
BRASÍLIA, 24 de abril de 2026 — Pagamentos realizados pelo Banco Master chamaram atenção ao totalizar R$ 126,6 milhões para a Midias Promotora Ltda, empresa situada no centro do Rio de Janeiro.
O valor, registrado como remuneração por serviços, é levemente inferior ao do contrato firmado entre o Master e o escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de R$ 129 milhões.
De fato, porém, o banco falido teria pagado R$ 80 milhões, até novembro de 2025, quando foi liquidado.
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O administrador da Midias, Gilson Bahia Vasconcelos, recebeu auxílio emergencial do governo durante a pandemia. No mesmo ano, abriu a empresa, cujo capital social é de R$ 1 milhão. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.
Apesar do montante milionário recebido, Vasconcelos declarou endereço residencial em um sobrado simples em Realengo, zona oeste do Rio. Ele não tem imóveis registrados em seu nome no Estado.
ACUSAÇÕES E INVESTIGAÇÕES CONTRA GILSON VASCONCELOS
Vasconcelos responde a processo por estelionato, acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de liderar um suposto esquema de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS.
Conforme a denúncia, a organização acessava dados das vítimas com o programa Vanguard. Por meio de ligações, oferecia cartões de desconto e exigia encontros presenciais para capturar imagens usadas em contratos de empréstimos consignados.
O dinheiro dos empréstimos era desviado, e o grupo, composto de dezenas de funcionários, era premiado com bonificações e serviços de beleza para atrair mais vítimas, segundo o Ministério Público.
O advogado de Vasconcelos afirma que ele nega envolvimento na empresa do caso de estelionato relacionado ao call center e que a acusação se refere a outra firma, não à Midias Promotora LTDA.
PAGAMENTOS E MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS DO MASTER
A assessoria do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, responsável pelo Banco Master, não esclareceu à imprensa quais serviços justificaram o pagamento de R$ 126 milhões à Midias. Também não se posicionnou sobre eventuais restrições identificadas pelo compliance do banco nem sobre a regularidade dos pagamentos.
Em 2024, a Midias recebeu R$ 96 milhões do Master, maior parcela dos repasses. Nesse período, Bahia Vasconcelos ficou quase um mês preso preventivamente, acusado de integrar organização criminosa dedicada a fraudes contra idosos.
Além desse processo, ele é citado em outras duas ações judiciais movidas por vítimas de golpes com empréstimos consignados.







