
BRASÍLIA, 28 de abril de 2026 — Raphael Sousa Oliveira, dono da página de fofocas Choquei, revelou à Polícia Federal que possui renda mensal de aproximadamente R$ 300 mil. Ele deu as declarações depois de ser preso em 15 de abril. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Narcofluxo.
O empresário admitiu também que omitiu valores recebidos em sua conta pessoal. Esses valores não foram declarados em versões passadas do Imposto de Renda. A ação da PF resultou na detenção de ao menos 34 pessoas. Entre os presos estão MC Ryan SP e MC Poze do Rodo.
A PF sustenta que Raphael atuou como o “operador de mídia” de uma organização criminosa. O grupo é suspeito de movimentar R$ 1,6 bilhão. Além disso, o esquema possui ramificações com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
O papel do dono da Choquei seria a gestão de imagem e a promoção digital da estrutura criminosa. A página possui mais de 27 milhões de seguidores no Instagram e 9 milhões no X. Segundo a PF, a Choquei divulgou conteúdos favoráveis aos investigados.
Raphael também teria atuado na contenção de crises. Ele também promoveu plataformas de apostas ilícitas, de acordo com as investigações.
NEGAÇÃO DE ENVOLVIMENTO
No depoimento, o empresário negou o envolvimento com o caso. Raphael justificou que atua há 12 anos no ramo de publicidade e marketing. Ele vende espaços publicitários em páginas para contratantes diversos.
O investigado afirmou que “não é assalariado”. Ele disse que o faturamento da empresa é transferido diretamente para suas contas de pessoa física. A PF questionou Raphael sobre sua proximidade com outros alvos da operação, como os funkeiros presos.
O empresário afirmou que sua relação com MC Ryan SP é estritamente profissional. Ela se limita à contratação de publicidade. Sobre MC Poze do Rodo, Raphael declarou conhecê-lo apenas pelas redes sociais.
PERFIS E MOVIMENTAÇÃO
Enquanto o perfil pessoal de Raphael Sousa no Instagram permanece indisponível, as contas oficiais da Choquei seguem ativas. As investigações da Polícia Federal apontam a existência de uma organização estruturada para lavar dinheiro.
Dos R$ 1,6 bilhão movimentados, cerca de R$ 790 milhões tiveram origem em repasses de facções criminosas. Também vieram de rifas ilegais e depósitos em espécie sem identificação de origem.
Raphael Sousa e outros investigados chegaram a ter habeas corpus deferido em 23 de abril. Porém, a decisão foi superada depois de novo pedido de prisão temporária apresentado pela Polícia Federal.
A PF segue analisando os dados bancários e as conexões digitais.







