouveia. Flávio Dino e Gilmar Mendes apoiam Fausto Mendanha — o ex-deputado Elias Vaz, amigo de Dino, ajudou a levar o nome do magistrado ao ministro, e Mendes aderiu à articulação depois. Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o desgaste de Nunes Marques pode enfraquecer seu candidato e pesar na escolha que cabe ao presidente Lula. Oeste revelou essa disputa velada ainda em julho deste ano. À época, Mendes e Dino já atuavam para conter a influência de Nunes Marques no Judiciário. O caso Master, contudo, acrescentou novas armas a uma guerra que, até então, era fria. GUERRA A cadeira no TRF-1 está aberta desde a aposentadoria do desembargador Novély Vilanova. Em fevereiro, o tribunal enviou ao Planalto uma lista com três candidatos. Mendanha ficou em primeiro lugar, com 31 votos. Itagiba Catta Preta recebeu 27. Gouveia obteve 24. Os três continuam formalmente na disputa. Nos bastidores, porém, interlocutores do governo consideram Catta Preta sem chances de ser escolhido, em virtude de ter suspendido a posse de Lula na Casa Civil, em março de 2016. A batalha política, portanto, ficou concentrada em Mendanha e Gouveia. A disputa não envolve apenas um cargo. O TRF-1 é o maior dos seis tribunais regionais federais do país e tem jurisdição sobre o Distrito Federal e outros 12 Estados. Por estar sediado em Brasília, recebe processos de grande peso político e econômico que envolvem a União, órgãos federais, autarquias e decisões tomadas no centro do poder. Nunes Marques fez carreira no tribunal e preservou influência na Corte depois de chegar ao Supremo. Seus adversários enxergam Gouveia como mais um integrante desse grupo. A escolha, portanto, não define apenas quem ocupará uma cadeira: decide qual ala do STF ampliará seu espaço em um dos tribunais mais estratégicos. Nunes Marques já demonstrou força em indicações anteriores. Em novembro de 2023, conseguiu levar João Carlos Mayer ao TRF-1, enquanto Dino defendia Pablo Zuniga Dourado. Lula escolheu Mayer. Nunes Marques também alçou Carlos Brandão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), apesar da resistência de Dino, enquanto Ramos chegou ao TRF-1 em 2023 também com o apoio de Nunes Marques. Essa sequência explica parte da reação. Uma vitória com Gouveia ampliaria o grupo de magistrados ligados a Nunes Marques justamente no tribunal onde ele construiu sua carreira. Fontes do Planalto afirmam que ministros do STF já levaram a Lula queixas da proximidade de Nunes Marques com o petista, que atendeu às reivindicações dele.

Toffoli rejeita recurso de Brandão para retirar de Dino de inquérito

Toffoli Brandão Dino

BRASÍLIA, 25 de setembro de 2026 — O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta (25) contra o recurso do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB). A defesa quer tirar de Flávio Dino a supervisão de um inquérito da Polícia Federal e levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), por entender que o tribunal é o competente para casos envolvendo governadores. O julgamento do agravo na ADPF 1.351 começou no plenário virtual do STF e segue até 2 de outubro. Relator do caso, Toffoli foi o primeiro a votar. Ele manteve a decisão anterior que rejeitou a ação. A investigação começou com documentos retirados da ADI 7.780 e enviados por Dino à Polícia Federal. A defesa de Brandão afirma que o STJ deve autorizar e acompanhar investigações contra governadores, com base no artigo 105 da Constituição. Além disso, aponta supostas violações ao juiz natural, ao devido processo legal, ao sistema acusatório e ao pacto federativo. Os advogados também citaram manifestação da PGR favorável ao envio do caso ao STJ. Toffoli entendeu, porém, que a ADPF não é o instrumento adequado para questionar uma investigação individual. Segundo o ministro, existem outros caminhos processuais para contestar as decisões. Os demais ministros ainda podem acompanhar o relator ou apresentar posição diferente.

Tribunal aponta mais de 10 licitações ilegais em Godofredo Viana

Godofredo Viana

GODOFREDO VIANA, 25 de setembro de 2026 — O Tribunal de Contas do Maranhão considerou ilegais 11 licitações realizadas em 2021 pela Prefeitura de Godofredo Viana. O processo envolveu o então prefeito Shirley Viana Mota, o Sissi Viana, e Danilo Silva, presidente da Comissão de Licitação na época. A fiscalização apontou problemas na divulgação dos editais no site oficial do município. Além disso, informações exigidas pelo sistema de acompanhamento do TCE foram enviadas fora do prazo. O Tribunal rejeitou as justificativas apresentadas e classificou os 11 pregões como ilegais e antieconômicos. Na primeira decisão, o TCE aplicou multa de R$ 6,6 mil pelo atraso no envio de dados ao SACOP. Também fixou outra penalidade de R$ 5 mil por falhas nas regras de transparência. Depois, porém, a Secretaria do Tribunal encontrou um erro na publicação do acórdão. O documento publicado registrava multa de R$ 2 mil, embora os conselheiros tivessem aprovado R$ 5 mil. Por isso, o Tribunal corrigiu o valor, determinou a republicação da decisão e reabriu o prazo para recurso dos responsáveis, garantindo o direito de defesa. A correção foi aprovada em 5 de agosto de 2026 e publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-MA em 10 de setembro. A primeira decisão teve relatoria de Joaquim Washington Luiz de Oliveira, e a correção ficou com Antônio Blecaute Costa Barbosa.

Assessor de Lula tratou do Master com advogado de Vorcaro

Lula Marcola

BRASÍLIA, 25 de setembro de 2026 — O então chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e Walfrido Warde, advogado de Daniel Vorcaro, trataram da situação do Banco Master em um grupo de WhatsApp chamado “Amigos”. Em conversas analisadas pela Polícia Federal, Warde pediu a Marcola que avisasse Lula de que o Banco Central estava supostamente “embarreirando” as negociações para a venda do Master ao BRB, banco público de Brasília. “Avisarei aqui. Dou notícias”, respondeu o então chefe de gabinete de Lula. As mensagens entre Warde e Marcola foram trocadas em julho de 2025, após Vorcaro relatar ter tido conhecimento de uma reunião em que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, apontou erros contábeis no Master. “Não dá mais. Eles não fazer (a operação). Temos que ir pro embate. Esse cara é um merda”, escreveu o banqueiro a Warde. “Vamos para cima”, respondeu o advogado. “Avise presidente amanhã e vamos pra guerra”, pediu Vorcaro. “Ja fiz isso”, disse o advogado. Em seguida, Warde enviou uma mensagem a um grupo de WhatsApp chamado “Amigos”, do qual participavam Marcola e o advogado Rafael Valim, sócio de Warde. O defensor de Vorcaro afirmou que seria necessário “ir pra cima do Bacen” e pediu diretamente a Marcola que transmitisse o recado a Lula. “@Marco Aurélio Marcola teremos de ir pra cima do Bacen. Peço pra avisar o presidente”. Em seguida, acrescentou: “Não dá mais. O Gabriel (Galípolo, presidente do BC), não tem estofo pro cargo. Avise o chefe por favor”. Quatro minutos depois, o então chefe de gabinete de Lula respondeu: “Vixe. Blz”. Na sequência, Warde reclamou no grupo que Galípolo “pediu para fazer a operação do BRB e está embarreirando”. Marcola respondeu: “Avisarei aqui. Dou notícias”. Procurado, o ex-assessor de Lula afirmou, por meio de sua assessoria, que “nunca intermediou negociações, encaminhou documentos referentes a compras e licitações públicas ou atuou em favor de qualquer interesse privado”. “O caso em questão dizia respeito à ameaça de liquidação de um banco. Nesse contexto, ao ser procurado por interlocutores da instituição, o então chefe de gabinete apenas informou que faria os encaminhamentos institucionais e levaria as informações às instâncias cabíveis”, disse Marcola, em nota. Walfrido Warde não se manifestou. A defesa de Vorcaro também não comentou. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), por sua vez, afirmou que Lula se encontrou uma única vez com Daniel Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024. “Não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro. O presidente não tem conhecimento da suposta articulação” de Warde e “tampouco enviou recado”. “Na ocasião, Vorcaro afirmou sentir-se alvo de perseguições, e o presidente respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central”, pontua, em nota. Procurado, o BC informou que não vai se pronunciar. Confira a matéria completa aqui.

SL Gonzaga tem servidores investigados por acúmulo de cargos

São Luís Gonzaga

SÃO LUÍS GONZAGA DO MARANHÃO, 25 de setembro de 2026 — O Ministério Público do Maranhão abriu um Inquérito Civil para investigar dois servidores de São Luís Gonzaga do Maranhão. A apuração envolve Marilene de Sousa Jerônimo Apoliano e Sílvio Antônio Chagas Apoliano e verifica possível acúmulo irregular de cargos e falhas no cumprimento da jornada de trabalho. A investigação começou após a Notícia de Fato nº 001951-509/2026, aberta em março deste ano. Segundo o MPMA, os fatos ainda precisam de esclarecimentos. Por isso, o órgão decidiu aprofundar a apuração para confirmar os vínculos públicos dos servidores e verificar se eles cumprem os horários exigidos. O MPMA pediu à Secretaria Municipal de Cultura o ato que teria designado ou remanejado Marilene Apoliano para a pasta. Além disso, solicitou as folhas de frequência de 2025 e 2026. À Secretaria de Educação, o órgão requisitou os registros de frequência de Sílvio Apoliano, que atua como motorista. As duas secretarias têm 10 dias úteis para enviar os documentos. O promotor Rodrigo Freire Wiltshire de Carvalho conduz a investigação na Promotoria de Justiça de São Luís Gonzaga do Maranhão. A portaria que abriu o Inquérito Civil foi publicada no Diário Eletrônico do MPMA em 14 de setembro de 2026.

Governo Lula turbinou bets nesta gestão e agora quer proibir

Lula bets

BRASÍLIA, 25 de setembro de 2026 — O governo Lula (PT) deve anunciar a proibição das bets a menos de dez dias do 1° turno das eleições. A medida, apresentada como um combate a um problema social, gerou questionamentos sobre o momento escolhido para a intervenção no setor. Segundo o analista de Política da CNN Caio Junqueira, durante o CNN Prime Time, a decisão carrega um elemento contraditório relevante: foi o próprio governo Lula que criou as regras desse mercado. “A lei que regulamentou as apostas, lá em 2023, foi proposta pelo governo”, afirmou. “A justificativa na época era organizar um setor que já funcionava sem controle, mas o objetivo de arrecadar estava muito claro desde o início”, lembrou o analista. DO INCENTIVO À PROIBIÇÃO Caio Junqueira destacou que o Ministério da Fazenda chegou a tentar ampliar a arrecadação com as bets. “Só no ano passado eles tentaram elevar o imposto das bets de 12% para 18%, e o Congresso Nacional acabou derrubando”, explicou. O analista também lembrou que o impacto social das apostas já era conhecido há tempos: “Em 2024, o Banco Central já mostrava que beneficiários do Bolsa Família tinham enviado R$ 3 bilhões para sites de apostas em um único mês.” Diante desse histórico, Caio Junqueira questionou por que o governo seguiu ampliando a arrecadação com as bets até poucos meses atrás, mesmo ciente dos danos sociais causados. IMPROVISO E TIMING ELEITORAL O analista também apontou sinais de improviso na formulação da medida. “Até essa semana, o Palácio do Planalto discutia proibir só os cassinos online, chamado jogo do Tigrinho, e manter as apostas esportivas normalmente. Poucos dias depois, essa proposta se transformou em proibição total”, relatou. Caio Junqueira ressaltou ainda que a decisão foi anunciada no mesmo dia em que a campanha lançou um slogan associando o adversário às bets, o que reforça as dúvidas sobre as motivações da medida. Para Caio Junqueira, combater o vício em apostas é um consenso. “O que está sendo criticado, principalmente pela oposição, é o método”, ponderou. “Se a pressa é para resolver o problema ou se é justamente para ganhar a eleição.”

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