
BRASÍLIA, 11 de setembro de 2026 — Um relatório da Polícia Federal aponta o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), como possível “beneficiário final ou proprietário de fato” do fundo Arleen, ligado a negócios de sua família e abastecido com R$ 35 milhões relacionados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A apuração identificou movimentações envolvendo o Arleen e a Maridt, empresa familiar da qual Toffoli já confirmou ser sócio. A companhia teve participação no resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que também passou pelo fundo e entrou no radar das investigações sobre as relações de Vorcaro com o ministro.
Segundo a PF, o conjunto de documentos, mensagens e movimentações financeiras analisados levanta a hipótese de que Toffoli poderia ser o verdadeiro beneficiário dos ativos ligados ao Arleen. A conclusão aparece como linha investigativa e não significa que a suspeita tenha sido comprovada.
As movimentações de R$ 35 milhões também chamaram a atenção dos investigadores. Parte das informações analisadas envolve conversas de Vorcaro com Fabiano Zettel, seu cunhado, sobre pagamentos relacionados ao Tayayá e à estrutura financeira ligada ao empreendimento.
Outro ponto observado pela PF foi a mudança no controle do Arleen. Em fevereiro de 2025, o fundo passou para o empresário Alberto Leite, apontado como amigo de Toffoli.
No mês seguinte, o regulamento foi alterado para permitir investimentos no exterior. Posteriormente, ativos foram transferidos para uma holding registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Toffoli nega qualquer irregularidade. O ministro afirma que jamais recebeu valores de Vorcaro ou de Zettel e sustenta que nunca manteve, direta ou indiretamente, recursos nas Ilhas Virgens Britânicas.
Também afirma que as operações relacionadas à empresa familiar foram declaradas e tiveram origem lícita.







