
BRASÍLIA, 18 de agosto de 2026 — O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mantinha um grupo no WhatsApp com dois servidores do Banco Central. As mensagens estão no celular dele e foram obtidas pela Polícia Federal.
O grupo se chamava “Master”. Participavam Belline Santana, chefe de supervisão bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto. Eles trocavam documentos, combinavam pressões e discutiam como evitar a liquidação do banco, que aconteceu em novembro de 2025.
Santana criou o grupo em 2 de outubro, 47 dias antes da liquidação. Vorcaro escreveu: “Criei esse grupo para facilitar nossa conversa”. Depois disso, os servidores revisaram ofícios do banco, agendaram reuniões e comentaram decisões internas do BC.
Em outubro, Vorcaro avisou que tinha amigos “dentro do Bacen” e que havia “pressão máxima” para tomar uma medida contra o Master. Além disso, os servidores orientaram o banqueiro sobre movimentações financeiras e pedidos de venda de ativos.
Em 5 de novembro, Vorcaro pediu ajuda com a Mastercard. No dia seguinte, antes de ser preso, ele perguntou se deveria ligar para o diretor Ailton de Aquino. Neves de Souza respondeu: “Liga e insiste”. Eles marcaram uma reunião para o mesmo dia.
Porém, enquanto conversavam com Vorcaro, os servidores tramitavam uma denúncia contra ele. Eles analisaram e autorizaram o envio do documento ao MPF e à PF no dia 10 de novembro. No dia 17, a Procuradoria-Geral do BC deu aval. Horas depois, a PF prendeu Vorcaro quando ele tentava embarcar para Dubai.
A PF suspeita que os servidores receberam vantagens. Santana teria um contrato de fachada para um estudo. Neves de Souza vendeu um sítio por R$ 4,8 milhões à empresa do cunhado de Vorcaro e teve uma viagem à Disney paga. O BC afastou os dois em janeiro de 2026.







