Estrangeiros já somam 106 mil MEIs registrados no Brasil

BRASIL, 30 de julho de 2026 — O Brasil tem cada vez mais estrangeiros trabalhando como microempreendedores individuais. Dados do Sebrae mostram que, em junho deste ano, já eram 106 mil imigrantes formalizados nessa categoria. Esse número representa um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado, quando havia 85,4 mil registrados. A maior parte desses profissionais está nas regiões Sudeste e Sul. São Paulo é o estado com mais MEIs estrangeiros: cerca de 39 mil. Em seguida vêm Santa Catarina, com 14 mil, Paraná, com 13 mil, e Rio Grande do Sul, com 8 mil. O Sebrae também analisou a proporção de estrangeiros em relação ao total de MEIs de cada estado. Roraima lidera esse ranking: dos 24 mil microempreendedores locais, 11% são imigrantes. O Amazonas aparece na sequência, com 2%. Santa Catarina e Paraná têm, respectivamente, 1,87% e 1,37%. O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, falou sobre o assunto ao jornal O Estado de S. Paulo. Ele afirmou que o MEI é uma política pública importante para inclusão produtiva e geração de renda. Segundo ele, muitos estrangeiros enxergam no próprio negócio uma chance de recomeçar a vida no país.
Brasil tem pior 1º semestre para empregos desde a pandemia

BRASIL, 30 de julho de 2026 — O Brasil gerou 921.640 empregos formais no primeiro semestre de 2026. Esse é o pior resultado para o período desde 2020, quando a pandemia fechou mais de 1 milhão de vagas. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego e foram divulgados nesta quarta (29). O número representa uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025. Naquele ano, o país tinha criado 1,23 milhão de postos com carteira assinada. O governo explica que a comparação com anos anteriores sofre influência da mudança na metodologia do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Apesar da desaceleração, o estoque total de empregos formais continuou subindo. Em junho, o Brasil chegou a 48,03 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Esse número é maior que os 47,88 milhões de maio e os 47,07 milhões de junho de 2025. Somente em junho, o saldo foi de 145.160 vagas. Esse resultado veio de 2,22 milhões de admissões contra 2,07 milhões de demissões. O número é 10,4% menor que o de junho de 2025, quando foram abertas cerca de 162 mil vagas. Além disso, foi o pior junho desde 2020. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu a desaceleração à política de juros altos e às incertezas no comércio internacional. O Banco Central mantém a taxa Selic em 14,25% ao ano, mesmo após três cortes seguidos. A autoridade monetária afirma que acompanha o mercado de trabalho porque o nível de emprego afeta a inflação. Segundo o Copom, o desemprego segue baixo e os salários reais crescem acima da produtividade. Por isso, os juros elevados fazem parte da estratégia para desacelerar a economia e controlar os preços.
Dívida pública federal chega a R$ 9,26 trilhões em junho

BRASIL, 30 de julho de 2026 — A dívida pública federal foi a R$ 9,268 trilhões em junho de 2026. O valor representa uma alta de 2,61% na comparação com maio. Quem divulgou os dados foi o Tesouro Nacional, nesta quarta (29), por meio do Relatório Mensal da Dívida Pública. Esse aumento aconteceu por dois motivos principais. Primeiro, o governo emitiu R$ 143,3 bilhões em novos títulos públicos. Além disso, foram incorporados R$ 85,16 bilhões referentes aos juros da dívida no período. A maior parte desse total está no mercado interno. A Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) somou R$ 8,920 trilhões, com crescimento de 2,63%. Já a Dívida Pública Federal Externa (DPFe) ficou em R$ 347,71 bilhões (o equivalente a us$ 67,17 bilhões), com alta de 2,12%. O Tesouro mantém uma reserva financeira, chamada de “colchão”, para pagar os títulos que vencem. Em junho, esse fundo chegou a R$ 1,346 trilhão. O valor cresceu 11,17% em relação a maio e 30,6% na comparação com junho de 2025. Com esse montante, o governo consegue cobrir os próximos 8,33 meses de vencimentos. Em maio, essa cobertura era de 9,14 meses. Mesmo assim, o número fica bem acima do mínimo de três meses exigido pelo próprio Tesouro. O prazo médio para o pagamento da dívida caiu de 4,07 anos para 4,01 anos entre maio e junho. A participação de estrangeiros na dívida interna recuou de 10,14% para 9,95%. Porém, o valor total em mãos desses investidores subiu de R$ 881 bilhões para R$ 887,87 bilhões. Quem mais detém os títulos públicos são as instituições financeiras (31,76%). Os fundos de investimento aumentaram sua fatia para 22%, enquanto os fundos de previdência reduziram para 22,52%. As seguradoras ficaram com 3,34%. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, explicou que cresceu a participação de títulos ligados à taxa flutuante de juros. Isso, segundo ele, reflete o cenário econômico atual do país.
Invasões de terra passam de 40 casos no Brasil em 2026

BRASIL, 27 de julho de 2026 — O Brasil teve mais de 40 invasões de propriedades rurais de janeiro a junho de 2026. Os dados são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Movimentos sociais participaram de 38 ocorrências, com destaque para o MST. Grupos indígenas estiveram em outros três episódios. Pernambuco registrou 12 casos e lidera o levantamento. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) quer endurecer as leis. O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) defende mais segurança jurídica para os produtores. A FPA articula o chamado Pacote Anti-Invasão. São pelo menos nove propostas em tramitação no Congresso. Elas preveem desde aumento de penas até restrições para invasores em programas sociais e crédito subsidiado. Um dos projetos permite à polícia retirar invasores sem mandado judicial. Outra proposta cria um cadastro nacional para identificar envolvidos. Há ainda um projeto que tipifica o crime de invasão no Código Penal. Além disso, outras medidas barram benefícios. Invasores não poderão receber programas sociais, crédito subvencionado ou participar de reforma agrária. As penas para esbulho possessório também seriam elevadas. A Câmara instalou em abril uma subcomissão para tratar do assunto. O deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) preside o colegiado. Ele afirma que a volta das invasões é inaceitável e que os produtores estão reféns de invasores. A subcomissão fará audiências públicas e examinará a legislação. A bancada quer analisar 15 atos do governo federal publicados entre 2023 e 2025. Eles consideram que essas normas flexibilizaram regras fundiárias. Os parlamentares também avaliam a reforma agrária. Dados do IBGE mostram que, em 86% dos municípios com assentamentos, a renda média das famílias é inferior a um salário mínimo. A FPA defende critérios técnicos e mais infraestrutura para os beneficiários. Um dos projetos prevê planejamento financeiro para a criação de assentamentos. União, Estados e municípios deverão garantir água, energia e estradas. O município também precisará ser consultado antes da instalação de novos projetos.
Brasil bate recorde de feminicídios pelo quarto ano seguido

BRASIL, 24 de julho de 2026 — O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta(23). O total representa um aumento de 4% em relação a 2024 e corresponde a uma taxa de 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres, consolidando a tendência de crescimento desse tipo de crime no país e confirmando o quarto recorde consecutivo do indicador. O crescimento dos feminicídios contrasta com a redução dos demais indicadores de violência letal. Em 2025, o Brasil registrou 40.775 Mortes Violentas Intencionais, queda de 8,2% em relação ao ano anterior e a menor taxa da série histórica: 19,1 mortes por 100 mil habitantes. O país também antecipou em dois anos a meta nacional de redução dos homicídios prevista na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027. Ainda assim, os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial foram as únicas modalidades de mortes violentas que cresceram no período. Os dados mostram que o número de mulheres assassinadas por razões de gênero vem crescendo de forma contínua. Em 2025, 44,4% de todas as mulheres assassinadas no Brasil morreram por razões de gênero, o maior percentual desde 2015, quando o feminicídio passou a integrar o Código Penal brasileiro. O ano também foi o primeiro de vigência integral da Lei nº 14.994/2024, que retirou o feminicídio da condição de qualificadora do homicídio doloso e o transformou em um crime autônomo. Para preservar a comparabilidade da série histórica, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública manteve os registros de feminicídio somados aos homicídios no cálculo das Mortes Violentas Intencionais. Outro dado que chama atenção é o avanço das tentativas de feminicídio. Em 2025, 4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de assassinato, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. O Anuário destaca que, para cada feminicídio consumado registrado no país, houve 2,7 tentativas, indicando que milhares de mulheres escaparam da morte por circunstâncias alheias à vontade do agressor e permanecem em situação de risco.
Brasil registra quase 1 milhão de celulares roubados em 2025

BRASIL, 23 de julho de 2026 — O Brasil registrou oficialmente 830 mil casos de furto ou roubo de celular em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Uma sondagem prévia do próprio FBSP indica que os números podem ser maiores. Cerca de 8,3% dos brasileiros de 16 anos ou mais, cerca de 13,9 milhões de pessoas, relataram ter sido vítimas de furto ou roubo de celular nos 12 meses anteriores. Apenas 55% das vítimas registram boletim de ocorrência. MAPA DO CRIME São Paulo concentra 20% de todos os casos registrados no país, mesmo correspondendo a apenas 5,6% da população brasileira. A capital paulista aparece em terceiro lugar no ranking de taxa por habitante, com 1.390,5 celulares subtraídos para cada 100 mil moradores, atrás apenas de São Luís, que lidera com 1.517, e Belém, com 1.487. As 20 cidades com maior incidência concentram 40% de todos os casos nacionais. Em média, o Brasil registrou 95 casos por hora ao longo de 2025, o equivalente a um celular subtraído a cada 38 segundos. Os furtos subiram 0,9%, de 477 mil para 484 mil. O anuário aponta que seis em cada dez celulares subtraídos hoje no Brasil são fruto de furto e quatro em cada dez de roubo, inversão em relação ao padrão de anos anteriores. CUSTO REAL Pesquisa Datafolha encomendada pelo FBSP estimou em R$ 22,7 bilhões o prejuízo causado por roubos e furtos de celular nos doze meses anteriores ao levantamento, valor superado apenas pelos golpes com Pix ou boletos falsos. Mais da metade dos entrevistados, 53%, afirmou ter deixado de circular em determinadas áreas ou horários por medo de ter o celular subtraído.
Exportações de carne bovina para a China devem cair à metade

BRASIL, 18 de julho de 2026 — O Brasil deve exportar cerca de 900 mil toneladas de carne bovina para a China em 2026. Esse volume representa quase a metade das 1,68 milhão de toneladas embarcadas no ano passado. A estimativa é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. A redução pode tirar até US$ 4,5 bilhões do faturamento dos frigoríficos brasileiros. “Todos sabem o nosso nível de exposição ao mercado chinês”, afirmou Perosa em coletiva. Ele reconheceu que o impacto será grande na balança comercial e no volume total de exportações. As vendas para outros mercados podem crescer, mas não compensam a perda da China. A queda acontece por causa de uma nova medida de salvaguarda da China. O país asiático quer proteger sua produção local de carne bovina. A regra entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. Até o limite de 1,106 milhão de toneladas, vale a tarifa normal de 12%. Acima desse teto, porém, incide uma sobretaxa de 55%. Assim, a tributação total chega a 67%. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,68 milhão de toneladas para a China. Por isso, o novo limite ficou abaixo do fluxo registrado no ano passado. A medida já pressionou a arroba do boi gordo e aumentou a preocupação de exportadores e pecuaristas. As indústrias já começaram a sentir os efeitos. Empresas suspenderam, em julho, a produção de cortes destinados à China. Elas consideram que a cota já foi esgotada. Segundo a Abiec, firmas responsáveis por 98% das exportações brasileiras adotaram medidas para reduzir custos. Algumas empresas suspenderam abates e deram férias coletivas. Outras fizeram demissões e reduziram a jornada de trabalho. O setor projeta uma queda de 10% nos embarques totais em 2026. No ano passado, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas. “Estamos trabalhando para manter o número, mas as dificuldades estão colocadas”, disse Perosa.
Tarifa de 25% dos Estados Unidos atinge produtos do Brasil

ESTADOS UNIDOS, 16 de julho de 2026 — O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta (15) uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Quem fez o anúncio foi Jamieson Greer, chefe do USTR, em uma coletiva de imprensa. A medida é resultado de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil. Os americanos apontam restrições ao comércio digital, favorecimento ao Pix e questões sobre propriedade intelectual. Além disso, citam corrupção e desmatamento como problemas. O café e a carne bovina não vão pagar a taxa extra. Porém, o etanol está na lista dos afetados. O governo dos EUA ainda não divulgou a relação completa dos produtos. “Tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil”, disse Greer. Ele afirmou que as negociações foram encerradas na terça (14). O chefe do USTR ainda criticou a condução do Brasil nas tratativas. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve nos EUA para tentar evitar as tarifas. Nenhum representante oficial do presidente Lula participou das negociações em território americano. O governo brasileiro ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão. Essa é a segunda tarifa em um ano. A investigação foi aberta em julho de 2024, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Na terça, o USTR já havia enviado a recomendação final ao presidente Donald Trump. Também na noite de terça, o presidente Lula assinou um decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica. O Congresso aprovou essa lei em abril. Com ela, o Brasil pode retaliar países que imponham restrições. Isso inclui elevar tarifas sobre produtos e serviços desses países.

