
BRASÍLIA, 19 de maio de 2026 — O grupo Prerrogativas, formado por advogados aliados do presidente Lula, e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça (19), um pedido de investigação sobre os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme ‘Dark Horse’.
A obra é uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi publicada pelo jornal O Globo.
Os petistas também solicitaram à Corte que impeça a exibição do filme antes das eleições. Eles alegam que a obra pode impactar o pleito no qual Lula deve disputar a reeleição. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o principal opositor na disputa.
Para embasar o pedido, o grupo citou uma decisão do próprio TSE de 2022. Na ocasião, os ministros censuraram previamente um documentário da Brasil Paralelo sobre a facada em Bolsonaro.
O longa-metragem recebeu R$ 61 milhões do banco Master. Seu lançamento está previsto para setembro, um mês antes das eleições presidenciais.
Os aliados de Lula afirmam que o filme poderia funcionar como “peça de comunicação política de enorme impacto”. Além disso, eles apontam suposta propaganda eleitoral velada custeada por “recursos milionários cuja origem é considerada suspeita”.
Segundo a petição, o “conjunto de fatos revela possível engrenagem de financiamento político paralelo”.
O documento cita agentes políticos, um banqueiro investigado, estrutura empresarial estrangeira e um fundo no exterior. Também menciona contratos privados, valores milionários, obra de exaltação política e lançamento estratégico no período eleitoral. As informações foram reproduzidas por O Globo.
A petição solicita que o caso seja comunicado à Polícia Federal, ao Banco Central e à Receita Federal. O pedido inclui também o Ministério da Justiça e o Coaf para apuração de supostos crimes. Os petistas citam lavagem de dinheiro, evasão de divisas e ocultação de beneficiário final. Além disso, mencionam fraude cambial, falsidade documental, crimes financeiros e organização criminosa.
Os petistas fundamentaram o pedido em uma decisão do próprio TSE de 2022. Naquele ano, o tribunal suspendeu o lançamento do documentário ‘Quem mandou matar Jair Bolsonaro?’, da produtora Brasil Paralelo, durante o período eleitoral.
A obra seria exibida em 24 de outubro de 2022, seis dias antes do segundo turno. Sua divulgação foi interrompida, e o filme só foi ao ar depois da vitória de Lula. Segundo o TSE, a censura prévia era justificada pela suposta ameaça ao pleito.
“A aplicação do precedente ao caso ‘Dark Horse’ é direta”, afirmaram os petistas conforme O Globo. Eles ressaltaram que a obra também envolve Jair Bolsonaro e possui conteúdo de alta relevância política. Além disso, o filme se projeta sobre a eleição presidencial e pode ser lançado em momento sensível do calendário eleitoral.
Os detalhes do roteiro e da pós-produção de ‘Dark Horse’ não foram integralmente divulgados. O filme vai destacar o atentado sofrido por Bolsonaro em 2018. Cenas já foram gravadas em São Paulo. O ator Jim Caviezel encenou o episódio da facada.
A ação será distribuída para um dos ministros do TSE, tribunal atualmente presidido por Nunes Marques. Em fevereiro deste ano, o TSE negou liminares dos partidos Novo e Missão para impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói.
A escola de samba fez uma homenagem a Lula, classificada como propaganda antecipada pela oposição. O desfile exaltou o presidente, e a escola ficou em último lugar, sendo rebaixada. O samba-enredo fazia referência a um jingle de campanha de Lula. Componentes usaram fantasia com estrela vermelha, marca do PT.
O PL pediu investigação do financiamento do desfile, mas o caso foi arquivado.







