
BRASIL, 10 de julho de 2026 — A China firmou em taxar em 55% toda importação de carne bovina que ultrapasse as cotas estabelecidas para cada país, e o Brasil está a poucas semanas de atingir o limite. Segundo análise da consultoria StoneX, o país havia preenchido 98,5% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas até o fim de junho, considerando o volume embarcado.
O saldo restante deve ser zerado em agosto, levando em conta o prazo médio entre o embarque no Brasil e a chegada da carga aos portos chineses.
A partir daí, qualquer embarque adicional passará a pagar 67% de tarifa total, a soma dos 12% originais com a sobretaxa de 55%, tornando o produto brasileiro inviável no principal mercado consumidor da proteína nacional.
A China é o destino de 52% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil. Em 2025, o país enviou 1,68 milhão de toneladas ao mercado chinês, volume 35% maior do que a cota estabelecida para 2026.
A diferença entre o que o Brasil costumava exportar e o que pode exportar agora sem sobretaxa representa cerca de 580 mil toneladas anuais, volume que precisa ser redirecionado ao mercado interno ou a outros destinos internacionais.
A Abiec estima que as exportações totais de carne bovina em 2026 podem cair até 10% em relação ao ano anterior, com impacto de até 3 bilhões de dólares, equivalentes a 16,5 bilhões de reais, na receita do setor.
O efeito chegou antes do esgotamento da cota. Dezenas de frigoríficos já paralisaram a produção destinada ao mercado chinês e concederam férias coletivas aos trabalhadores, segundo relatos da indústria.
Com mais carne disponível no mercado interno, há pressão baixista sobre os preços pagos ao produtor, pelo menos no curto prazo.
A inadimplência entre produtores rurais havia atingido 8,1% no segundo trimestre de 2025, o maior índice desde o início da série histórica da Serasa Experian, antes mesmo da cota chinesa começar a apertar.







