Mais de 30 bandidos não voltam após saidinha de Páscoa

bandidos foragidos

SÃO LUÍS, 25 de abril de 2025 – A tradição da Semana Santa inclui renovação espiritual, reencontro familiar e, aparentemente, para alguns bandidos da Ilha de São Luís, uma oportunidade de dar novo rumo à vida – longe das grades. Dos 718 presos que receberam o benefício da saída temporária, 38 decidiram que o período de reflexão não precisava, afinal, terminar tão cedo. O prazo para retorno era 22 de abril, mas três dias depois, as celas continuam vazias. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) classifica os faltosos como “foragidos da Justiça”, sujeitos a regressão de regime e outras sanções. Mas os números sugerem que o risco não tem sido suficiente para frear a política de liberações: em 2024, 37 dos 752 bandidos (4,9%) já haviam “estendido” suas saídas sem aviso prévio.

Supremo Tribunal Federal condena Débora “do batom”

Débora batom

SÃO PAULO, 25 de abril de 2025 – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta sexta (25), para condenar Débora Rodrigues dos Santos, acusada de pichar a estátua “A Justiça”, localizada em frente ao prédio da Corte. O julgamento gira em torno da frase “Perdeu, mané”, escrita durante os atos de 8 de janeiro. Embora o conteúdo da pichação já tenha sido apagado, o impacto simbólico parece permanecer em mármore. A condenação de Débora já é considerada certa. A dúvida agora é apenas o quão longa deve ser sua estadia longe da liberdade. A pena pode variar entre 1 ano e 14 anos de prisão, a depender do ministro. O relator, Alexandre de Moraes, e o ministro Flávio Dino defenderam pena de 14 anos. Já Luiz Fux propôs 1 ano e 6 meses, enquanto Cristiano Zanin sugeriu 11 anos.

Havan sofre boicote por patrocinar atleta trans

Havan cancelamento

SÃO PAULO, 25 de abril de 2025 – A Havan, rede varejista comandada por Luciano Hang, passou a ser alvo de uma campanha de boicote após ser citada como patrocinadora do time de vôlei Osasco, que conta com a jogadora Tiffany, mulher trans. A convocação partiu da associação MATRIA Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil, entidade com atuação nacional voltada à defesa dos direitos de mulheres e crianças. A entidade questiona a presença de Tiffany na Superliga Feminina desde 2017, ano em que a Liga Nacional de Vôlei Brasileira passou a permitir a participação de atletas trans, seguindo normas do Comitê Olímpico Internacional quanto aos níveis de testosterona. Embora a atleta esteja dentro dos parâmetros exigidos, o debate reacendeu com a fala do médico João Granjeiro, coordenador da Comissão Nacional de Médicos do Voleibol. Na declaração, Granjeiro ressaltou que, mesmo com testosterona controlada, há diferenças estruturais: “Ela nasceu homem e construiu seu corpo, músculos, ossos e articulações com testosterona alta. É só olhar para a atleta: alta e muito forte.” O médico ainda lembrou que a modalidade adota redes com alturas diferentes para homens (2,43 m) e mulheres (2,24 m), em razão da diferença física entre os sexos. A associação MATRIA aponta que o patrocínio ao time é um desrespeito às atletas mulheres, afirmando que “o impacto da biologia é inegável” e que a contratação de Tiffany compromete a justiça esportiva. A crítica, no entanto, não se limitou à empresa. A entidade também mencionou a Riachuelo, que recentemente passou a adotar provadores unissex em suas lojas, como outro exemplo de postura considerada incoerente com o discurso de defesa de valores tradicionais.

Iracema Vale prestigia selo dos 40 anos da redemocratização

iRACEMA COMEMORAÇÃO

SÃO LUÍS, 25 de abril de 2025 – A presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputada Iracema Vale (PSB), participou, na noite de quinta (24), da cerimônia de lançamento do selo em comemoração aos 40 anos da redemocratização do Brasil. O evento foi realizado no Convento das Mercês, em São Luís, e prestou homenagem ao ex-presidente José Sarney, que completou 95 anos. A solenidade foi promovida pelos Correios, em parceria com o Ministério das Comunicações. O selo, apresentado pela primeira vez na capital maranhense, reconhece o papel de Sarney na transição do regime militar para a democracia e destaca a participação do Maranhão nesse processo político nacional. Durante o evento, Iracema Vale destacou a importância do reconhecimento àqueles que contribuíram para a reconstrução institucional do país. Segundo a parlamentar, celebrar a redemocratização é também valorizar os líderes que conduziram o Brasil de volta à normalidade democrática.

Moraes manda prender ex-presidente Fernando Collor

Collor preso

MACEIÓ, 25 de abril de 2025 – A prisão do ex-presidente Fernando Collor na madrugada desta sexta-feira (24) confirma uma tendência peculiar da política brasileira: a de que ocupar o Palácio do Planalto pode, eventualmente, levar a uma estadia na cadeia. Com sua condenação a oito anos e dez meses por corrupção na BR Distribuidora, o ex-presidente agora integra um seleto grupo de ex-mandatários que, desde a redemocratização, foram presos. Antes dele, Michel Temer (MDB) e Lula (PT) já haviam feito o mesmo trajeto – cada um com seu próprio estilo. Temer, preso preventivamente em 2019 na Operação Descontaminação, enfrentou acusações de liderar um esquema de propinas na construção da usina Angra 3.

Câmara cassa Brazão, mas livra deputado da inelegibilidade

Brazão livre

BRASÍLIA, 25 de abril de 2025 – A decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados de cassar o mandato de Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) por faltas reiteradas a sessões plenárias teve um efeito colateral notável: livrou o parlamentar, pelo menos por ora, da inelegibilidade que o atingiria se fosse cassado por decisão do plenário. Enquanto uma cassação por quebra de decoro parlamentar — que exige aprovação do Conselho de Ética e confirmação por 257 votos — tornaria Brazão inelegível por oito anos, a justificativa usada pela Mesa se limitou ao dispositivo constitucional que permite a perda de mandato por ausências não justificadas. Uma diferença sutil, mas decisiva para os direitos políticos do deputado. Brazão, preso desde março de 2024 como um dos investigados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), acumulou 105 faltas sem justificativa — 73 no ano passado e 32 em 2025.

Santinhos com erro teriam enganado 2 mil eleitores em Caxias

Santinhos caxias

CAXIAS, 25 de abril de 2025 – A distribuição de santinhos de campanha com números trocados levou, segundo denúncia, à anulação de mais de 2,4 mil votos nas eleições de 2024 em Caxias, no Maranhão. O caso é alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), que aponta abuso de poder político e econômico. A acusação tem como alvos o prefeito Gentil Neto (PP) e seu tio, o ex-prefeito Fábio Gentil, atual secretário de Agricultura e Pecuária do estado. A ação, apelidada de “Aije dos Santinhos”, foi apresentada pelo partido Podemos. Segundo a acusação, os materiais falsos teriam sido estrategicamente espalhados na cidade na véspera do pleito. Os investigados, por coincidência, ocupam cargos de destaque no Executivo estadual e municipal. De acordo com a peça acusatória, santinhos e cartazes com fotos dos candidatos Paulinho, Daniel Barros e até do ex-presidente Jair Bolsonaro foram impressos com números errados. A gráfica responsável seria a Editora Timonense Ltda., localizada em Timon (MA), de propriedade de João da Cruz Silva e Paulo Pinheiro de Melo Filho.

O longo caminho do ‘Fora Sarney’ ao ‘Parabéns, presidente’

Sarney Artigo

Sarney completa 95 anos neste 24 de abril. Pois bem, quem tem mais de 30 anos e nunca agitou um cartaz berrando “Fora Sarney” que atire a primeira pedra da ignorância estudantil. Eu mesmo, ativista de passeata universitária e camiseta surrada do Che, passei alguns anos cuspindo slogans contra o “culpado por nossa miséria”. Era simples: se faltava merenda na escola ou asfalto no bairro, a culpa era dele; se havia engarrafamento ou atraso no ônibus, a culpa era dele; se a cerveja esquentava, coloca a culpa no Bigode – foram anos de adestramento em sala de aula pelo MEC servido como feijão ralo. Eu, jovem maiobeiro ressentido em busca de vilão, engoli tudo sem mastigar. Hoje, adulto, vivido e instruído, percebo a realidade dos fatos: Sarney é o maior de nós, por isso recaiu nos ombros dele toda a responsabilidade que deveria ser de todos. O sol, meus caros e caríssimas, é um detergente cruel: ao clarear, revela a ferrugem das narrativas mais longevas. Lá pelas bandas de 2006, conforme os anos correram, pulei da teoria revolucionária para o boleto de fim do mês e descobri que o bode expiatório de nossos problemas na verdade era a cabra de pedigree. Muito dessa percepção foi começando a viver política e observar a política. Constatei que quem apontava dedos contra José Sarney não aguentaria entregar 5% do que exigia dele. Demorou, mas comecei a observar que de um  de um lado, o escritor consagrado em livrarias e academias, o político que pilotou a redemocratização sem disparar um tiro, o pai que conduziu a filha para o feito histórico de ser a primeira mulher eleita governadora do Brasil. Do outro, uma fauna de fracassados que coleciona diplomas de ressentimento e não enche uma página no almanaque de feitos. “Ah, Linhares. Para com isso. O Maranhão é assim por causa dele”, diz aquele que ocupa meu antigo lugar de manipulado. Vamos lá! Sarney assumiu o Maranhão em 1966, quando o estado já era o lanterninha da federação – não o paraíso que os arautos da nostalgia juram perdido. Sarney é culpado por uma tragédia que já acontecera antes dele. Assunto encerrado! O que queriam? Esperavam que, num passe de mágica, ele instalasse um Éden com ar-condicionado? Vieram depois dele treze governadores. Nada de Éden, só mais poeira e pindaíba. Ainda assim, só o velho José continua pagando a conta moral desse fiasco coletivo. É a loteria da culpa: ganha sempre quem tem mais brilho para ofuscar os medíocres. Agora uma verdade amarga e direta para dar uma chacoalhada. O Maranhão não é culpa de Sarney. É culpa dos maranhenses. Até onde não é citado Sarney foi colossal. A tal pauta feminista, por exemplo. Antes de hashtags fáceis e lacrações gourmet, Sarney já plantava tijolos de verdade no empoderamento feminino: auxiliou a filha Roseana a chegar no topo quando muito macho e fêmea progressista ainda engatinhavam no discurso. Resultado? Roseana governadora viu a turma “desconstruída” responder à sua ascensão com ataques tão baixos que deveriam ser proibidos para menos de 35 anos. Ironia fina: o patriarca conservador virou o pioneiro da igualdade entre homens e mulheres na política e seus detratores só foram entender a coisa décadas depois, via tutorial no Instagram. O mundo é uma graça! E não pense o leitor que troquei o crachá de crítico alienado pelo de bajulador em transe; minhas rugas de desacordo com Sarney não cabem no status de fã incondicional. Detestei sua inflação galopante empacotada em “Nova República”, torci o nariz para o bordão “Tudo pelo social” que cheirava a socialismo de gabinete, e ainda hoje engasgo quando ele abraça certos movimentos progressistas como se fossem a salvação — sem falar na convicção, que não partilho, de que o 8 de janeiro foi tentativa de golpe orquestrado. Sim, coleciono divergências suficientes para evitar qualquer fanatismo. Mas nenhuma delas é larga o bastante para eclipsar a basílica de feitos que ele ergueu: aqui e ali existem fissuras, algumas colunas rangem, porém a catedral continua imponente demais para ser demolida por minhas ressalvas pessoais. Hoje, aos 95, Sarney coleciona flores de ex-adversários e uma romaria crescente em direção ao Murano. Eles descobriram tardiamente o preço da grandeza: escrever romances traduzidos mundo afora, promulgar a Constituição de 1988 e ainda encontrar tempo para ser unanimidade em rodas que antes o queriam no paredão. Querem imitá-lo? Boa sorte: legado não se plagia. É manuscrito único, tinta que dinheiro nenhum compra. O fato é que, no fundo do bar, entre um gole de indignação morna e outro de inveja quente, os mais ruidosos críticos de José Sarney fariam pacto com o diabo para vestir o paletó de linho branco do “oligarca” que eles juram detestar. Sim, esses que carimbaram Sarney de todas as infâmias — coronel, atraso, bigode — traem-se num desejo mal disfarçado de possuir o currículo que fingem desprezar. Querem o brilho do acadêmico, o poder do estadista, a posteridade talhada em mármore — mas sobram-lhes apenas lamúrias azedas e teses que mofam em prateleiras esquecidas. Porque grandeza, meus caros e caríssimas, não é tatuagem de boutique; é cicatriz rara, esculpida em décadas de história que os ressentidos jamais terão coragem de viver. Aprendi, enfim, que a inveja é algo comum, mas não muito resistente quando o invejado é forte. Ela tende a derreter diante de uma biografia que atravessa gerações como lâmina afiada. José Sarney continua de pé, provavelmente sem dar a mínima para o circo de forjado por seus detratores. Aos arrependidos, só resta admitir: o bode expiatório virou lenda – e a horda ficou pequena demais para enxergar a própria pequenez. De um ex-crítico manipulado que transformou-se em admirador sóbrio, feliz aniversário, presidente. Longa vida a José Sarney, a Lenda!

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