
BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — A Polícia Federal concluiu que o Banco de Brasília (BRB) participou diretamente de fraudes de R$ 12 bilhões envolvendo o Banco Master. A informação consta de um relatório sigiloso enviado ao ministro André Mendonça, do STF, em abril. Segundo a PF, o BRB comprou carteiras falsas e não é vítima da atuação do banqueiro Daniel Vorcaro.
O documento justifica o pedido de prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A acusação diz que ele aceitou propina de R$ 146 milhões em imóveis. As provas demonstram que o BRB sabia das suspeitas de fraudes desde o segundo semestre de 2024. Mesmo assim, o banco público optou por continuar as operações.
Uma auditoria interna do BRB detectou que o Master montou carteiras com e-mails falsos e idades fictícias. A PF obteve esse relatório após apreender documentos na Operação Compliance Zero. A gestão de Costa nunca havia compartilhado a investigação com a polícia.
O ex-diretor jurídico Jaques Maurício Ferreira Veloso afirmou que, a partir de março de 2025, recomendou submeter as compras ao Conselho de Administração do BRB.
O banco público fizera uma oferta para comprar uma fatia do Master naquele mês, mas omitia as operações do conselho. Veloso admitiu que a diretoria colegiada centralizava decisões e recebia a documentação apenas no dia da votação.
A PF localizou diálogos sobre pressão para assinaturas de contratos em intervalos de minutos. Em um caso, a equipe do BRB assinou três contratos sucessivos em poucos minutos, sem tempo para análise técnica. A polícia classificou a situação como incompatível com processos prudenciais.
Celulares de Vorcaro revelaram que o Master dependia dos aportes do BRB para obter liquidez desde meados de 2024. Anotações da ex-diretora de Riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, confirmam que Costa recebeu alertas em reuniões.
Em 11 de julho de 2025, ela registrou que Costa sugeriu “salvar” o Master, dizendo que, se não houvesse as compras, o banco iria quebrar.







