
MARANHÃO, 17 de junho de 2026 — O deputado estadual Yglésio Moyses criticou uma decisão do juiz Douglas de Melo Martins que determinou a instalação de câmeras corporais com acionamento automático em policiais civis e militares do Maranhão durante o horário de trabalho.
A medida atende a uma ação apresentada pela defensora pública Clarice Binda e tem origem em um processo iniciado em 2022.
Yglésio afirmou que a decisão cria uma política pública por determinação judicial. Além disso, ele questionou a adoção do monitoramento permanente dos agentes de segurança.
Segundo o parlamentar, a medida pode trazer riscos para operações sigilosas, principalmente se houver acesso indevido às imagens ou falhas no sistema de armazenamento.
“[…] Imaginar que operações secretas passem a ter monitoramento por câmeras em tempo real. Imagina a polícia civil fazendo uma operação e tudo aquilo ali está sendo disponibilizado todos os dias. Vai que há uma invasão do sistema de gerenciamento dessas imagens, e, por exemplo, o Comando Vermelho ou o Bonde dos 40 fica sabendo de tudo que está acontecendo.”
O deputado também argumentou que o investimento necessário para implantar o sistema poderia ser destinado a outras áreas da segurança pública. Por isso, ele defendeu a aplicação de recursos em melhores salários e condições de trabalho para os policiais.
Na avaliação dele, a medida aumenta a fiscalização sobre os agentes sem atacar os problemas estruturais da área.
“Ninguém coloca uma câmera no político para saber com quem ele está conversando e o que ele está fazendo. Ninguém coloca uma câmera de segurança no juiz, que a gente não sabe quem está recebendo, ninguém coloca uma câmera de segurança no médico que está atendendo no Sistema Único de Saúde, e o policial sempre paga a conta de se achar que está trabalhando em não conformidade.”
Durante a manifestação, Yglésio declarou que pretende buscar a reversão da decisão nas instâncias superiores da Justiça. Ele afirmou ainda que a proposta pode gerar custos superiores a R$ 100 milhões por ano para os cofres estaduais.
“Obviamente que em toda a situação, nós vamos ter problemas, situações profissionais, mas atribuir à polícia uma presunção de culpa é uma coisa realmente que só quem tem tendências à esquerda consegue, de fato, fazer. A constituição é clara, há presunção de inocência em atos de todos, por que que vamos ter presunção de culpa com as nossas polícias?”







