
BRASÍLIA, 26 de maio de 2026 — O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa ordenou ao então diretor financeiro da instituição, Dário Oswaldo Garcia Júnior, a aceleração de compras de carteiras do Banco Master.
As mensagens de WhatsApp foram extraídas pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Compliance Zero. O portal UOL divulgou os diálogos no período recente.
As conversas ocorreram entre 19 de novembro de 2024 e 8 de janeiro de 2025. O BRB ampliou a compra de carteiras de crédito consignado do Master nesse intervalo. A PF afirma que pelo menos R$ 12,2 bilhões das carteiras adquiridas eram fraudulentas. Esses ativos continham créditos inexistentes, segundo a investigação.
O Banco Master enfrentava crise de liquidez e não tinha recursos para pagar investidores. Paulo Henrique é suspeito de receber propina para aprovar pagamentos ao Master no BRB. As primeiras mensagens sobre a compra de créditos já indicavam ausência de análise prévia das carteiras.
Em 26 de novembro, após um pagamento de R$ 181 milhões ao Master, Paulo Henrique perguntou sobre a origem da carteira. Garcia respondeu que, segundo o Master, era “outra carteira” e que “a do fundo tá enrolada”. O então presidente do BRB escreveu que não entendia quando diziam não haver carteira e surgia uma nova. Garcia respondeu: “Nem eu”.
As mensagens também mostram tentativas de compensar os impactos das carteiras problemáticas no balanço do BRB. O banco vendia créditos inadimplentes para registrar lucro contábil. Em 23 de dezembro de 2024, Paulo Henrique reclamou do tamanho de uma carteira considerada pequena.
Ele ordenou o aumento do prejuízo para ampliar o resultado da cessão. A PF afirma que ele queria reclassificar mais créditos como prejuízo para inflar artificialmente o resultado das vendas. Em outra mensagem, Paulo Henrique afirmou ter negociado um preço de 75% devido ao pequeno prejuízo.
Garcia respondeu com entusiasmo à negociação. O então presidente completou que era preciso trabalhar. No mesmo dia, Paulo Henrique enviou uma lista com cinco operações. Três envolviam compras de carteiras do Credcesta, ligado ao Master. Duas tratavam da venda de créditos inadimplentes do BRB.
As operações superavam R$ 1 bilhão. Ele propôs resolver dois itens no mesmo dia e os demais dois dias depois. Em seguida, cobrou foco nas cessões. Paulo Henrique também pressionou pelo pagamento imediato de R$ 408 milhões ao Master. Quando Garcia afirmou que precisaria de nova aprovação, ele ordenou a liquidação ainda pela manhã.
As conversas revelam que Paulo Henrique conhecia problemas nas carteiras do Master. Mesmo assim, ele autorizava pagamentos antes da transferência dos ativos. Essa prática foge do padrão de mercado. Em 9 de dezembro, ele relatou que o Master enfrentava dificuldades de caixa.
O Master queria receber recursos antes de transferir a carteira. Garcia demonstrou preocupação com a proposta de pagamento antecipado. Dois dias depois, Garcia relatou nova proposta do Master para liquidar o financeiro pela manhã e transferir a carteira no final do dia. Paulo Henrique autorizou o aumento do limite da operação.
Em 12 de dezembro, Garcia informou o envio de R$ 130 milhões ao Master para aplicação na B3. O dinheiro foi transferido antes do registro da carteira. Em 18 de dezembro, Garcia alertou sobre inconsistências em uma carteira recebida. Ele disse que o Master estava “dando volta” nos valores.
Mesmo depois do alerta, Paulo Henrique manteve as compras. Em 8 de janeiro de 2025, ele retomou negociações para novas aquisições de carteiras. O Master pediu a recompra de uma carteira adquirida em dezembro e ofereceu outra em troca.
O executivo planejava a compra imediata de R$ 250 milhões.







