TRIPLO EXTERMÍNIO

Negros, LGBTI+ e idosos são os mais afetados pela violência

Andre Reis
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Violência brasil
Negros representam 77% das vítimas de assassinato no país; população LGBTI+ e idosos também registram altas nos indicadores de violência.

BRASIL, 27 de maio de 2026  O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça (26), revela que 32.820 pessoas negras foram vítimas de homicídio em 2024. Esse número equivale a 77% de todos os assassinatos registrados no país. A média representa 89,9 mortes por dia, ou um homicídio a cada 16 minutos.

A taxa de homicídios entre negros é 170,3% superior à registrada entre não negros. Uma pessoa negra tem 2,7 vezes mais chance de ser assassinada do que uma pessoa branca. Esse índice se repete em praticamente todas as unidades da Federação. Roraima é a única exceção, com proporção de 0,5.

As maiores taxas de homicídio de pessoas negras se concentram nas regiões Norte e Nordeste. Amapá lidera com 56,8 mortes por 100 mil habitantes negros. Alagoas aparece com 48,9, seguido por Pernambuco (47,6) e Bahia (47,1). São Paulo registrou taxa de 8 homicídios por 100 mil habitantes negros. Santa Catarina aparece na sequência, com 10,3.

Alagoas lidera o ranking da desigualdade racial na violência letal. No estado, negros têm 23,3 vezes mais chances de serem assassinados do que brancos. Amapá aparece na sequência, com risco 16,7 vezes maior. Sergipe registra índice 6,8 vezes superior.

Entre 2014 e 2024, o Brasil registrou 435.551 assassinatos de pessoas negras. No mesmo período, ocorreram 132.156 mortes de pessoas não negras. Os homicídios diminuíram nos dois grupos ao longo da série histórica. A redução, no entanto, ocorreu de forma desigual.

Entre não negros, a queda foi de 38,9% nos homicídios. Já entre negros, a redução chegou a 21,7%. Além disso, mulheres e idosos negros sofrem violência letal de forma mais intensa. Entre mulheres negras, a taxa de homicídio é 66,7% maior do que entre mulheres não negras.

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VIOLÊNCIA CONTRA LGBTI+

O estudo aponta crescimento contínuo da violência contra a população LGBTI+. Em 2024, as notificações envolvendo homossexuais e bissexuais aumentaram 5,5%. Esse total chegou a 10.250 registros. Nos últimos onze anos, a alta acumulada alcançou 212,7%.

As notificações de violência contra pessoas trans e travestis também cresceram. Foram registrados 5.575 casos em 2024, aumento de 2,5% em relação ao ano anterior. O sistema de saúde contabilizou pelo menos 35.779 ocorrências de violência contra pessoas trans e travestis nos últimos dez anos.

Entre homossexuais, os registros passaram de 7.043 em 2023 para 7.378 em 2024. Esse crescimento representa 4,8%. Já entre pessoas bissexuais, os casos subiram de 2.675 para 2.872 no mesmo período, alta de 7,4%. Na última década, a violência notificada contra pessoas bissexuais teve aumento de 781%.

A violência contra a população LGBTI+ se concentra principalmente entre os mais jovens. Entre homossexuais, o pico de vitimização ocorre na faixa de 25 a 29 anos. Entre pessoas bissexuais, os casos se concentram entre 15 e 24 anos. A mesma faixa etária predomina entre homens trans.

Entre mulheres trans e travestis, a incidência permanece distribuída ao longo da juventude. Entre homens trans, houve leve redução de 0,6% nas notificações, passando de 1.307 para 1.299 casos.

Já entre mulheres trans, o crescimento foi de 3,6%, alcançando 3.594 registros. Entre travestis, os registros aumentaram 4,1%, chegando a 682 notificações.

O componente racial também se destaca nesse recorte. Entre travestis, pessoas negras representam 67% das vítimas. No caso das mulheres trans, negros correspondem a 61% dos registros, contra 34% de pessoas brancas. Entre homens trans, pessoas negras somam 55% das vítimas, enquanto brancos representam 42%.

VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS

Os registros de violência contra pessoas com mais de 60 anos aumentaram 226,3% em 2024. Foram 30.097 notificações, o que equivale a 88,4 casos por 100 mil habitantes. A taxa de homicídios entre idosos foi de 5,9 por 100 mil habitantes, totalizando 2.007 mortes.

As mortes por quedas já superam os homicídios entre pessoas idosas, conforme destaca o Atlas. Desde 2000, os homicídios de homens idosos caíram 6,6%. As mortes decorrentes de quedas, por outro lado, cresceram 345%. Entre mulheres idosas, os homicídios recuaram 2,8%, enquanto os óbitos por queda dispararam 630%.

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