Bolsa Família falha em monitorar vacinação e escola de crianças

BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — O Tribunal de Contas da União (TCU) informou que o Bolsa Família deixou milhões de crianças sem acompanhamento de vacinação nem frequência escolar. Relatado pelo ministro Walton Alencar Rodrigues, o processo identificou “falhas graves” na fiscalização dos beneficiários e revelou que parte das famílias simplesmente desaparece do radar do governo. O relatório analisou se os beneficiários cumprem as exigências básicas do programa, como manter crianças vacinadas e frequentando a escola. Conforme o TCU, os problemas comprometem “a própria razão de ser do programa”. De acordo com os auditores, quase 7,5 milhões de crianças, o equivalente a cerca de 40% do público-alvo, ficaram sem acompanhamento de saúde no segundo semestre de 2024. Isso inclui vacinas e dados de crescimento. Na educação, pouco mais de 6 milhões de crianças e adolescentes não tiveram a frequência escolar monitorada. “A aparente normalidade oculta realidades locais gravíssimas”, diz o documento do TCU. “Milhões de crianças e adolescentes não são localizados pelos sistemas de acompanhamento.” BOLSA FAMÍLIA TEM BENEFICIÁRIOS OCULTOS A auditoria também apontou elevado número de beneficiários “não localizados”. Na educação, quase 15% dos cadastrados, ou 5,2 milhões de pessoas, aparecem nessa condição. Já na saúde, 35,8% das crianças e 11,1% das mulheres não são acompanhadas. Segundo o relatório, famílias que mudam de endereço e deixam de atualizar os dados no Cadastro Único acabam saindo do radar do sistema sem sofrer consequências imediatas. “Criou-se um incentivo perverso: a família que se muda e não atualiza seus dados desaparece do radar do programa sem repercussão alguma”, registrou a auditoria. Para o TCU, famílias localizadas que descumprem as regras podem sofrer punições progressivas, enquanto beneficiários não localizados acabam fora do alcance do sistema de fiscalização
Polícia Federal apura fraudes em financiamento rural no MA

TURILÂNDIA, 28 de maio de 2026 — A Polícia Federal realizou, nesta quinta (28), a Operação Agroghost, em investigação de um suposto esquema de fraudes em financiamento rural envolvendo contratos de crédito rural ligados a uma propriedade em Turilândia, no Maranhão, após a Caixa Econômica Federal identificar inconsistências em operação de financiamento rural. As apurações tiveram início após a Caixa Econômica Federal identificar indícios de inconsistências em uma operação de financiamento rural, o que levou a Polícia Federal a aprofundar as investigações. Durante a Operação Agroghost, os agentes cumprem seis mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de Goiás e Rio de Janeiro. Além das diligências, a Justiça autorizou bloqueio de ativos financeiros, apreensão de veículos e indisponibilidade de imóveis relacionados ao esquema de financiamento rural. Os valores podem chegar a até R$ 9,6 milhões por investigado, conforme estimativa de prejuízo apurada na investigação. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que os recursos obtidos por meio das operações de crédito rural teriam sido distribuídos entre pessoas físicas e empresas ligadas ao grupo investigado pela investigação da PF. Os investigados podem responder por estelionato qualificado, falsificação de documentos, falsidade ideológica, uso de documento falso, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Encontro feminino reforça plano de governo de Orleans Brandão

SÃO LUÍS, 28 de maio de 2026 — O segundo “Encontro Mulheres com Orleans Brandão”, liderado pela médica, militante política e social Clay Lago, viúva do ex-governador Jackson Lago, reuniu, na noite da última terça (26), lideranças de diferentes segmentos sociais. O grupo apoia a pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado e discute ideias e propostas para a construção do plano de governo do emedebista. No encontro, ao declarar apoio à pré-candidatura de Orleans Brandão, Clay Lago destacou o diálogo e a postura municipalista do grupo político liderado pelo governador Carlos Brandão. Ela também mencionou o legado do ex-governador Jackson Lago e sua identificação com a pauta do municipalismo. “É um momento muito importante, porque um projeto de governo não surge de uma hora para outra e sem diálogo. O que foi essencial para eu apoiar a pré-candidatura de Orleans foi avaliar a postura municipalista do atual governo. Eu e o governador Jackson Lago sempre fomos grandes defensores do municipalismo e pautamos todo o nosso trabalho dialogando com as pessoas, assim como faz o governo Brandão. E eu estou aqui para colaborar, juntamente com todas essas mulheres, com a certeza de que Orleans fará um governo nesse mesmo estilo municipalista, que nós estamos habituados a fazer e ajudamos a construir durante toda a nossa vida pública”, ressaltou Clay Lago. A presidente estadual do Movimento de Mulheres do PDT, também representando o Médio Mearim no evento, Kariadina Maia, destacou a participação de diferentes segmentos femininos no debate de propostas e políticas públicas. “Nesta reunião, temos mulheres de sindicatos, mulheres de diversas comunidades, que atuam em várias áreas e lutam juntas para que possamos ter mais políticas públicas que fortaleçam o nosso trabalho no dia a dia e ampliem a nossa participação. Estar aqui hoje, participando deste momento coletivo de apoio à pré-candidatura de Orleans Brandão, representa muito para nós mulheres, porque não é qualquer homem que recebe esse apoio feminino. Mas nós acreditamos que ele está preparado para fortalecer todas as políticas de gênero que o Maranhão já conquistou e garantir ainda mais avanços. A partir deste momento, teremos outras grandes oportunidades para apresentar nossas contribuições ao seu plano de governo”, acrescentou.
STF gasta R$ 42 milhões com pagamento de pensões em 12 meses

BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — O Supremo Tribunal Federal (STF) gastou cerca de R$ 42,5 milhões com o pagamento de pensões. Os valores são destinados especialmente a viúvas e filhas solteiras de ex-ministros e ex-servidores da Corte. Os dados constam no Relatório de Gestão Fiscal do primeiro quadrimestre do exercício de 2026, divulgado pela gestão do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Segundo o relatório, de maio de 2025 a abril de 2026, a Corte gastou, em média, R$ 3,5 milhões com o pagamento de pensões. O somatório do período chega a R$ 42,5 milhões. O maior montante mensal pago ocorreu no mês de janeiro deste ano, quando o STF desembolsou quase R$ 5 milhões com os benefícios. Os pagamentos de pensões destinados a viúvas e filhas de cerca de 140 magistrados falecidos são vitalícios. De acordo com o relatório de gestão de 2025 do Supremo, os pagamentos de aposentadorias e pensões representam quase 20% da distribuição orçamentária da Corte. No mesmo ano, o STF geriu mais de R$ 1 bilhão. PENSÕES PARA FILHAS DE EX-MINISTROS Em alguns casos, os valores pagos por pensões chegam ao teto remuneratório do funcionalismo público, acima de R$ 45 mil mensais. Os destaques vão para Maria Ayla de Vasconcelos, filha do ex-ministro Abner de Vasconcelos, que recebe o teto. A filha do ex-ministro José Geraldo de Alckmin, Maria Lúcia Rangel de Alckmin, recebe o mesmo valor. Além delas, Alda Gontijo Correia, viúva do ex-ministro e ex-senador Maurício Corrêa, recebe pensão superior a R$ 40 mil da Corte. A remuneração é ainda maior com a pensão de viúva pelo Senado.
Justiça suspende cobrança Credishop por compra não entregue

SÃO LUÍS, 28 de maio de 2026 — O 5º Juizado Cível de São Luís determinou que a administradora de cartão Credishop suspenda a cobrança de uma compra realizada por uma consumidora que afirma não ter recebido o produto adquirido na loja “Novo Mundo Amazônia”. A decisão foi assinada pelo juiz Alexandre Lopes Abreu. Conforme a decisão, a empresa deverá interromper a cobrança da compra vinculada ao cartão de crédito até 10 dias antes do vencimento da fatura. Caso o lançamento da parcela ocorra em prazo inferior, a cliente ficará desobrigada de efetuar o pagamento. Além disso, a administradora não poderá realizar cobranças administrativas nem transferir o débito para faturas posteriores. CONTESTAÇÃO DA COMPRA Na análise do processo, o magistrado considerou que os documentos apresentados pela consumidora comprovaram a não entrega do produto e demonstraram tentativas de cancelamento da compra junto à empresa. Ao fundamentar a decisão, o juiz destacou dispositivos da Lei do Superendividamento, que alterou o Código de Defesa do Consumidor e passou a permitir a suspensão da cobrança de compras parceladas em cartão de crédito quando houver contestação formal previamente comunicada à administradora. Segundo Alexandre Abreu, a legislação proíbe cobranças de valores questionados em situações nas quais o fornecedor não cumpre a entrega do produto ou serviço contratado. “Após saber que a venda está sendo questionada, a administradora de cartão de crédito deve parar de fazer a cobrança”, afirmou o magistrado. AUDIÊNCIA MARCADA O caso também terá tentativa de solução por meio de conciliação. A audiência foi marcada para o dia 17 de agosto de 2026, às 11h30, em formato híbrido, com participação presencial e por videoconferência. A Justiça também abriu possibilidade de acordo extrajudicial entre as partes antes da audiência. Caso haja entendimento, o processo poderá seguir diretamente para julgamento.
Informante da mesada do Careca INSS a Lulinha desiste de depor

BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — O informante que denunciou à Polícia Federal a relação entre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do Inss, desistiu de prestar depoimento à Controladoria-Geral da União. Ele havia sido convidado pela CGU a colaborar com as apurações como testemunha. O informante é ex-funcionário do Careca do Inss. A Controladoria-Geral da União apura suposta influência do lobista sobre servidores da Anvisa e do Ministério da Saúde. O órgão realiza essa investigação a pedido do Supremo Tribunal Federal. Em setembro do ano passado, a coluna revelou que o lobista esteve ao menos cinco vezes no Ministério da Saúde. Em uma dessas ocasiões, ele estava acompanhado da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Antonio Camilo é dono da World Cannabis, empresa de canabidiol. MOTIVO DA DESISTÊNCIA O informante desistiu de ser ouvido pela CGU ao afirmar que se sente desprotegido. Em entrevista à coluna publicada em fevereiro, ele já havia dito que sua vida virou “um inferno”. O ex-funcionário do Careca do Inss também afirmou estar desamparado, especialmente pela Polícia Federal. Essa sensação ocorreu após ele colaborar com as investigações da Operação Sem Desconto. Foi esse mesmo informante que afirmou à PF que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil. O dinheiro seria pago para ele atuar junto ao Careca do Inss em negócios de cannabis medicinal. A Polícia Federal já identificou que a lobista Roberta Luchsinger recebia R$ 300 mil por mês do Careca do Inss. Em um desses pagamentos, Antonio Camilo afirmou que o valor seria destinado ao “filho do rapaz”. Essa expressão possivelmente se referia a Lulinha, filho do presidente Lula.
Ministério Público investiga obra da Educação em Nova Colinas

MARANHÃO, 28 de maio de 2026 — O Ministério Público do Maranhão instaurou um Inquérito Civil para investigar possíveis irregularidades na contratação de empresa de engenharia para realização de obras na área da Educação em Nova Colinas, no sul do Maranhão. A apuração envolve a adesão à Ata de Registro de Preços nº 033/2025/SRP/PMFN, originada no município de Feira Nova do Maranhão e utilizada pela Prefeitura de Nova Colinas. A investigação foi aberta pela 1ª Promotoria de Justiça de Balsas por meio da Portaria nº 21/2026 – 1ªPJBAL, assinada pela promotora de Justiça Dailma Maria de Melo Brito Fernández. Segundo o documento, o Ministério Público converteu a Notícia de Fato nº 73/2025 em Inquérito Civil para aprofundar as apurações sobre possíveis ilegalidades no processo de contratação. A suspeita envolve a utilização da chamada “adesão à ata”, conhecida como “carona”, para contratação de empresa especializada em serviços de engenharia destinados à reforma e ampliação do prédio da CEAPRE/SEMED, ligado à Secretaria Municipal de Educação. O Ministério Público quer investigar a legalidade do procedimento utilizado pela gestão municipal para aderir à ata de outro município e contratar a empresa responsável pela obra. Entre os pontos analisados estão a regularidade administrativa do processo, a justificativa da contratação, os critérios adotados na adesão e a execução financeira do contrato. Além disso, a investigação busca verificar a existência de possível dano ao erário em razão de eventuais irregularidades administrativas. Segundo a portaria, a continuidade das apurações foi necessária após o prazo inicial da Notícia de Fato ser encerrado sem a completa elucidação dos fatos. Com a abertura do Inquérito Civil, o caso passa a ter caráter mais aprofundado e poderá resultar em novas diligências, requisição de documentos, oitivas e eventual ação por improbidade administrativa, caso irregularidades sejam confirmadas. O procedimento foi disponibilizado no Diário Eletrônico do Ministério Público do Maranhão em 15 de maio de 2026 e publicado oficialmente em 18 de maio de 2026, na edição nº 094/2026. A investigação ficará sob responsabilidade da 1ª Promotoria de Justiça de Balsas e terá prazo inicial de um ano para conclusão.
Dívida pública federal subiu para R$ 8,8 trilhões em abril

BRASÍLIA, 28 de maio de 2026 — O Tesouro Nacional divulgou nesta quarta (27), que a dívida pública federal subiu para R$ 8,798 trilhões em abril. O aumento foi de 1,91% em relação a março, quando o estoque estava em R$ 8,633 trilhões. As emissões de novos títulos somaram R$ 229,96 bilhões no período. Os resgates, por sua vez, alcançaram R$ 146 bilhões. Dessa forma, o governo emitiu mais títulos do que pagou ao longo do mês. A dívida pública mobiliária federal interna ficou em R$ 8,462 trilhões em abril. Já a dívida externa somou R$ 335,9 bilhões, conforme os dados do Tesouro. Entre os títulos internos, os papéis atrelados à taxa flutuante representaram 48,59% do estoque total. Além disso, os títulos indexados à inflação responderam por 26,76% da carteira. Os papéis prefixados, por sua vez, ficaram com participação de 20,85%. As instituições financeiras seguem como as principais detentoras da dívida pública. Elas têm participação de 31,46% do total. Na sequência, aparecem as entidades de previdência, com 22,32% dos títulos. Os fundos de investimento vêm logo depois, com participação de 22,17%. O percentual da dívida com vencimento em até 12 meses caiu de 19,52% para 18,99% entre março e abril. O prazo médio da dívida passou de 4,10 anos para 4,12 anos no período. O custo médio acumulado em 12 meses avançou de 12,20% ao ano em março para 12,22% ao ano em abril. O governo federal utiliza a dívida pública para financiar o déficit orçamentário. Esse mecanismo cobre despesas que superam a arrecadação com impostos. Também inclui contribuições e outras receitas do governo.