Berthier manobra para vetar líderes de direita em evento de Bolsonaro

SÃO LUÍS, 22 de setembro de 2026 — Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que algumas lideranças de direita ficaram fora das listas de acesso ao evento de Flávio Bolsonaro nesta terça (22), em São Luís. Segundo os relatos, a suposta manobra teria ocorrido na organização das listas e seria atribuída a Flávia Berthier para concentrar espaço político no ato. A vereadora de São Luís e candidata a deputada federal pelo PL, Flávia Berthier participou da articulação local da agenda e divulgou a mobilização com o slogan “Quem é Flávio, é Flávia”. De acordo com a denúncia recebida, determinados nomes teriam sido deixados de fora das listas oficiais. Assim, algumas lideranças não teriam recebido o acesso esperado. Elas interpretam a situação como uma tentativa de Flávia Berthier de ampliar seu protagonismo durante a passagem de Flávio Bolsonaro. As lideranças atingidas, segundo os relatos, evitam tornar o episódio público porque temem prejudicar a campanha presidencial. Além disso, afirmam nos bastidores que existe incômodo com a condução da organização e com o espaço ocupado por Flávia Berthier na mobilização. Uma das pessoas a tornar isso público, no entanto, foi a deputada Mical Damasceno. “[…] Mesmo assim, nós vamos estar na motociata. […] Tão nos barrando aqui na recepção […] e vão falar do nosso presidente hoje. Mas, engraçado, nós tem é povo. É isso que importa. Eu já vim com o meu coração já blindado e preparado que poderia acontecer isso.”
Advogada do Master bancou viagem de Kassio e contratou Safadão

BRASÍLIA, 22 de setembro de 2026 — Próxima do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), a advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Newton Ramos, bancou uma viagem do magistrado para Maceió. Segundo mensagens que constam no celular de Daniel Vorcaro, o Banco Master firmou com o escritório de Camilla um contrato para a liberação de pagamentos de precatórios cujos honorários poderiam chegar a R$ 427 milhões. Diálogos obtidos pela Polícia Federal (PF) mostram que Camilla e o desembargador eram definidos por assessores de Daniel Vorcaro como a “turma do KN”, em referência a Nunes Marques. Além de custear favores de luxo para o ministro do STF, Camilla chegou a contratar o cantor Wesley Safadão para a celebração de 15 anos da filha. Como revelou o portal Metrópoles nesta segunda-feira (21), o contrato estabelecia o pagamento de 5% em honorários líquidos de êxito sobre o valor recebido em 12 processos, estimado em R$ 8,5 bilhões. As mensagens exibidas pelo Metrópoles vão do final de 2024 a maio de 2025. Nesse meio tempo, em fevereiro de 2025, a advogada promoveu uma festa de 15 anos para sua filha em Brasília, conforme divulgado pelo jornal Estadão. O evento, exibido nas redes sociais da advogada, teve Wesley Safadão como atração surpresa no ano passado. Um dos diálogos divulgados pelo Metrópoles mostra Camilla enviando a Vorcaro uma mensagem em que comemora a “grande vitória” em um julgamento de precatórios de interesse do Master no Supremo, em junho de 2025. Ela destaca ao banqueiro o “excelente voto de Nunes Marques”. Kassio confirmou que em novembro de 2025 viajou em um avião pago por Camilla. O destino foi Maceió, para a festa de aniversário da advogada. O ministro afirmou que a relação tem “caráter pessoal”, sem contrapartidas por sua atuação no Supremo. Anteriormente, conversas extraídas do celular do banqueiro mostraram que ele custeou uma mansão para o “ministro KN” passar o carnaval de 2025 no Rio de Janeiro. Camila, que confirmou a estadia, também esteve presente na casa acompanhada do marido. Newton tratava com intermediários de Vorcaro hospedagens em hotéis de luxo para Kassio. Em outro diálogo revelado pelo Metrópoles, uma assessora encaminha ao banqueiro uma mensagem em que o desembargador atribui ao magistrado o pedido de uma reserva: “Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo sábado. Recebi essa mensagem do Newton. OK para você?”, escreve a assessora, e Vorcaro responde: “Pode botar na minha conta”. Procurado pela equipe da coluna, Newton destacou, em nota, que ele e Camilla já mantinham uma “relação pessoal” com Vorcaro “antes dos fatos ora objeto de investigação”, e afirmou nunca ter julgado “qualquer causa” de interesse do Banco Master. Já o Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, do qual Camilla é sócia, afirmou que “sempre manteve relação profissional com o Banco Master, mediante contrato formal e escrito, para prestação de serviços jurídicos em processos envolvendo precatórios adquiridos pela referida instituição financeira”. Em nota, o escritório ressaltou que nenhum dos casos em que atua se encontra em tramitação no STF. “Vale destacar que o escritório não possui qualquer vínculo com o ministro Kassio Nunes Marques. Toda a atuação de Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia em defesa do Banco Master ocorreu regularmente, dentro dos limites legais e mediante a devida habilitação nos respectivos processos”, diz outro trecho do comunicado. Continue lendo…
Subsecretário morre após acidente em carreata de Braide em Riachão

IMPERATRIZ, 22 de setembro de 2026 — O dentista e servidor municipal Dudu Fiquene morreu após ser atingido por um veículo usado para transportar equipamento de som durante uma carreata política em Riachão. O ato reunia Eduardo Braide, André Fufuca e o prefeito Rildo Amaral. Informações iniciais apontam que o acidente ocorreu durante a movimentação do evento. Dudu Fiquene era conhecido na cidade como Eduardo Massoli Braga. Registros públicos mostram que ele já disputou uma vaga de vereador em Imperatriz e ocupava cargo na administração municipal. Além disso, documentos acadêmicos confirmam sua formação em Odontologia. Segundo as primeiras informações, Dudu Fiquene teria sido atingido pelo veículo que transportava o sistema de som da carreata e não resistiu aos ferimentos. A dinâmica exata ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades. Publicações de campanha confirmam que Braide e Fufuca realizavam mobilização eleitoral em Imperatriz. Dudu Fiquene também integrava uma família conhecida na política maranhense. O relato inicial o aponta como neto do ex-prefeito de Imperatriz e ex-governador José de Ribamar Fiquene, além de sobrinho de Zenira Massoli Fiquene. Ribamar Fiquene comandou a Prefeitura de Imperatriz e posteriormente governou o Maranhão. As autoridades ainda deverão esclarecer como ocorreu o acidente e as circunstâncias da presença de Dudu Fiquene no local.
Planilha de Vorcaro cita R$ 1 milhão a ex-cunhado de Gilmar

BRASÍLIA, 22 de setembro de 2026 — Mensagens obtidas pelos investigadores do caso Master mostram que o empresário e pastor Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do seu cunhado, o banqueiro Daniel Vorcaro, tinha em seu celular uma planilha com uma “lista dos pagamentos pendentes” que incluía o repasse de R$ 1 milhão ao empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 10 de janeiro de 2025, Zettel encaminhou a Vorcaro uma lista de pagamentos pendentes, que citava “FA (Chiquinho)” junto com o valor de R$ 1 milhão, referente aos meses de dezembro e janeiro. Chiquinho é sócio-administrador da F&A Empreendimentos Imobiliários e da F&A Consultoria em Gestão Empresarial e Logística e Transporte, o que confirma os indícios de que os pagamentos eram mesmo para ele. Chiquinho é ex-senador, ex-deputado federal e presidente do Republicanos no Ceará, com atuação no setor de transportes. Na época do envio da planilha de pagamentos, ele ainda era cunhado de Gilmar. O ministro se divorciou da advogada Guiomar Feitosa, irmã de Chiquinho, em novembro de 2025, ou seja, onze meses após Zettel compartilhar a planilha de pagamentos com Vorcaro. Procurado pela equipe da coluna na última segunda (21), Chiquinho não se manifestou. Na última quinta (17), Chiquinho disse ao blog que teve um contrato de “curto período” com a Super Empreendimentos, do ecossistema do Master, mas não esclareceu o período de vigência, o valor nem o escopo de atuação. Segundo a Folha de S. Paulo, o montante era de R$ 500 mil mensais. A planilha que Zettel enviou a Vorcaro incluía despesas com aeronaves, condomínios, impostos atrasados (R$ 1,7 milhão) e R$ 1,5 milhão a “Bellini”, em referência ao ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central (BC), Belline Santana, que recebia dinheiro de Vorcaro para agir a favor do banco, segundo os investigadores. Continue lendo…
PF mira esquema de fraude em benefícios previdenciários no MA

MARANHÃO, 22 de setembro de 2026 — A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça (22) a Operação Laudo Cego para investigar uma suspeita de fraude em benefícios por incapacidade temporária. A ação ocorre no Maranhão e em outros cinco estados, após a PF identificar indícios de concessões indevidas e possíveis prejuízos aos cofres públicos. Até agora, 172 benefícios são considerados potencialmente fraudulentos. Segundo a investigação, o grupo teria servidores públicos, profissionais da saúde, contadores, empresários e intermediários. Além disso, a PF apura laudos médicos falsos, vínculos de emprego fictícios e dados inseridos de forma irregular nos sistemas previdenciários. A inteligência previdenciária estima prejuízo de cerca de R$ 6,57 milhões. A suspensão dos pagamentos considerados indevidos também pode evitar novas perdas de aproximadamente R$ 1,01 milhão. A operação integra a Força-Tarefa Previdenciária e conta com apoio do Ministério da Previdência Social. Cerca de 150 policiais cumprem 39 mandados de busca e apreensão em nove cidades do Maranhão e em municípios do Rio Grande do Sul, São Paulo, Pará, Piauí e Ceará. A Justiça também autorizou quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de bens e proibição de contato entre investigados. A Operação Laudo Cego surgiu a partir da Operação Camisaria, realizada em setembro de 2024. A análise do material apreendido apontou sinais de um esquema estruturado. Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por estelionato previdenciário, falsificação, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Vorcaro adquire R$ 450 milhões de advogada ligada a Gilmar

BRASÍLIA, 22 de setembro de 2026 — Daniel Vorcaro comprou R$ 451,3 milhões em precatórios ligados ao setor sucroalcooleiro pertencentes ao escritório Alves Corrêa & Veríssimo, da advogada Dalide Corrêa. Depois, tentou dar parte desses papéis sem liquidez para quitar dívida de mais de R$ 210 milhões com o Fisco. Dalide entrou no noticiário na semana passada, depois que o Estadão revelou que auditoria interna do BRB considerou atípicos pagamentos de R$ 33 milhões do Master ao escritório dela em apenas um ano. Os precatórios eram relativos à cobrança da empresa Una Agroindustrial S.A contra a União por indenização referente aos prejuízos provocados pelo congelamento de preços do açúcar e do álcool em patamares inferiores aos custos de produção, entre 1985 e 1992. Empresas do setor, desde então, cobram que a União compense o prejuízo causado pela medida, em ações que podem somar até R$ 154 bilhões. As usinas conseguiram diversas vitórias nas últimas décadas, mas em 2020 o STF estabeleceu que as indenizações devem ser calculadas sobre o prejuízo efetivo de cada caso, uma conta complexa para ser feita tanto tempo depois. Isso adiou a expectativa de pagamento e naturalmente reduziu o valor de mercado dos papéis. Vorcaro, como se sabe, abasteceu os balanços dos bancos e de fundos ligados ao Master com esse tipo de precatórios, comprados quando estavam desvalorizados. A estratégia parecia ser utilizá-los para inflar os resultados do conglomerado, a partir da supervalorização dos papéis no balanço, e buscar influenciar decisões que dessem liquidez aos precatórios. Foi o que ele fez com os precatórios da Una Agroindustrial, expedidos após a 6ª Vara Federal Cível do Distrito Federal determinar que a União depositasse R$ 1,504 bilhão em conta judicial. O escritório de Dalide Corrêa, que atuou no caso e conseguiu a vitória, ficou com 30% disso, a serem pagos em precatórios específicos, de R$ 451,3 milhões. Mas os precatórios perderam valor em 21 de junho de 2022, quando o TRF-1 determinou a suspensão da decisão de primeiro grau. No dia seguinte, o escritório de Dalide vendeu seus precatórios para o fundo SSA FIDC, integrado à estrutura da Reag. O valor da transação não aparece na escritura de compra e venda. Quando Vorcaro comprou os papéis da SSA, em 30 de março de 2024, eles já tinham valor comercial ainda menor, porque outra decisão judicial, da própria 6ª Vara Federal Cível do DF, havia determinado o cancelamento definitivo de todos os precatórios da ação e a devolução ao Tesouro do R$ 1,531 bilhão depositado pela União em contas judiciais. De acordo com o contrato entre Vorcaro e o fundo da Reag, obtido pela coluna, a transação aconteceu pelo valor de face e só seria paga se os papéis fossem aceitos pela Receita Federal como moeda de pagamento de dívida de R$ 210 milhões do Imposto de Renda Pessoa Física do banqueiro. Três dias depois, ele entrou com ação pedindo que a Receita fosse obrigada a aceitar os papéis para quitar o calote no Fisco. A Receita concluiu, porém, que o crédito não atendia à exigência de ser líquido e certo, reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. O pleito ainda não foi julgado.
STF manda Maranhão ajustar plano do Cadastro Ambiental Rural

BRASÍLIA, 22 de setembro de 2026 — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na sexta (18) que o Maranhão faça ajustes no plano de aprimoramento do Cadastro Ambiental Rural. A decisão ocorreu na ADPF 743. O relator reconheceu avanços nas medidas adotadas, mas apontou que ainda existe grande quantidade de cadastros sem análise. O Maranhão terá 40 dias corridos para apresentar informações adicionais ao STF. Entre elas estão o termo de referência, a fonte de recursos e o cronograma da força-tarefa prevista para analisar o Cadastro Ambiental Rural. Além disso, o estado deverá informar quantos cargos do concurso de 2027 serão destinados a essa atividade. André Mendonça também exigiu uma matriz de riscos com probabilidade, impacto, responsáveis e medidas para reduzir eventuais problemas. O Maranhão deverá apresentar ainda um cenário alternativo para cumprir as metas caso a análise dinamizada federal do Cadastro Ambiental Rural não seja implementada. A decisão aponta desafios ligados à estrutura necessária para diminuir o estoque de registros pendentes. Entre eles estão recursos humanos, suporte tecnológico e definição de fontes de financiamento. Portanto, o estado deverá detalhar como pretende executar as ações e reduzir o passivo do Cadastro Ambiental Rural. O acompanhamento ocorre sob supervisão do STF, que busca padronizar informações e medir o avanço dos estados na análise dos cadastros. Dessa forma, o Maranhão terá de apresentar dados que permitam acompanhar as metas, os riscos e os resultados das medidas propostas.
Moraes declara impedido em ação que envolve esposa e Vorcaro

BRASÍLIA, 22 de setembro de 2026 — O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se declarou impedido nesta segunda (21) para relatar um processo que envolve sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes havia sido sorteado relator da ação. Em despacho assinado nesta segunda-feira, porém, o ministro se declarou impedido de atuar no caso, com base no artigo 144, inciso IV, do CPC (Código de Processo Civil). Ele determinou o envio dos autos à Presidência do STF para a redistribuição do processo, conforme as regras internas da Corte. Na ação, o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR) pede acesso aos registros de entrada no Senado Federal de diversas pessoas incluindo, além de Vorcaro e Viviane, nomes como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. ENTENDA A ação foi inicialmente movida por Kilter na Justiça Federal do Paraná após o Senado negar, via LAI (Lei de Acesso à Informação), o acesso aos registros. No entanto, como o vereador apontou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), como o responsável no processo judicial, o caso foi remetido ao STF. Ao analisar o caso, a juíza da 1ª Vara Federal de Curitiba Thaís Sampaio Machado afirmou que a competência para julgar uma ação é definida pela autoridade apontada como coatora. Como Kilter indicou o presidente do Senado, que possui foro privilegiado, a magistrada entendeu que o processo deve ser julgado pelo STF. “Sendo o Presidente do Senado Federal o representante máximo e integrante da Mesa Diretora daquela Casa Legislativa, a competência originária para apreciar o presente mandamus contra ato a ele atribuído ultrapassa à jurisdição desta Justiça Federal de primeiro grau, recaindo exclusivamente sobre a Suprema Corte”, diz a juíza em despacho que reconheceu a “incompetência absoluta” da Justiça Federal do Paraná. Com isso, o processo foi protocolado na Suprema Corte e, seguindo o rito usual, um relator foi sorteado entre os dez ministros. Esse seria o primeiro caso envolvendo sua esposa e Banco Master que Moraes atuaria, já que o processo sobre o banco tramita na Segunda Turma, colegiado do qual ele não faz parte.

