Moraes dá prazo para PGR opinar sobre carta de Bolsonaro

BRASÍLIA, 16 de julho de 2026 — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o caso envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada nesta quarta (15). O ministro quer saber se Bolsonaro descumpriu uma ordem judicial ao divulgar uma carta de apoio ao filho, o senador Flávio Bolsonaro. Depois que a PGR der seu parecer, Moraes vai decidir o que fazer. A investigação apura justamente a divulgação desse documento. Nele, Bolsonaro manifestava apoio à pré-candidatura do filho à Presidência da República. Moraes pediu explicações porque entendeu que isso pode ter violado a regra que proíbe o ex-presidente de usar redes sociais, seja diretamente ou por meio de outras pessoas. Além disso, o ministro também determinou a suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias. Essa medida faz parte das regras já impostas no processo. A defesa de Bolsonaro já apresentou seus esclarecimentos dentro do prazo de 48 horas dado por Moraes. Os advogados disseram que o ex-presidente “jamais soube” que Flávio iria divulgar a carta publicamente. O senador leu o texto em um evento e depois o publicou nas redes sociais. Segundo a defesa, Bolsonaro escreveu o manuscrito de forma legítima e privada. Ele entregou o documento ao filho durante uma visita autorizada pela Justiça. Os advogados afirmam que o ex-presidente não previu nem autorizou que a carta fosse divulgada na internet ou para o público. As medidas cautelares contra o ex-presidente proíbem o uso de aparelhos de comunicação e o acesso a redes sociais. Ele também não pode divulgar manifestações pessoais por meio de terceiros. Na manifestação enviada ao STF, a defesa reforçou que Bolsonaro mantém o compromisso de cumprir todas as determinações de Moraes. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária desde março deste ano por questões de saúde.
PF mira fraude em prova de residência médica com ação no MA

MARANHÃO, 16 de julho de 2026 — A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta (16), a segunda fase da Operação R2 para investigar um esquema de fraude no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED). A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Barretos, Paragominas e Imperatriz. Os policiais apreenderam celulares durante a operação. Segundo a PF, três médicos são suspeitos de contratar pessoas para fazer a prova no lugar deles. A investigação aponta que o grupo usava documentos de identidade falsificados para permitir a fraude. Além disso, outros três médicos são investigados por supostamente recrutar candidatos interessados no esquema. Os nomes não foram divulgados e todos respondem em liberdade. A nova fase da investigação é um desdobramento da Operação R1, realizada em outubro de 2025. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu oito pessoas em flagrante durante a aplicação da prova em Juiz de Fora. Portanto, as investigações continuam para identificar outros envolvidos e esclarecer como a organização criminosa atuava. De acordo com a PF, o grupo transmitia respostas por dispositivos eletrônicos, como minicelulares e relógios inteligentes. Além disso, contratava “laranjas” para realizar a prova com documentos falsificados. Os candidatos envolvidos pagariam até R$ 140 mil em caso de aprovação. O ENAMED avalia estudantes e médicos e também pode ser usado na seleção para programas de residência médica.
Confiança da indústria cai para menor nível desde 2020

BRASIL, 16 de julho de 2026 —A confiança dos empresários da indústria brasileira caiu para 44,4 pontos em julho. Esse é o menor valor desde junho de 2020, época do auge da pandemia. Os dados são do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda (13). O índice já estava em 46,7 pontos no mês anterior. Portanto, a queda foi de mais de 2 pontos. O indicador fica abaixo dos 50 pontos há 19 meses seguidos. Esse patamar é importante porque separa a confiança do pessimismo. Essa é a segunda pior sequência da história. Só perde para o período de 2015 a 2016, quando o país vivia uma recessão. A CNI explica que a piora acontece por dois motivos principais. Primeiro, os empresários avaliam que a economia e os negócios estão piores agora do que há seis meses. O índice que mede essa situação atual caiu de 42,3 para 41,6 pontos. Além disso, as expectativas para o futuro também pioraram muito. Esse indicador recuou de 48,9 para 45,8 pontos, registrando a maior queda desde novembro de 2022. A confederação aponta que as incertezas internacionais pesam nessa avaliação. Os conflitos no Oriente Médio e a ameaça de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deixam o cenário mais complicado. Segundo o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, esse longo período de pessimismo pode trazer consequências práticas. A produção pode diminuir. O número de empregados pode cair. E os investimentos também podem ser reduzidos. A pesquisa ouviu 1.118 empresas de todos os portes entre os dias 1º e 7 de julho.
Mortes de bebês motivam protesto no Hospital da Criança

SÃO LUÍS, 16 de julho de 2026 —Mais de 100 cruzes foram colocadas em frente ao Hospital da Criança, em São Luís, na manhã desta quinta (16). O protesto reuniu familiares e apoiadores para cobrar respostas sobre mortes nas UTIs pediátricas. O Ministério Público do Maranhão, a Defensoria Pública, o Ministério da Saúde e o Ministério Público Federal apuram denúncias sobre o funcionamento das unidades. Segundo informações apresentadas ao MPMA, o hospital registrou 113 mortes em 2025, sendo 101 nas três UTIs pediátricas. As denúncias afirmam que o aumento ocorreu após a contratação do Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), em outubro de 2025. O Ministério Público também informou que o contrato teria reduzido recursos e o número de médicos previstos. O IBMED negou as irregularidades e afirmou que mais de 20 médicos atuam nas UTIs. Além disso, profissionais ouvidos nas investigações disseram que recusaram permanecer na equipe por considerarem insuficiente o número de médicos. Familiares também relataram falta de medicamentos, demora em exames e dificuldades no acompanhamento dos pacientes. A Prefeitura de São Luís declarou que o DenaSUS realiza auditoria e que todas as mortes são notificadas oficialmente. O município informou ainda que não houve aumento expressivo de óbitos, mas sim uma variação de 112 para 117 casos entre 2024 e 2025, e afirmou que as UTIs atendem às exigências da Anvisa.
Segov informa cancelamento temporário de viagens de ferryboat

MARANHÃO, 16 de julho de 2026 — A Secretaria de Estado de Governo (Segov) anunciou mudanças na operação do ferryboat entre São Luís e Cujupe por causa da manutenção de duas embarcações. As alterações afetam viagens nesta semana. Além disso, a pasta notificará a empresa Internacional Marítima por não comunicar previamente a interrupção do serviço. A embarcação Cidade de Pinheiro ficará fora de operação para manutenção. Por isso, a Segov cancelou as viagens com saídas previstas para 5h, 7h50, 12h, 14h50, 18h e 20h50 durante o período de paralisação. A previsão é que o ferry volte a operar normalmente na manhã de domingo (19). A Secretaria informou que a Internacional Marítima não avisou antecipadamente sobre a suspensão das atividades. Segundo a pasta, a empresa também deixou de comunicar a Coordenação de Operações de Ferryboats, responsável por acompanhar o funcionamento do sistema. Por isso, a operadora será formalmente notificada. Outra embarcação que passará por manutenção é o São Gabriel, da Henvil Transportes. A parada técnica começará na sexta (17) e seguirá também no sábado (18). Segundo a Segov, as manutenções fazem parte do cronograma preventivo do sistema e buscam garantir mais segurança, eficiência e melhores condições de operação para os passageiros.
PGR decide se denuncia ex-presidente do INSS por fraude

BRASÍLIA, 16 de julho de 2026 — A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai decidir se denuncia o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e outros 47 investigados. A Polícia Federal concluiu o inquérito na terça (14) e enviou o relatório ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O esquema teria desviado cerca de R$ 6 bilhões de 2019 a 2024. Os descontos eram aplicados em aposentadorias e pensões sem a autorização dos segurados. A PF indiciou Stefanutto pelos crimes investigados. Além dele, foram indiciados o ex-procurador-geral do instituto, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas no primeiro inquérito da Operação Sem Desconto. Agora, a PGR tem três opções: oferecer denúncia à Justiça, pedir novas investigações ou arquivar o caso. Se a denúncia for apresentada, o Supremo Tribunal Federal vai analisar se os investigados viram réus. O ministro André Mendonça é o relator do processo porque parte dos investigados tem foro privilegiado. A Operação Sem Desconto investiga a cobrança de mensalidades associativas diretamente dos benefícios do INSS. Os aposentados e pensionistas não autorizavam esses descontos. O caso também levou à prisão de Stefanutto e de outros suspeitos. Além disso, o escândalo provocou a saída do então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), do governo federal.
Tarifa de 25% dos Estados Unidos atinge produtos do Brasil

ESTADOS UNIDOS, 16 de julho de 2026 — O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta (15) uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Quem fez o anúncio foi Jamieson Greer, chefe do USTR, em uma coletiva de imprensa. A medida é resultado de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil. Os americanos apontam restrições ao comércio digital, favorecimento ao Pix e questões sobre propriedade intelectual. Além disso, citam corrupção e desmatamento como problemas. O café e a carne bovina não vão pagar a taxa extra. Porém, o etanol está na lista dos afetados. O governo dos EUA ainda não divulgou a relação completa dos produtos. “Tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil”, disse Greer. Ele afirmou que as negociações foram encerradas na terça (14). O chefe do USTR ainda criticou a condução do Brasil nas tratativas. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve nos EUA para tentar evitar as tarifas. Nenhum representante oficial do presidente Lula participou das negociações em território americano. O governo brasileiro ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão. Essa é a segunda tarifa em um ano. A investigação foi aberta em julho de 2024, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Na terça, o USTR já havia enviado a recomendação final ao presidente Donald Trump. Também na noite de terça, o presidente Lula assinou um decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica. O Congresso aprovou essa lei em abril. Com ela, o Brasil pode retaliar países que imponham restrições. Isso inclui elevar tarifas sobre produtos e serviços desses países.
Ex-prefeito de Codó tenta anular cassação na Justiça

CODÓ, 16 de julho de 2026 — O ex-prefeito de Codó, José Francisco Lima Neres, entrou com uma ação na 1ª Vara da Comarca do município para anular o Decreto Legislativo nº 13/2024. A defesa protocolou o processo em 1º de julho e também pediu uma decisão urgente para suspender os efeitos da cassação até o julgamento final do caso. Segundo a ação, embora o mandato tenha terminado em 31 de dezembro de 2024, a cassação continua produzindo efeitos jurídicos. A defesa afirma que a medida pode gerar inelegibilidade com base na Lei Complementar nº 64/1990. Além disso, questiona a legalidade do processo, alegando vícios processuais, cerceamento de defesa e irregularidades na Comissão Processante e na sessão de julgamento da Câmara Municipal. No pedido de urgência, os advogados afirmam que manter os efeitos da cassação pode causar prejuízos de difícil reparação. Por isso, solicitam que a Justiça suspenda temporariamente a eficácia do decreto enquanto analisa o mérito da ação. Até o momento, o juiz responsável ainda não decidiu sobre a liminar. Caso a liminar seja concedida, a decisão terá efeito provisório e poderá ser modificada durante o andamento do processo. Portanto, o julgamento do mérito é que definirá se o Decreto Legislativo nº 13/2024 será mantido ou anulado de forma definitiva.