Justiça cassa chapa do MDB por fraude à cota de gênero

ARARI, 09 de julho de 2026 — A Justiça Eleitoral reconheceu fraude à cota de gênero na chapa proporcional do MDB em Arari nas eleições de 2024. A decisão foi tomada em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) proposta pelo ex-vereador Marcelo Chaves Lopes, conhecido como Marcelo Aracenter. A sentença anulou os votos do partido e poderá mudar a composição da Câmara Municipal. O processo teve como foco a candidatura de Tayane Pires Fernandes. Segundo a decisão, a candidata teria sido registrada apenas para cumprir o percentual mínimo de mulheres exigido pela legislação eleitoral. Então, a Justiça apontou como indícios os dois votos recebidos, a ausência de campanha e a falta de divulgação da candidatura. Além disso, a sentença destaca que Tayane declarou, em depoimento, que aceitou disputar a eleição para ajudar o partido a cumprir a cota de gênero. Com base nesses elementos, a Justiça declarou a candidata inelegível por oito anos e também invalidou o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do MDB. A decisão ainda determina a anulação dos votos recebidos pela legenda na eleição proporcional. Portanto, os vereadores eleitos pelo MDB, entre eles Aurinete Freitas e Jhoseph Martins, poderão perder os mandatos. A redistribuição das vagas só ocorrerá após o encerramento definitivo do processo, caso não haja mais possibilidade de recurso. Até lá, a composição atual da Câmara permanece inalterada.
PF deflagra operação contra publicitário ligado a Vorcaro

BRASÍLIA, 09 de julho de 2026 — A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero. O alvo é uma suposta organização criminosa. Ela teria intimidado jornalistas e atuado para descredibilizar o Banco Central. O principal investigado é o publicitário Thiago Miranda, fundador da agência MiThi. Ele intermediou um investimento de R$ 62 milhões do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no filme “Dark Horse”. A produção conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação cumpre dois mandados de busca e apreensão em Brasília. A autorização partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, há indícios de que Miranda agiu em coautoria com Vorcaro e outros integrantes de uma organização criminosa. O objetivo do grupo, conforme a PF, era proteger a cúpula da suposta organização. Além disso, queria manipular a opinião pública. Também usava dados sigilosos para coagir e intimidar jornalistas, concorrentes e pessoas próximas ao presidente do Banco Central. A investigação aponta que recursos do esquema envolvendo o Banco Master financiaram uma campanha de desinformação. A PF afirma que o grupo contratava influenciadores e jornalistas com compromisso de confidencialidade. Em troca, eles deveriam questionar decisões de instituições públicas para desacreditá-las. Quando as propostas financeiras eram recusadas, o grupo usava informações privilegiadas para intimidar as pessoas. Essa estratégia fazia parte do chamado “Projeto DV”. Thiago Miranda confirmou, em depoimento, que criou o projeto dentro de sua agência. Ele era um plano de reestruturação de imagem e gerenciamento de crise para Vorcaro. A decisão judicial cita mensagens que mostravam monitoramento contra a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. O grupo levantava dados pessoais, profissionais e patrimoniais dela. O objetivo era encontrar informações para constrangê-la ou descredibilizá-la publicamente. O ministro autorizou a apreensão de computadores, celulares, documentos e dinheiro acima de R$ 20 mil. Os crimes apurados incluem organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro e violação de dados.
Câncer deve afetar 92% da população mundial nos próximos anos

MUNDO, 09 de julho de 2026 — A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório recente. Ele afirma que o câncer vai impactar 92% das pessoas no mundo. Esse impacto pode ser direto, com o diagnóstico, ou indireto, por conviver com um doente. A previsão é que uma em cada cinco pessoas receba o diagnóstico da doença até 2050. Atualmente, são 20,6 milhões de novos casos por ano. Esse número deve saltar para 35 milhões em 2050. O aumento é grande. Por isso, a OMS classifica o câncer como uma “crise global em evolução”. A organização destaca que o problema avança devagar, mas não é menos grave. Além disso, o relatório mostra grandes diferenças no tratamento. Em países ricos, a taxa de sobrevivência do câncer de mama em cinco anos é superior a 85%. Em nações pobres, esse índice cai para menos de 30%. Por isso, menos de um terço dos países oferecem tratamento oncológico completo na rede pública. A OMS também fala em prevenção. Ela afirma que investir nessa área traz retorno financeiro. Cada dólar investido gera US$ 9,50 de volta. Por outro lado, a perda de produtividade com a doença vai custar 0,55% do PIB global entre 2020 e 2050. O tabagismo, o álcool, as infecções e a obesidade são os principais fatores de risco. A boa notícia é que hábitos saudáveis poderiam evitar quase 40% dos novos casos. O uso do tabaco, por exemplo, caiu de 29,4% em 2005 para 19,5% em 2024. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, pediu ação urgente. Ele defende uma abordagem focada nas pessoas para prevenir, diagnosticar e tratar o câncer. Apesar dos avanços em exames e terapias, o número maior de sobreviventes vai trazer novos desafios para os governos.
Tribunal aprofunda apuração sobre obra de praça em Campestre

CAMPESTRE, 09 de julho de 2026 — O Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) abriu uma Tomada de Contas Especial para investigar possíveis irregularidades na construção de uma praça em Campestre do Maranhão. A decisão foi tomada após análise de uma representação apresentada por vereadores do município. O objetivo é aprofundar a apuração, identificar responsáveis e verificar se houve prejuízo aos cofres públicos. Os vereadores questionaram a execução do Contrato nº 054/2022, firmado para construir a praça com recursos do Convênio nº 018/2021, da Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano (Secid). Então, os conselheiros concluíram que existem indícios de dano ao erário e determinaram uma investigação mais detalhada sobre o caso. Além disso, o TCE-MA registrou que o prefeito Fernando Oliveira da Silva foi considerado revel no processo. Segundo a decisão, ele não apresentou manifestação dentro do prazo previsto pela legislação. Por isso, o processo seguiu para a nova fase de apuração. Com a Tomada de Contas Especial, o Tribunal vai reunir mais informações para medir um possível prejuízo aos cofres públicos. Portanto, a investigação também buscará identificar os responsáveis e poderá determinar o ressarcimento ao erário caso as irregularidades sejam confirmadas.
Investigação mira recursos do Fundeb em São Domingos do MA

SÃO DOMINGOS DO MARANHÃO, 09 de julho de 2026 — O Ministério Público do Maranhão (MPMA) abriu um inquérito civil para investigar o uso de recursos do Fundeb pela Prefeitura de São Domingos do Maranhão. A apuração começou após uma denúncia apresentada pelo vereador Francijânio Rodrigues, conhecido como Janio do Goió. O objetivo é verificar possíveis irregularidades na aplicação das verbas da educação. Segundo a portaria do promotor de Justiça Rodrigo Ronaldo Martins Rebelo da Silva, a denúncia aponta supostas locações fictícias de imóveis por meio de interpostas pessoas, superfaturamento e fracionamento de despesas em contratos de jardinagem e arborização. Além disso, o MP investiga o possível uso de recursos do Fundeb em despesas incompatíveis com a manutenção e o desenvolvimento do ensino. O Ministério Público informou que a Notícia de Fato reuniu indícios iniciais, mas decidiu aprofundar a investigação. Por isso, determinou vistorias no suposto almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação e no pátio de máquinas do município. As inspeções deverão incluir registros fotográficos para comprovar o funcionamento dos locais. O MP também requisitou documentos ao prefeito Kleber Tratorzão, à Procuradoria-Geral do Município, à Secretaria de Educação e à Secretaria de Finanças. Os pedidos incluem processos administrativos, informações sobre contratos e dados sobre recursos do Fundeb e empresas citadas. Após analisar o material, o órgão decidirá os próximos passos da investigação.
Chiquinho Brazão, do caso Marielle, alvo de nova ação da PF

SÃO LUÍS, 09 de julho de 2026 — A Polícia Federal (PF) realizou uma nova operação contra o ex-deputado Chiquinho Brazão nesta quinta (9). Ele já foi cassado e condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. A ação, chamada de Operação Emendatio, investiga o desvio de verbas de emendas parlamentares. Cerca de 60 agentes da PF cumpriram dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão. Todos os alvos estavam na cidade do Rio de Janeiro. Entre os presos estão Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor do irmão de Chiquinho, Domingos Brazão, e Robson Calixto Fonseca. Domingos e Robson também foram condenados no caso Marielle. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essa corte investiga crimes cometidos por autoridades com foro especial, como deputados federais. Por isso, o STF continua com o processo mesmo depois que Chiquinho perdeu o cargo. Ele foi cassado pela Câmara dos Deputados em abril de 2025. Além das prisões e buscas, o STF autorizou o bloqueio de bens no valor de R$ 100 milhões. De acordo com a investigação, recursos de emendas federais eram enviados a organizações da sociedade civil (OSCs) no Rio de Janeiro. Essas entidades mantinham contratos com órgãos da administração pública federal. Parte do dinheiro, então, era desviada por meio de pagamentos irregulares. Os investigadores descobriram que os suspeitos usavam empresas de fachada e laranjas. Essa prática serve para esconder os verdadeiros donos do negócio e os beneficiários do dinheiro público.
Dino devolve caso de desvio dos respiradores de Rui Costa

BRASÍLIA, 09 de julho de 2026 — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, devolveu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o inquérito que apura supostos desvios na compra de respiradores durante a gestão de Rui Costa no Governo da Bahia. A decisão considera que os indícios reunidos até agora tratam de fatos ocorridos em 2020, quando ele era governador do estado. Segundo Dino, não há elementos que apontem continuidade dos supostos crimes durante o período em que Rui Costa ocupou o cargo de ministro da Casa Civil. O ministro concluiu que o caso deve permanecer no STJ. Ele também afirmou que o processo poderá voltar ao STF caso surjam provas relacionadas ao exercício do cargo de ministro. A investigação apura um contrato de R$ 48 milhões para compra de respiradores no início da pandemia da covid-19. Conforme o inquérito, a empresa contratada recebeu pagamento antecipado, mas não entregou os equipamentos. Além disso, o dinheiro ainda não foi recuperado pelas autoridades. A defesa de Rui Costa nega irregularidades e afirma que o próprio ex-governador determinou a abertura das investigações para tentar recuperar os recursos. O inquérito também cita a delação da dona da empresa Hempcare e informações de que parte do dinheiro passou por fundos administrados pela Reag. Enquanto isso, o STJ continuará conduzindo as investigações.
Juíza vê tentativa de esconder dados da Americanas

RIO DE JANEIRO, 09 de julho de 2026 — A juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, encontrou indícios de conluio entre os bancos Itaú e Santander para ocultar informações financeiras da varejista Americanas, conforme decisão que autorizou buscas contra executivos das instituições. A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure em 25 de junho, visando coletar provas sobre manipulações contábeis que mascararam a insolvência da empresa. A juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, identificou indícios de que os bancos Itaú e Santander atuaram em conjunto para ocultar informações financeiras da varejista Americanas. Os detalhes constam na decisão judicial que autorizou os mandados de busca e apreensão contra os executivos das instituições de crédito, conforme revelou o portal UOL. A determinação da magistrada embasou as ações da Polícia Federal (PF) durante a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada em 25 de junho, com o objetivo de colher provas sobre o funcionamento do esquema criminoso. De acordo com as investigações, funcionários do alto-comando de ambas das instituições financeiras agiram de forma coordenada para emitir cartas de auditoria sem o registro de dívidas reais da empresa. As mensagens de texto compartilhadas entre os diretores dois dois bancos fundamentaram a suspeita de cooperação mútua na fraude de balanços. A juíza Giovana Calmon destacou que o aval de uma das companhias funcionava como fator decisivo para que a outra também seguisse as orientações da varejista. O relatório policial sinaliza que essa colaboração fraudulenta foi indispensável para viabilizar as manipulações contábeis e ocultar o rombo financeiro do mercado por anos. O papel do segmento bancário no caso é investigado pelas autoridades federais há bastante tempo devido ao volume dos recursos envolvidos. Em agosto de 2024, reportagens do UOL mostraram que as empresas chegaram a enviar relatórios completos com os débitos reais por engano. Ao notar o deslize, os envolvidos mandaram mensagens corrigidas para a empresa de auditoria, retirando os dados sobre os compromissos.