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Mais de 30 facções criminosas disputam o controle da Amazônia

Fonte: OESTE
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Amazônia deixou de ser apenas uma rota para o tráfico de drogas e se transformou em uma das principais fronteiras de expansão do crime organizado na América.

AMAZÔNIA, 16 de julho de 2026  A Amazônia deixou de ser apenas uma rota estratégica para o tráfico internacional de drogas e se transformou em uma das principais fronteiras de expansão do crime organizado na América Latina.

A avaliação consta no estudo “From Narco Cartels to Criminal Networks: The Structural Transformation of Organized Crime in Latin America and the Caribbean“, divulgado pelo Instituto Igarapé.

Segundo o relatório, mais de 30 grupos criminosos atuam atualmente em toda a Bacia Amazônica. Além do narcotráfico, essas organizações expandiram suas atividades para garimpo ilegal, exploração de madeira, grilagem de terras, tráfico de animais silvestres, combustíveis, agricultura, logística e comércio internacional.

Para os pesquisadores, essas atividades passaram a integrar uma mesma economia criminosa, tornando os grupos mais resistentes às ações do Estado.

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Na avaliação de Robert Muggah, cofundador do Instituto Igarapé e coordenador do estudo, as facções passaram a controlar não apenas o tráfico de drogas, mas também atividades econômicas e territórios.

“Mais de 30 grupos armados operam em toda a Bacia Amazônica”, afirmou. “Em algumas áreas, eles cobram impostos de garimpeiros, controlam o transporte fluvial ou decidem quem pode trabalhar em terras disputadas. O ouro e a madeira ilegais agora geram renda e influência territorial”.

O estudo destaca que as organizações disputam rios, pistas clandestinas, áreas de mineração, comunidades e corredores logísticos usados para transportar drogas, ouro, madeira e outros produtos ilegais.

Além disso, diferentes economias ilícitas passaram a se complementar, permitindo que recursos de uma atividade financiem outra.

ECONOMIA FORMAL DA AMAZÔNIA E COMBUSTÍVEIS

O relatório também aponta a infiltração das organizações criminosas na economia formal. Segundo Muggah, o ouro extraído ilegalmente pode ser misturado ao legal antes de chegar ao mercado, dificultando o rastreamento. O mesmo ocorre com produtos agrícolas oriundos de áreas ocupadas ilegalmente.

No Brasil, o pesquisador destaca ainda a vulnerabilidade do setor de combustíveis. Segundo ele, o roubo e a adulteração geram prejuízo estimado em R$ 10 bilhões por ano ao varejo, enquanto grupos criminosos revendem combustível adulterado em postos legalmente registrados.

Os portos também preocupam os pesquisadores. Segundo o estudo, organizações criminosas recrutam funcionários, manipulam contêineres e utilizam empresas de fachada para enviar cocaína e outras mercadorias ilícitas ao exterior.

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