FUNDÃO

Metade do fundo eleitoral fica nas mãos de 5% dos candidatos

Fonte: O ESTADO DE S. PAULO
Compartilhe
Fundo eleitoral
Metade do fundo eleitoral distribuído nestas eleições ficou nas mãos de apenas 5% dos candidatos, conforme levantamento do Estadão com dados do TSE.

BRASIL, 03 de outubro de 2026 — O fundo eleitoral soma R$ 4,95 bilhões em 2026, dos quais R$ 4,82 bilhões foram distribuídos até o último domingo, 27. Segundo os números da Justiça Eleitoral, 873 políticos (4,56%) arrecadaram R$ 2,41 bilhões, metade do valor, em um universo de 19.125 candidatos com receitas registradas.

O tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados define quanto cada partido recebe de fundo eleitoral, mas a distribuição entre candidatos fica a critério das próprias legendas, com porcentuais mínimos destinados a mulheres e pessoas negras.

A prestação de contas das eleições revela que os partidos priorizaram candidatos à Presidência da República, governadores e parlamentares que já estão no Congresso Nacional na hora de financiar as campanhas.

O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, lidera o ranking do fundo eleitoral com R$ 65 milhões. Em segundo lugar, aparece Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 47 milhões.

Em seguida está Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, com R$ 19 milhões, e Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, com R$ 18,3 milhões.

Entre os candidatos ao Senado, a que mais recebeu dinheiro do fundo foi Simone Tebet, do PSB em São Paulo, com R$ 6,6 milhões, seguida de André do Prado, do PL em São Paulo, e Geraldo Rufino, do Podemos também em São Paulo, cada um com R$ 6 milhões.

Na lista de candidatos a deputado federal, três aparecem em primeiro lugar, cada um com R$ 3,176 milhões recebidos do fundo eleitoral: Rosana Valle (PL-SP), Pedro Aihara (PP-MG) e Socorro Neri (PP-AC). Todos são candidatos à reeleição.

“Essa é uma decisão que cabe ao partido e às direções desse partido. Esse acaba sendo hoje o grande gargalo da entrada de candidatos na política porque, para ter acesso ao dinheiro público, você precisa ter o apoio do dono do partido”, diz a diretora executiva da Transparência Brasil, Juliana Sakai.

Um levantamento da organização revela outras disparidades. Pessoas brancas receberam 60,4% dos recursos públicos na campanha, 10,2 pontos porcentuais a mais da proporção de candidatos brancos na eleição.

“Quando vemos essa concentração, vemos quem de fato tem mais chance de ter uma candidatura viável e se eleger. É muito difícil que ocorra renovação se não houver mudanças na forma como esses recursos são aportados”, afirma Sakai.

Para a Transparência Brasil, a raiz da desigualdade está nos comandos dos partidos. Alguns dirigentes presidem as legendas há décadas por meio de diretórios provisórios que na prática se tornam permanentes.

Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) limitou a quatro anos o funcionamento provisório dos diretórios, mas a decisão ainda precisa ser implementada pelas siglas.

“A grande questão é como esses donos do partido estão no poder. Os partidos são agremiações que recebem recursos públicos e que deveriam ter formas de eleger essas pessoas, mas as direções são provisórias desde sempre. Isso é uma forma de burlar uma democracia e uma escolha pelos membros do partidos formas de alternância de poder”, diz a especialista.

Compartilhe
0 0 votos
Classificação da notícias
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

Gostaríamos de usar cookies para melhorar sua experiência.

Visite nossa página de consentimento de cookies para gerenciar suas preferências.

Conheça nossa política de privacidade.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x