
BRASÍLIA, 31 de julho de 2026 — A Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 completou dois meses parada no Senado. A Câmara aprovou o texto em 27 de maio, mas a Mesa Diretora ainda não enviou a proposta para nenhuma comissão. Também não definiu quem será o relator da matéria.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, condiciona a votação a uma conversa com o presidente Lula. Interlocutores do senador dizem que ele só pauta a PEC depois desse encontro.
Porém, a relação entre os dois está tensa desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo, em abril. Eles não se falam desde então. Alcolumbre quer que Lula tome a iniciativa do convite.
O governo federal já admite que a votação pode ficar para depois das eleições de outubro. O esvaziamento do Congresso por causa das campanhas e a falta de diálogo entre Lula e Alcolumbre são os principais obstáculos.
Aliados do presidente avaliam que o adiamento pode até ajudar Lula na campanha. A ideia seria reforçar o discurso de que o governo fez sua parte, mas o Congresso travou a pauta.
Em junho, Alcolumbre disse a líderes partidários que marcaria uma reunião sobre a PEC, mas o encontro não aconteceu. Ele também cancelou duas reuniões com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Otto Alencar, para definir o relator e o calendário.
A PEC reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem cortar salário, e garante dois dias de descanso. O texto substitui a escala 6×1 pelo modelo 5×2. Para ser aprovada, a proposta precisa de 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no plenário.
Mais de 15 senadores já pediram a relatoria, mas Alcolumbre ainda não escolheu ninguém. O senador Rodrigo Pacheco chegou a ser cotado, mas recusou o convite. A votação deve ficar para agosto, depois do recesso.
Nessa época, a campanha eleitoral já estará em andamento.







