
BRASIL, 27 de julho de 2026 — O fim da taxa das blusinhas provocou uma explosão nas compras internacionais. Dados da Receita Federal mostram que junho, primeiro mês sem a cobrança de 20% sobre importações de até US$ 50, teve 28,36 milhões de encomendas chegando ao país.
O número é 118% maior que o de junho de 2025, quando foram registradas 13,02 milhões. Em relação a abril, último mês completo com o imposto, a alta foi de 72%. Frente à média dos quatro primeiros meses do ano, o avanço chegou a 84%.
A Medida Provisória que revogou a taxa federal foi publicada em maio. Apesar disso, o ICMS continua sendo cobrado. A alíquota varia entre 17% e 20%, dependendo do estado.
Consumidores comemoram o fim do imposto, que, segundo eles, encarecia produtos baratos e tirava a competitividade das lojas estrangeiras. Muitos também reclamavam que viajantes internacionais tinham isenção, enquanto quem comprava pela internet pagava a taxa.
Entidades do varejo nacional, como o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), afirmam que o aumento das importações pode prejudicar as lojas brasileiras. O instituto representa empresas como Americanas, Casas Bahia e Magazine Luiza. Para eles, a medida afeta empregos e investimentos no país.
Por outro lado, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne Alibaba, Amazon e Shein, avalia que a alta já era esperada. A entidade defende cautela e diz que é preciso acompanhar os números por pelo menos seis meses para confirmar a tendência.
O futuro da taxa ainda está em aberto. A Medida Provisória precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para valer de forma definitiva. Enquanto importadores querem a manutenção da isenção, o varejo pede o retorno do imposto.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) já entrou com ação no Supremo Tribunal Federal contra o fim da cobrança. Além disso, a reforma tributária prevê a volta da tributação em 2027, por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
A nova alíquota ainda será definida até o fim deste ano.







