
BRASÍLIA, 23 de abril de 2026 — O Banco Master declarou à Receita Federal R$ 109 milhões em pagamentos a empresas ligadas ao advogado Daniel Monteiro. Os repasses ocorreram entre 2022 e 2025.
Monteiro foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de atuar na administração de fundos. A investigação aponta que ele teria participado de esquema para desviar recursos da instituição e viabilizar o pagamento de propinas.
O escritório Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht recebeu R$ 79 milhões no período analisado. A Mytra Consultoria, por sua vez, recebeu R$ 30 milhões. Desse total, R$ 7 milhões foram declarados em 2024 e R$ 22 milhões em 2025.
A Mytra tem capital social de R$ 263 mil e sede em Barueri (SP). A empresa compartilha telefone e e-mail com o escritório de Monteiro. Além disso, não possui presença digital identificável.
ESQUEMA E INVESTIGAÇÃO
A Polícia Federal identificou que Monteiro operava por meio de companhias intermediárias. O objetivo, segundo os investigadores, era dificultar o rastreamento do dinheiro.
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele afirmou que as empresas eram originalmente “de prateleira”. Elas passaram por alterações rápidas de estrutura. Em seguida, tornaram-se veículos para recebimento de recursos de fundos conectados à Reag.
IMÓVEIS E DEFESA
Seis empresas foram usadas para intermediar pagamentos relacionados a seis imóveis. Os imóveis, avaliados em R$ 146 milhões, foram prometidos por Daniel Vorcaro ao ex-presidente do BRB. Todas as companhias tinham endereço vinculado ao escritório de Monteiro.
A defesa do advogado afirmou que “repudia veementemente” a tese de que ele atuava como operador financeiro. Ela sustenta que todos os serviços prestados foram lícitos e devidamente declarados.
A defesa de Vorcaro não se manifestou.







