Mídia tentou vender narrativa para favorecer candidato de esquerda

Uma mídia independente é fundamental para uma sociedade democrática saudável e informada. A mídia alternativa é, em tese, aquela que não está sujeita a interesses comerciais obscuros ou políticos, além de não estar atrelada a financiamentos oriundos de dinheiro público. Sem amarras, a mídia independente é indispensável para a sociedade porque oferece uma fonte alternativa de notícias e opiniões, permitindo que seus jornalistas e editores possam relatar fatos e visões de forma imparcial e livre. Em contraste, a grande mídia, muitas vezes ligada a grandes corporações e que recebem dinheiro público, podem estar sujeitas a pressões e influências que afetem sua imparcialidade e independência editorial. Muitas vezes, a grande mídia está vinculada a interesses de grandes corporações. Isso pode influenciar sua cobertura em diversas questões, especialmente em coberturas importantes, como as eleições de um país, por exemplo. Um caso que tem chamado atenção nos últimos meses é o cenário eleitoral do Paraguai, país sul-americano vizinho do Brasil. No último domingo (30), o candidato Santiago Peña Palacios, do Partido Colorado, foi eleito presidente da República paraguaia. A diferença para o seu principal opositor, o esquerdista Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), foi superior à marca de 15%, com quase meio milhão de votos a mais. Com 66% das cabines apuradas, o colorado já estava matematicamente eleito, como antecipou o Conexão Política em primeira mão. Ao todo, a participação no pleito deste ano foi de 3 milhões de eleitores. A hegemonia da direita no Paraguai A vitória de Santiago Peña confirmou o favoritismo do Partido Colorado, que é o mais antigo e mais influente do Paraguai, tendo governado o país por mais de sete décadas. A hegemonia da legenda começou em 1947, com a eleição de Higinio Morinigo como presidente. Desde então, o partido tem se mantido no poder com apenas algumas interrupções. O Partido Colorado é considerado um dos partidos mais tradicionais da América Latina, tendo sido fundado em 1887 por um grupo de intelectuais e militares. Durante seus primeiros anos, a sigla foi marcada por uma série de lutas internas e conflitos, mas com o tempo conseguiu consolidar seu poder. Durante a maior parte do século XX, o Partido Colorado governou o Paraguai sob o regime militar. Após a queda do militarismo, o Colorado continuou a governar o país, emplacando sucessivos presidentes, como Juan Carlos Wasmosy, Raúl Cubas, Nicanor Duarte Frutos e Horacio Cartes. Apesar de ter perdido a eleição presidencial de 2008 para o Partido Liberal Radical Autêntico, o Partido Colorado manteve-se forte e, em 2013, venceu novamente a eleição presidencial com Horacio Cartes. Nas eleições presidenciais de 2018, o candidato do Partido Colorado, Mario Abdo Benítez, foi eleito presidente com 46% dos votos. Traços da predominância A hegemonia do Partido Colorado no Paraguai é explicada por diversos fatores, como a sua estrutura partidária forte e organizada, o seu amplo apoio em áreas rurais e a sua habilidade de manter alianças com outras forças políticas. No entanto, a longa permanência do partido no poder também é justificada pelo conservadorismo enraizado na população. A população paraguaia é conservadora. Apesar de divergências existirem, os paraguaios se alinham com valores cristãos tradicionais, como a família, a moralidade, o patriotismo e a defesa da vida. O Partido Colorado, por sua vez, sempre buscou o apoio desse segmento da sociedade, promovendo-se como defensor dos valores tradicionais. Em paralelo a isso, o cristianismo é a religião predominante no Paraguai, sendo mais de 90% da população, conforme o censo mais recente. A Igreja Católica é a maior denominação cristã no país, representando cerca de 80% dos paraguaios. Há também outros segmentos cristãos, como os evangélicos, que têm crescido nas últimas décadas. Outro fator determinante é a influência do agronegócio e da elite econômica que controla grande parte da economia do país e tem uma forte presença na política. Esses grupos resistem a mudanças que possam prejudicar seus interesses, como a reforma agrária, a invasão de terras e o desarmamento da população do campo. Rejeição ao progressismo Esquerda nem pensar. O espectro político que define o Paraguai aponta para a direita conservadora. O país possui historicamente uma posição resistente a mudanças progressistas, que reflete também em toda a política nacional, que tem uma predominância de partidos de direita e centro-direita. Em geral, a população paraguaia concentra posições que rejeitam temas como o aborto, as drogas, a agenda LGBTQIA+ e a ideologia de gênero. Aborto e drogas No que diz respeito ao aborto, os paraguaios tendem a defender a proteção da vida desde a concepção e se opõem à legalização ou relativização do assunto. Eles argumentam que a vida humana é um direito fundamental, sagrada e deve ser protegida em todas as etapas de seu desenvolvimento. Quanto às drogas, os paraguaios rejeitam propostas políticas como a legalização da maconha e da spice. Quando consultados, argumentam que entorpecentes são prejudiciais à saúde e podem levar a comportamentos de dependência, violentos e criminosos. Já sobre a agenda LGBTQIA+, a população rejeita a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, bem como da adoção por cônjuges homoafetivos. Esses três temas foram cruciais no cenário político nacional. Durante toda a corrida eleitoral, os principais candidatos à presidência, Santiago Peña e Efraín Alegre, se debruçaram sobre essas discussões, ganhando destaque internacional devido eventuais impactos que cada posicionamento poderia gerar no resultado final do pleito. Interferências externas Durante as eleições no Paraguai, um assunto ganhou destaque nos últimos meses: a suspeita de que o país estaria sendo alvo de interferências externas, tanto por parte da mídia mainstream quanto por institutos de pesquisa estrangeiros. A desconfiança de interferências externas nas eleições paraguaias se deve, em parte, à crescente atuação do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). Ativistas, lideranças políticas e eleitores do Partido Colorado acreditam que grupos externos atuaram para favorecer o esquerdista Efraín Alegre. Essa desconfiança também reflete a preocupação de muitos paraguaios. Recentemente, o político colorado Gustavo Leite concedeu entrevista a uma mídia local e falou abertamente sobre a questão. “Os paraguaios não gostam que queiram mentir para nós e
O que tem levado jovens a massacres em escolas como o ocorrido em SC

O ataque que matou 4 crianças em Blumenau (SC) nesta quarta-feira (4) está longe de ser um fenômeno isolado. O jovem de 25 anos confessou que o massacre era parte de um desafio online e que haveria outros. Ele fez uma postagem nas redes sociais após o ocorrido para comprovar que cumpriu o desafio. Aparentemente, um certo ressentimento social e indiferença com valores morais ajuda a explicar o problema, o que o constante patrulhamento ideológico aprofunda e instrumentaliza. Imediatamente após o massacre, o ex-deputado Jean Wyllys culpou os evangélicos pelo ocorrido, aproveitando-se do sofrimento das famílias para reduzir o problema ao seu mundo de disputas narrativas. De acordo com a polícia, o ataque ocorrido em Blumenau se insere no período crítico de 14 dias após massacres em escolas, que é quando surgem potenciais imitadores. Pelas semelhanças no uso de arma branca, especialistas dizem que o atentado imita o massacre de outra creche, em Saudades, também em Santa Catarina, em 2021. Há poucas semanas, uma ativista trans entrou em uma escola cristã, em Nashville, matando seis pessoas, entre crianças e adultos. A designer gráfica Haudrey Hale, que se dizia homem e passou a se chamar Aiden Hale, foi a responsável pelo massacre. Ela pedia aos colegas que a chamassem pelos pronomes masculinos. Imediatamente, ativistas trans acusaram a escola de provocar o massacre, ou seja, as vítimas. Há menos de uma semana, em Inhumas, Goiás, estudantes começaram a escrever ameaças na parede do banheiro de uma escola. Nas redes sociais, estudantes combinavam ataques também em Iporá e Campos Verdes.
A sociedade do rápido e do vazio

Não consigo precisar exatamente a década. Talvez a década do ano 2000. Como chegamos a esse estado, literalmente, oco? Grande parte dos indivíduos pensam, comunicam e atuam de forma superficial e desimportante, seguindo básica e exclusivamente seus instintos tribais e as visões enviesadas de seus parceiros em seus grupos de pertencimento. Não há estudo, leitura, discussão séria e honesta, o contraditório e o conhecimento científico comprovado, imperando os achismos, a dissonância cognitiva, a insularidade intelectual, a banalidade e os prazeres mais imediatistas. Tudo isso parece e quer triunfar – as coisas desejadas – como a mais legítima das verdades. Evidente que a educação e o ensino desempenham influência direta na formação individual – e coletiva -, e, no país, sabe-se, pelos comparativos internacionais, que esses são precários. No entanto, aparenta que esse fenômeno não é exclusividade tupiniquim. Bauman cunhou a expressão “modernidade líquida” a fim de apontar a personalidade moldável das pessoas aos interesses “da hora”. Nada de errado com o caráter móvel da identidade social, desde que ela seja sustentada em pilares, digamos, sólidos. Não o é; há fragilidades e superficialidades em quase tudo, desde relacionamentos afetivos e comerciais até a formação de ideias e geração de convicções. Não se investiga a fundo as “coisas”, as temáticas, tirando-se conclusões precipitadas – e equivocadas – a partir de sites de notícias, de manchetes de jornais, de “telefones sem fios” de compadres e de análises de jovens e de velhos jornalistas, amplamente parciais e incultos, sobre uma gama de temáticas. Enfim, o triunfo da banalidade e do absurdo que convém em detrimento do verdadeiro conhecimento e da razão. Os indivíduos rejeitam a perda e o sofrimento e, em função disso, buscam economizar energia, operando no piloto automático dos atalhos mentais. Muitas vezes, tal comportamento é útil, porém, evidentemente que para uma série de questões complexas, o que está em nossa memória mais fresca não serve, uma vez que não passa de uma mera simplificação da verdade. Nesse sentido, a sociedade “do algoritmo” aprofunda esse pensamento rápido e automático, instintivo, que é alimentado por sentimentos tribais de nossos companheiros nos respectivos grupos que se unem por afinidades e por interesses nas mais diversas esferas. Como há engajamento, na superficialidade e na frivolidade, embalada pelos instintos mais primitivos. Para onde vamos? Está muito difícil o mais singelo diálogo. Todos parecem ter tantas certezas, certezas essas que não se sustentam a uma segunda indagação mais técnica e suportada pelo conhecimento, pelas experiências e por fartas evidências. Muitos incautos se transformaram em “especialistas”, embasados nas redes sociais, de praticamente tudo.O resultado pragmático dessa situação é que aqueles que possuem conhecimento factual de determinadas “coisas”, ou não têm vez, ou se calam, prevalecendo o achismo, a superficialidade e a burrice – burrice esta acalentada com um verniz de veracidade. Triste, mas tal nefasto contexto não irá mudar. As instituições de ensino, que se dizem “progressistas”, enfatizam o “moderno e produtivo” método da intensificação do pensamento crítico nos estudantes, que, a partir daí, não fazem outra coisa além de pensar e de vociferar sobre mazelas e desigualdades sociais. Os “justiceiros sociais” são completamente formados com uma única e segregadora visão de mundo. Adicione-se a isso o fato de que, quanto mais chocante e diferente for a forma, melhor será o impacto, independentemente do conteúdo. Não é necessário estudar e pensar, tudo está aí, pronto… A mídia, amplamente parcial e sensacionalista, potencializa o pensamento rápido, superficial, frívolo e banalizado. Inquestionavelmente. Já as modernas tecnologias da informação, embora benéficas em uma série de aspectos, engajam jovens e velhos em fantasias, em mentiras, em paixões e em iras. A radiografia do momento é, para dizer o mínimo, tenebrosa. Tudo virou papo e discussão de bar. O imbróglio é que nem mais no bar, com todas as características pertinentes a esse tipo de conversa, é crível explorar alguma coisa que escape da superficialidade da casca e das certezas de pessoas que, definitivamente, pouco conhecem sobre os temas a respeito dos quais dissertam. Construiu-se uma sociedade oca e radicalmente dividida, fundamentada numa estratégia de soma zero: de um lado aqueles poderosos que têm, e que, por definição, são inimigos de todos aqueles que não têm. Guerra certeira. Nessa tragédia sem heróis salvadores, sempre triunfarão os achismos e as sedutoras “verdades” daqueles que trivialmente sinalizam virtudes, não importando quais sejam tais virtudes. Alex Pipkin é doutor em Administração – Marketing pelo PPGA/UFRGS.
A falha da surrada narrativa da fome, das desigualdades e da pobreza

A ministra Marina Silva segue a passos largos seu líder messiânico, especialista na arte de ludibriar e de se apropriar de bens de terceiros. De modo algum estou aqui a escrever a tão propalada e moderna “fake news”.É fácil recorrer às mídias sociais e encontrar falas do ex-presidiário mencionando suas grandes façanhas no terreno da mentira, inclusive em nível internacional. Aliás, para esse “honesto presidente do povo”, a política se baseia, quase que exclusivamente, na mentira. Com efeito, a mentira andou soberba em shows por terras suíças. “Fake news”, das grossas, foi a utilizada por Marina Silva em Davos, ao afirmar que metade da população brasileira passa fome. Esquerdo, no sentido de sinistro! Ou ela mentiu factualmente, ou seu bando de asseclas rubros utilizou-se de uma prática estatística corriqueira no petismo: torturar os dados até que eles confessem o que se quer demonstrar. Ou ambos. Marina Silva é uma contumaz mensageira da tragédia, que não aponta saídas ou propõe soluções equivocadas para os problemas identificados por ela. Meu juízo a seu respeito vem de longa data. Essa senhora despeja, reiteradamente, os vícios da pobreza, alternando-se na narrativa da fome, das desigualdades, da miséria e da pobreza. Toda essa turma do amor discursa apelando para o lado negro do sentimentalismo, muito embora desconheçam e negligenciem conceitos basilares para propor soluções efetivas a pertinentes questões, tais como a pobreza. Eles arrotam o tema “desigualdade”, que, em verdade, é uma questão meramente comparativa. O grande problema é a pobreza, um conceito absoluto relacionado aos indivíduos. Toda essa turma de amorosos justiceiros sociais continuará protestando e se debatendo “ad aeternum” contra as desigualdades e a pobreza… não resolvendo-as. De fato, eles se opõem e/ou lançam mão de políticas públicas erradas na direção daquilo que reduz a pobreza: a geração de riqueza. Não se reduz a pobreza – muito menos as desigualdades – com decretos governamentais, com mais intervencionismo estatal. Pelo contrário, tal qual demonstra a história da humanidade, são os livres mercados, efetivamente, as pessoas e as empresas que criam riqueza, por meio da produção, do aumento da produtividade, dos investimentos tecnológicos, da destruição criativa, que atacam e reduzem a pobreza. Mesmo que bem-intencionadas, políticas públicas normalmente resultam no oposto daquilo que se intenciona. Poucas alcançam êxito na redução da pobreza e da fome. Meus impulsos morais virtuosos – aquilo que é raro de se identificar no seio vermelho – fazem-me olhar para o sofrimento de muitos, pensando em estratégias efetivas para sua mitigação. Nesse sentido, o que comprovadamente funciona para reduzir a pobreza é, sem dúvidas, tirar o governo da frente, deixando as pessoas e as empresas mais livres para empregar, produzir, inovar, e trazerem soluções inovadoras e úteis para a sociedade. Sinteticamente, mais liberdades individual e econômica, menos intervencionismo estatal. Não me considero vaidoso, mas hoje acordei meio empolado. Vou sugerir que Marina Silva e Fernando Haddad, o ministro-marxista da Fazenda, passem a inverter suas lógicas ilógicas por meio de atenta e meticulosa leitura: mais Mises, menos Marx!
Moeda comum ou subsídio cruzado?

Nosso País não é para amadores – estou cada vez mais convencido disso (para o nosso infortúnio, claro). Na pauta da semana, o debate recai sobre a proposta de criação de uma moeda comum entre Brasil e Argentina. Via de regra, eu simplesmente soltaria uma longa gargalhada, com tão estapafúrdia ideia – e voltaria a trabalhar para pagar os meus quintos dos infernos devidos ao perdulário Estado brasileiro. Mas, diante de tanta confusão, quero lançar aqui oportunos questionamentos ao debate público. Comecemos, então, nossos dois dedos de prosa. A Argentina encontra-se em uma grave enrascada: para além de sua galopante inflação de 94% ao ano, os dólares estão cada vez mais escassos na economia hermana. Isso naturalmente surte reflexos: não apenas o câmbio paralelo floresce, como o próprio comércio internacional argentino é colocado em xeque. Afinal, para poder importar produtos e serviços de outros países, a moeda corrente utilizada nas transações globalmente padronizadas – o dólar – já não se faz disponível. E, por mais próximos que sejam, nem sempre convém a todos os seus parceiros comerciais manter reservas em pesos. O governo chinês, por exemplo, em caráter de exceção, passou a operar com o Banco Popular da China, fazendo operações de câmbio (“swaps”) com o Banco Central da Argentina – que, por sua vez, mantém reservas internacionais em yuans – a moeda corrente chinesa. E, com isso, a China vem ganhando mais espaço na economia argentina. O Brasil, em contrapartida, segue como o maior parceiro comercial da Argentina. No total, nossas exportações para o país vizinho totalizam o equivalente a US$ 15,3 bilhões e nossas importações, US$ 13,1 bilhões (2022). Nesse cenário, o Brasil registra um superávit comercial da ordem de US$ 2,2 bilhões – isto é, vende mais do que compra e, por isso, na relação Brasil-Argentina, entram mais dólares na nossa economia do que saem. Mas, diferentemente da China, o Banco Central brasileiro tem restrições legais para fazer o mesmo tipo de operação cambial. É nesse contexto que nasce a discussão de uma possível moeda comum entre Brasil e Argentina, a ser batizada de “sur”. Mais de André BoliniPai, por que tão perto de mim esse cálice? Não se propõe, por enquanto, a criação de uma moeda aos moldes do Euro – de uso único e cunho forçado para ambos os países, abolindo o peso e o real. Não é nada disso! Falsos alardes foram gerados, ainda que absolutamente compreensíveis – dado o histórico de loucuras e pirotecnias econômicas já defendidas e implementadas pelo PT. Do outro lado, contudo, não se alegrem os entusiastas do atual governo, pois complemento minha colocação: a ideia atualmente proposta é tão ruim quanto. Uma infame piada de mau gosto, a meu ver. Por isso, doravante, refiro-me à tal “sur” como “estalecas bolivarianas”. Façamos a seguir alguns exercícios mentais, meu caro amigo leitor. O Brasil exporta mais para a Argentina do que dela importa – ou seja, vende mais do que compra. Hoje, isso significa acumular um saldo líquido de dólares, já que nosso comércio internacional é todo dolarizado. Diga-se de passagem, temos reservas em dólar porque este sim é uma moeda de altíssima liquidez e passível de aceitação por qualquer outro país do globo. Agora, imaginemos acumular, ao invés de dólares, as tais estalecas bolivarianas. No ápice de minha inocência, pergunto: o que diabos faríamos com esse saldo líquido de estalecas bolivarianas? Historicamente, o Brasil sempre teve superávit comercial com a Argentina – isto é, sempre acumulou divisas recebidas dos hermanos. Sendo assim, é de se supor que também iríamos acumular saldo positivo de estalecas bolivarianas. Pois é neste pequeno detalhe que reside Belzebu: o que fazer com o histórico e estrutural superávit comercial quando revertido em uma moeda de baixa liquidez e com aceitação restrita a apenas esses dois países? Dentre os cenários possíveis, não vejo boa saída. Se podemos apenas utilizar as estalecas bolivarianas com a Argentina, isso significa que, ao acumular um saldo positivo da nova moeda, o Brasil ficaria obrigado, cedo ou tarde, a utilizar esse valor em importações da própria Argentina (atualmente, na ordem de US$ 2 bilhões ao ano – equivalente a quase R$ 11 bilhões). Mas, note, amigo leitor: se outrora eu, brasileiro, teria liberdade para utilizar minhas divisas em operações de compra e venda com outros quaisquer países, valendo-me dos dólares recebidos, agora, com a nova moeda em curso, acumulando o saldo de estalecas, eu deixaria de fazer comércio com quem normalmente faria para utilizar meu saldo junto aos hermanos. Ainda que de forma disfarçada, portanto, estabelece-se uma cota preferencial de comércio para com a Argentina – implicando, necessariamente, em destruição de valor para os brasileiros. Subsídio cruzado, na prática, em favor da Argentina. Surgem alternativas, naturalmente. Há nomes no governo sugerindo que a nova moeda teria como lastro garantias reais em colateral. Mas, para aqueles que já aceitaram charuto como contrapartida de garantia em operações de crédito às exportações cubanas, reluto em acreditar que, desta vez, nosso colateral teria caráter tão diferente. Por isso, sequer considero a execução de tais garantias como fonte crível de liquidez. Assim como considero péssimas as possibilidades de eventuais operações de trading de crédito de estalecas bolivarianas – que País, afinal, compraria tais ativos a 100% do valor de face, sem impor deságio ao assumir nossa brilhante nova moeda? Novamente: subsídio cruzado, na prática, em favor da Argentina. Elucidem-me os colegas, porque eu, particularmente, não consigo vislumbrar saldo líquido positivo nessa história. Competir com a China pelo espaço na balança comercial argentina? Não me parece valer o custo bilionário que se pode impor ao povo brasileiro por um parceiro que corresponde a 4% de nossa carteira de parceiros em exportações. Ademais, conheço a ficha corrida dos autores da iniciativa: confesso dificuldade em renegar aquelas frequentes intenções não declaradas por trás da típica ideia de integração regional – via de regra, o repasse de auxílios a governos amigos e financeiramente arruinados. Seria este que vos escreve demasiadamente cético ou apenas um conhecedor e nostálgico do tradicional modus
A Grande Falsidade do Nosso Tempo

Traduzido por Valéria Campelo Neste trecho do livro “Reflections of a Russian Statesman” de 1898, o escritor, jurista, filósofo político e Procurador-chefe do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa, Konstantin Pobedonostsev, reflete sobre a teoria do Parlamentarismo em uma análise capaz de explicar não apenas dilemas comuns a este Sistema de Governo, mas a todos os Sistemas de Governos democráticos em geral, de modo a continuar perfeitamente atual. A Grande Falsidade do Nosso Tempo Aquilo que está fundado na falsidade não pode estar certo. Instituições fundadas em princípios falsos não podem ser senão falsas. Essa verdade foi demonstrada pela amarga experiência das eras e gerações. Entre os mais falsos princípios políticos está o princípio da soberania popular, o princípio de que todo poder emana do povo e se baseia na vontade nacional — um princípio que infelizmente se estabeleceu mais fortemente a partir da Revolução Francesa. Daí decorre a teoria do Parlamentarismo que, até os dias atuais, iludiu grande parte da chamada “inteligência” e ludibriou certos russos tolos. Ela continua a manter seu domínio sobre muitas mentes obstinadas com um fanatismo estreito, embora todos os dias sua falsidade seja exposta mais claramente ao mundo. Em que consiste a teoria do Parlamentarismo? Ela supõe que o povo em suas assembleias estabeleça suas próprias leis e eleja oficiais responsáveis por executar a sua vontade. Essa é a concepção ideal. Sua realização imediata é impossível. O desenvolvimento histórico da sociedade exige que as comunidades locais aumentem em número e complexidade; que as raças separadas sejam assimiladas, ou, preservando suas políticas e linguagens, unam-se sob uma única bandeira; e que o território se estenda indefinidamente: sob tais condições, o governo direto do povo é impraticável. O povo deve, portanto, delegar seu direito de poder aos seus representantes e investi-los de autonomia administrativa. Esses representantes, por sua vez, não podem governar imediatamente, mas são obrigados a eleger um número ainda menor de pessoas confiáveis — ministros — a quem confia a preparação e execução das leis, a distribuição e arrecadação de impostos, a nomeação de funcionários subordinados e a disposição das forças militantes. No abstrato, esse mecanismo é bastante simétrico: para seu correto funcionamento, muitas condições são essenciais. O funcionamento da máquina política baseia-se em forças impessoais que atuam continuamente e são completamente equilibradas. Pode agir com sucesso somente quando os delegados pelo povo abdicam de suas personalidades; quando nos bancos do Parlamento sentam os cumpridores mecânicos das ordens do povo; quando os ministros de Estado permanecem impessoais, executores absolutos da vontade da maioria; quando os representantes eleitos do povo são capazes de entender precisamente e executar conscientemente o programa de atividades matematicamente expresso que lhes fora entregue. Dadas estas condições, a máquina funcionaria perfeitamente e cumpriria seu objetivo. A lei realmente incorporaria a vontade do povo; as medidas administrativas seriam realmente emanadas do Parlamento; os pilares do Estado repousariam, com efeito, nas assembleias eletivas, e cada cidadão participaria direta e conscientemente da administração dos assuntos públicos.
O socialismo acaba quando termina o dinheiro dos outros

O socialismo acaba quando termina o dinheiro dos outros. Esse é o principal ensinamento para quem quer combater essa ideologia nefasta, na prática. Palavras não incomodam os niilistas. O que incomoda-os de verdade, contraditoriamente, é o nada. Do nada, não se pode esperar outra coisa que não isso mesmo. NADA. Socialistas não criam nada. São parasitas que precisam para se manter de hospedeiros. Em A Revolta de Atlas, Ayn Rand descreve exatamente isso, como indivíduos produtivos levaram ao colapso uma sociedade na qual os parasitas exploravam os seres criativos que produziam riqueza. Para acabar com o socialismo sem derramamento de sangue, a fórmula é essa. Parar de chancelar e sustentar seus algozes. Quando o socialismo entra pela porta da frente, quem cria e produz tem que sair pela porta dos fundos ou até mesmo pela janela. Quando o socialismo dá com os burros na água, então é hora de repensar a estratégia. Lembre-se. Quem é John Galt não é um grito de guerra. É uma expressão de desalento que funciona como um convite ao uso da razão em nome do autointeresse racional, dos direitos individuais, da justiça e da paz. Se você acha que o ambiente será propício, revise suas premissas. Seu sucesso pode torná-lo uma das vítimas. Afinal, desigualdade social para os niilistas invejosos é o maior dos males. Felicidade por propósitos realizados, um grande pecado. *Empresário e articulista
Flávio Dino manda indireta para adversário(s) por meio de artigo

O ex-governador do Maanhão Flávio Dino (PSB) mandou indireta à seu(s) concorrente(s) em artigo publicado no Jornal Pequeno neste final de semana. Prestes a disputar a vaga única pelo Senado, há poucos meses das eleições, tudo indica que o alvo do recado dado pelo socialista pode ser o senador Roberto Rocha, haja vista que o parlamentar é o principal concorrente de Dino na Câmara Alta. “Há um tipo de candidato que vive de promessas, de mentiras, que se enche de “projetos” que nunca são postos em prática. Promete ferrovias, rodovias duplicadas, portos, aeroportos, até pista de pouso de disco voador. Enquanto isso, suga dinheiro do povo via orçamento secreto, em tenebrosas transações”, publicou.