
MARANHÃO, 18 de junho de 2026 — A Polícia Federal (PF) investiga a movimentação financeira de uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira (PP). Segundo relatório do Coaf, a empresa movimentou R$ 236,9 milhões entre janeiro e outubro de 2023 em uma filial de Coelho Neto, no Maranhão.
A investigação da PF apura a relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O relatório informa que a filial da CN Motos realizou centenas de operações financeiras no período. Entre elas, aparecem 283 movimentações em espécie que somam R$ 179 mil.
Além disso, a Polícia Federal cita outros R$ 1,1 milhão classificados como valores “aparentemente em espécie”. O documento também afirma que alguns depósitos teriam sido feitos pelo próprio Ciro Nogueira.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA
A Polícia Federal afirma que Coelho Neto tem menos de 50 mil habitantes. Por isso, considera que o volume de recursos movimentado pela filial chama atenção.
Conforme os investigadores, os dados indicam um padrão recorrente de operações financeiras. Inclusive, outras 13 unidades da CN Motos, no Maranhão e no Piauí, também são investigadas por possível dissimulação de valores ilícitos.
De acordo com o relatório, Ciro Nogueira recebeu mais de R$ 4,1 milhões da empresa entre outubro de 2020 e julho de 2024. A investigação também analisa a relação do senador com Daniel Vorcaro.
De acordo com a Polícia Federal, esse vínculo teria ultrapassado uma relação de amizade e estaria ligado à convergência de interesses considerados ilícitos.
DESPESAS PAGAS
A Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro teria custeado despesas pessoais de Ciro Nogueira. Entre elas, estariam viagens em jatos particulares, hospedagens em hotéis de luxo, refeições em restaurantes e roupas para viagens internacionais.
Para os investigadores, essas vantagens fariam parte de um conjunto de benefícios oferecidos ao senador.
O relatório cita uma conta de US$ 1.981,12 em um restaurante na França, uma suíte Royal no Park Hyatt New York no valor de US$ 47.779,80 e uma viagem para Lisboa custeada em R$ 91,2 mil.
A investigação afirma que Vorcaro bancou uma viagem de Ciro Nogueira e Flávia Roberta Rosalen para Couchevel, nos Alpes Franceses, com custo superior a R$ 1,8 milhão.







