PF diz que Vorcaro entregava envelopes com projetos a Ciro

BRASÍLIA, 17 de junho de 2026 — A PF afirmou em relatório de inquérito preliminar que mensagens e documentos apreendidos na investigação sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam para uma atuação conjunta com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em projetos de lei de interesse do banqueiro, em uma relação marcada pela “convergência de interesses ilícitos” e pelo benefício mútuo. Segundo o relatório da PF, conversas de novembro de 2023 mostram que Vorcaro determinou a retirada de envelopes na residência do senador que, supostamente, continham minutas de projetos legislativos. Os documentos teriam sido levados a um escritório indicado pelo banqueiro para revisão e, posteriormente, entregues a um assessor lotado no gabinete de Ciro no Senado. Para os investigadores, a dinâmica revela uma atuação “pouco usual” no processo legislativo. De acordo com a PF, projetos de lei de interesse de um particular eram retirados da casa de um senador, encaminhados para análise fora do Congresso e depois devolvidos ao gabinete parlamentar por intermédio de terceiros. O relatório também destaca que Vorcaro teria adotado cuidados para evitar a associação direta dos documentos ao senador ou ao Banco Master. Entre as precauções apontadas está a orientação para que o motorista responsável pela entrega não vinculasse o transporte do material ao parlamentar e para que os envelopes não fizessem referência à instituição financeira. Alguns dos projetos mencionados pela investigação são o que criou o Paten (Programa de Aceleração da Transição Energética), de autoria do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), e o que instituiu o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa), apresentado pelo senador Chiquinho Feitosa. A PF também sustenta que as mensagens revelam elevado grau de proximidade entre Vorcaro e Ciro Nogueira. Os investigadores citam conversas com expressões como “saudades”, “como você está, meu amigo?” e “quero lhe ver”, além de registros de encontros frequentes, viagens internacionais e reuniões em ambientes privados. Em um dos trechos destacados pela corporação, Vorcaro descreve Ciro Nogueira à então namorada como “um dos meus grandes amigos de vida”. Para a Polícia Federal, porém, a amizade não se limitava ao plano pessoal. O relatório afirma que o vínculo teria caráter “funcional e instrumental”, estruturado em torno de interesses comuns.
INSS retoma elo com entidade ligada ao PT investigada pela PF

BRASIL, 03 de junho de 2026 — O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) restabeleceu um acordo de colaboração técnica com a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), entidade historicamente associada ao PT, alvo da Polícia Federal na investigação sobre os descontos associativos ilegais e aposentadorias e pensões. Em 16 de abril, o INSS suspendeu o acordo com a entidade de forma unilateral após. O despacho, assinado pela presidente do instituto, Ana Cristina Viana Silveira, em 1º de junho de 2026, determina a retomada do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) nº 2/2022 que permite à entidade atuar em serviços e operações junto aos beneficiários da Previdência Social. O despacho foi publicado no Diário Oficial da União (DOU). A decisão favorável à entidade baseou-se em um parecer da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS. Com isso, o acordo original, publicado em novembro de 2022, volta a ter vigência plena. A Contag recebeu cerca de R$ 3,6 bilhões da Previdência Social em dez anos. Em outubro de 2025, o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, admitiu ter autorizado pessoalmente a inclusão em lote de associados da Contag em descontos nas aposentadorias. “A única inclusão em lote que eu autorizei foi a da Contag. Essa decisão foi o que deu ensejo à investigação”, declarou Stefanutto, em depoimento à CPMI do INSS. Uma auditoria do próprio INSS constatou que em 1º de novembro de 2023, o órgão desbloqueou, de uma vez só, descontos em 34.487 benefícios. A Contag sempre negou irregularidades, alegando que os descontos são autorizados e que sua atuação é legítima na defesa das pautas do campo e da agricultura familiar.Cúpula da CPMI do INSS reage: “Quantos bilhões serão desviados desta vez?” O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que já representou junto ao Ministério Público Federal (MPF) contra a reativação do acordo. Em suas redes sociais, o parlamentar classificou a decisão como “inadmissível”, citando as investigações da Polícia Federal e as revelações da CPMI do INSS sobre o desvio de dinheiro de “trabalhadores humildes”. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Contag “se merecem” e classificou a retomada do acordo como um “escândalo”. “Quantos bilhões serão desviados desta vez?”, questionou Gaspar. Ao Metrópoles, o INSS disse a rescisão ocorreu com base na Lei nº 13.019/2014, que impediria parcerias com entidades que tivessem membros de Poder ou dirigentes públicos em seus quadros de direção. Segundo a autarquia, a Advocacia-Geral da União (AGU) entende que a proibição só é aplicável quando o acordo envolve transferência de dinheiro, doação de bens ou compartilhamento de patrimônio público. Como o acordo firmado com a Contag não prevê nenhum desses repasses, o INSS concluiu pela “plena legalidade do instrumento” e reativou o ACT. Continue lendo…
Daniel Vorcaro apresenta nova delação à PF e à PGR

BRASÍLIA, 03 de junho de 2026 — O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou uma nova delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República na última segunda (1º), com informações extras no dia seguinte. Ele reformulou os anexos do acordo e aceitou devolver R$ 60 bilhões para tentar fechar a colaboração. A PF tinha rejeitado a primeira proposta no mês passado. Os investigadores disseram que o material trazia poucos avanços. Além disso, Vorcaro tentava proteger aliados. Por isso, a PGR manteve as conversas com uma condição: o banqueiro precisava aumentar o valor do ressarcimento e detalhar a conduta de autoridades. Na nova versão, Vorcaro elevou a proposta de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões. Ele entregou os primeiros anexos em um arquivo eletrônico. Uma reunião estava marcada para esta quarta (3), mas foi cancelada. Os investigadores pediram mais tempo para analisar o conteúdo. As investigações ganharam força com a apreensão de mais de oito celulares do executivo. A perícia inicial revelou fraudes bancárias, corrupção e uma milícia privada. O grupo perseguia concorrentes e roubava informações sigilosas.
PF aponta participação ativa do BRB em fraudes de R$ 12 bi

BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — A Polícia Federal concluiu que o Banco de Brasília (BRB) participou diretamente de fraudes de R$ 12 bilhões envolvendo o Banco Master. A informação consta de um relatório sigiloso enviado ao ministro André Mendonça, do STF, em abril. Segundo a PF, o BRB comprou carteiras falsas e não é vítima da atuação do banqueiro Daniel Vorcaro. O documento justifica o pedido de prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A acusação diz que ele aceitou propina de R$ 146 milhões em imóveis. As provas demonstram que o BRB sabia das suspeitas de fraudes desde o segundo semestre de 2024. Mesmo assim, o banco público optou por continuar as operações. Uma auditoria interna do BRB detectou que o Master montou carteiras com e-mails falsos e idades fictícias. A PF obteve esse relatório após apreender documentos na Operação Compliance Zero. A gestão de Costa nunca havia compartilhado a investigação com a polícia. O ex-diretor jurídico Jaques Maurício Ferreira Veloso afirmou que, a partir de março de 2025, recomendou submeter as compras ao Conselho de Administração do BRB. O banco público fizera uma oferta para comprar uma fatia do Master naquele mês, mas omitia as operações do conselho. Veloso admitiu que a diretoria colegiada centralizava decisões e recebia a documentação apenas no dia da votação. A PF localizou diálogos sobre pressão para assinaturas de contratos em intervalos de minutos. Em um caso, a equipe do BRB assinou três contratos sucessivos em poucos minutos, sem tempo para análise técnica. A polícia classificou a situação como incompatível com processos prudenciais. Celulares de Vorcaro revelaram que o Master dependia dos aportes do BRB para obter liquidez desde meados de 2024. Anotações da ex-diretora de Riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, confirmam que Costa recebeu alertas em reuniões. Em 11 de julho de 2025, ela registrou que Costa sugeriu “salvar” o Master, dizendo que, se não houvesse as compras, o banco iria quebrar.
PF desmonta mais um esquema de fraude ao INSS no Maranhão

MARANHÃO, 26 de maio de 2026 — A Polícia Federal (PF), em parceria com a Coordenação de Inteligência Previdenciária (Coinp), deflagrou nesta terça (26) a Operação Paredão para desarticular um esquema de fraude contra o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) no Maranhão, com ações em São Luís e Vitorino Freire. Foram cumpridos sete mandados judiciais, sendo um de prisão preventiva e seis de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí, no âmbito da Operação Paredão da PF. A Justiça determinou o sequestro de bens e valores superiores a R$ 1 milhão e a suspensão de benefícios ligados ao esquema investigado pela Operação Paredão. Segundo a PF, o grupo inseria documentos falsos, alterava dados cadastrais e modificava locais de pagamento para viabilizar a concessão e manutenção indevida de benefícios do INSS. Durante as investigações da Operação Paredão, com apoio do Banco do Brasil, foram identificados benefícios com indícios de fraude que eram sacados por integrantes do grupo criminoso. Os investigados poderão responder por associação criminosa, estelionato majorado, falsidade ideológica e uso de documento falso.
PF investiga cerca de R$ 3 bilhões do Rio aplicados no Master

RIO DE JANEIRO, 26 de maio de 2026 — O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL-RJ) é um dos alvos da oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta terça (26) pela Polícia Federal que investiga aportes no Rioprevidência. Ao todo, a PF cumpre 10 mandados na data de hoje. A PF apura o aporte de R$ 3 bilhões do instituto no banco de Daniel Vorcaro. De acordo com a nota da Polícia Federal, “a investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024”. Veja a íntegra do comunicado da PF: “Na manhã desta terça-feira, 26/5, a Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Compliance Zero para apurar a possível prática de crimes financeiros no âmbito do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro – Rioprevidência. Na ação de hoje, policiais federais cumprem 10 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no Rio de Janeiro/RJ e em Brasília/DF. A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024. Nesta fase, apura-se aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência”.
Mensagens indicam pressão de ex-BRB sobre compras do Master

BRASÍLIA, 26 de maio de 2026 — O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa ordenou ao então diretor financeiro da instituição, Dário Oswaldo Garcia Júnior, a aceleração de compras de carteiras do Banco Master. As mensagens de WhatsApp foram extraídas pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Compliance Zero. O portal UOL divulgou os diálogos no período recente. As conversas ocorreram entre 19 de novembro de 2024 e 8 de janeiro de 2025. O BRB ampliou a compra de carteiras de crédito consignado do Master nesse intervalo. A PF afirma que pelo menos R$ 12,2 bilhões das carteiras adquiridas eram fraudulentas. Esses ativos continham créditos inexistentes, segundo a investigação. O Banco Master enfrentava crise de liquidez e não tinha recursos para pagar investidores. Paulo Henrique é suspeito de receber propina para aprovar pagamentos ao Master no BRB. As primeiras mensagens sobre a compra de créditos já indicavam ausência de análise prévia das carteiras. Em 26 de novembro, após um pagamento de R$ 181 milhões ao Master, Paulo Henrique perguntou sobre a origem da carteira. Garcia respondeu que, segundo o Master, era “outra carteira” e que “a do fundo tá enrolada”. O então presidente do BRB escreveu que não entendia quando diziam não haver carteira e surgia uma nova. Garcia respondeu: “Nem eu”. As mensagens também mostram tentativas de compensar os impactos das carteiras problemáticas no balanço do BRB. O banco vendia créditos inadimplentes para registrar lucro contábil. Em 23 de dezembro de 2024, Paulo Henrique reclamou do tamanho de uma carteira considerada pequena. Ele ordenou o aumento do prejuízo para ampliar o resultado da cessão. A PF afirma que ele queria reclassificar mais créditos como prejuízo para inflar artificialmente o resultado das vendas. Em outra mensagem, Paulo Henrique afirmou ter negociado um preço de 75% devido ao pequeno prejuízo. Garcia respondeu com entusiasmo à negociação. O então presidente completou que era preciso trabalhar. No mesmo dia, Paulo Henrique enviou uma lista com cinco operações. Três envolviam compras de carteiras do Credcesta, ligado ao Master. Duas tratavam da venda de créditos inadimplentes do BRB. As operações superavam R$ 1 bilhão. Ele propôs resolver dois itens no mesmo dia e os demais dois dias depois. Em seguida, cobrou foco nas cessões. Paulo Henrique também pressionou pelo pagamento imediato de R$ 408 milhões ao Master. Quando Garcia afirmou que precisaria de nova aprovação, ele ordenou a liquidação ainda pela manhã. As conversas revelam que Paulo Henrique conhecia problemas nas carteiras do Master. Mesmo assim, ele autorizava pagamentos antes da transferência dos ativos. Essa prática foge do padrão de mercado. Em 9 de dezembro, ele relatou que o Master enfrentava dificuldades de caixa. O Master queria receber recursos antes de transferir a carteira. Garcia demonstrou preocupação com a proposta de pagamento antecipado. Dois dias depois, Garcia relatou nova proposta do Master para liquidar o financeiro pela manhã e transferir a carteira no final do dia. Paulo Henrique autorizou o aumento do limite da operação. Em 12 de dezembro, Garcia informou o envio de R$ 130 milhões ao Master para aplicação na B3. O dinheiro foi transferido antes do registro da carteira. Em 18 de dezembro, Garcia alertou sobre inconsistências em uma carteira recebida. Ele disse que o Master estava “dando volta” nos valores. Mesmo depois do alerta, Paulo Henrique manteve as compras. Em 8 de janeiro de 2025, ele retomou negociações para novas aquisições de carteiras. O Master pediu a recompra de uma carteira adquirida em dezembro e ofereceu outra em troca. O executivo planejava a compra imediata de R$ 250 milhões.
PF investiga fraude em benefícios do INSS em São Luís

SÃO LUÍS, 22 de maio de 2026 — A Polícia Federal (PF) realizou, nesta sexta (22), a Operação A Viagem para investigar um suposto esquema de fraudes envolvendo a reativação e o desbloqueio irregular de benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação teve como alvo uma mulher residente em São Luís, suspeita de integrar a organização investigada. Segundo a Polícia Federal, o grupo seria especializado em reativar benefícios suspensos por decisões administrativas ou judiciais. As investigações apontam ainda para a possível participação de servidores públicos do INSS nas irregularidades apuradas. De acordo com as apurações, a investigada teria viajado de São Luís para Belém, no Pará, para tentar convencer uma servidora do INSS a participar do esquema. Conforme a Polícia Federal, a suspeita teria oferecido vantagens financeiras em troca de desbloqueios e reativações indevidas de benefícios previdenciários. Ainda segundo a investigação, após a tentativa presencial não ter resultado positivo, as abordagens continuaram por meio de plataformas digitais e aplicativos de mensagens. A PF apura a extensão das irregularidades e a possível participação de outros envolvidos. Em São Luís, foram apreendidos três aparelhos celulares, que passarão por perícia técnica para auxiliar no aprofundamento das investigações.