
BRASÍLIA, 11 de maio de 2026 — A Polícia Federal (PF) apura a compra de um tríplex de luxo em São Paulo pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). A investigação ocorre no âmbito da Operação Compliance Zero.
As suspeitas envolvem fraude bilionária no sistema financeiro e possíveis vantagens indevidas ligadas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O imóvel tem 514 metros quadrados, três suítes e três vagas de garagem. A negociação veio a público no último domingo (10).
Na quinta fase da operação, agentes cumpriram mandados contra o parlamentar na última quinta (8). A PF investiga o recebimento de vantagens indevidas por parte do senador.
O apartamento entrou no radar durante a análise da atuação de Ciro em pautas favoráveis ao Banco Master no Congresso. Ciro Nogueira e sua defesa negam qualquer irregularidade no caso.
Segundo a investigação, o senador fechou a compra diretamente com a incorporadora responsável pelo empreendimento. O valor total do imóvel é de R$ 22 milhões.
Ciro declarou que entregou outro apartamento no mesmo prédio como parte do pagamento. Esse imóvel foi avaliado em R$ 8 milhões. Além disso, o parlamentar quitou o restante com parcelas em dinheiro.
A compra ocorreu quase um mês antes de Ciro apresentar uma emenda à PEC 65 de 2023. A proposta original ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Segundo a PF, a mudança poderia beneficiar instituições com dificuldades de liquidez, incluindo o Banco Master. Os investigadores também analisam mensagens atribuídas a Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
Em julho de 2024, Felipe perguntou em uma conversa se deveria manter pagamentos mensais de R$ 300 mil. Os repasses estariam relacionados à parceria “BRGD/CNLF”, conforme as mensagens obtidas pela investigação.
Daniel Vorcaro respondeu de forma positiva, de acordo com a PF. A defesa de Ciro Nogueira rejeita a existência de “mesada” ou repasses ilegais ao senador.
O advogado Antônio Carlos Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que eventual quebra de sigilo bancário poderia esclarecer o caso.
Segundo o criminalista, “esse dinheiro não chegou na conta do Ciro”.







