
BRASIL, 10 de agosto de 2026 — O Brasil perdeu 6,7 milhões de leitores entre 2019 e 2024. A informação é da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo Ipec com 5.504 pessoas em 208 cidades. Pela primeira vez, a maioria dos brasileiros não lê livros: 53% não leram nem um trecho de obra no período. Apenas 47% leram algo.
Os números mostram que o problema não é falta de acesso. Hoje, é possível carregar livros no celular e acessar bibliotecas pela internet. Mesmo assim, o hábito de leitura encolheu.
Entre os alfabetizados, só 7% leem literatura por vontade própria todos os dias. Outros 11% fazem isso uma vez por semana. Além disso, 62% não leem literatura espontaneamente.
A média de livros lidos por prazer é de apenas 1,17 por ano. Em 2024, 29% disseram não gostar de ler. Em 2019, esse número era 22%. O fenômeno não é só brasileiro. Nos Estados Unidos, menos da metade dos adultos leu um livro em 2022. Quem lia por prazer caiu de 28% em 2004 para 16% em 2023.
Há um paradoxo nessa história. As pessoas leem muitas palavras por dia, mas em formato diferente. Mensagens, redes sociais, e-mails e notificações dominam o tempo. A leitura é rápida e fragmentada.
A tecnologia facilitou o acesso, mas também criou um ambiente de vídeos curtos e conteúdos que duram segundos. A inteligência artificial já faz resumos e traduções, o que reduz o esforço para entender um texto.
A grande questão é se esse novo modelo substitui a concentração exigida por um livro. A escrita sempre serviu para registrar ideias, criar conceitos e desenvolver raciocínios longos.
Agora, a humanidade passa por outra mudança na forma de transmitir conhecimento. Ainda não se sabe até onde essa transformação vai chegar.







