Candidatos do PT e Missão omitem redes e driblam regra do TSE

BRASIL, 31 de agosto de 2026 — Candidatos do PT e do Missão em São Paulo encontraram um jeito de furar a regra eleitoral. Eles informaram ao Tribunal Regional Eleitoral apenas a arroba dos perfis, sem especificar a rede social. Então, o TSE não consegue repassar a lista completa às plataformas. Por isso, o Instagram continua recomendando essas contas para usuários que não as seguem. A lei proíbe essa recomendação durante a campanha. Mas, sem o endereço completo, as plataformas não sabem quais perfis bloquear. Gabriel Piauhy (Missão), por exemplo, tem mais de 250 mil seguidores no Instagram. Ele escreveu apenas “gabrielpiauhysp” no formulário. Pedro Tourinho (PT) fez o mesmo com “TourinhoPedro”. Os dois usam a mesma arroba em várias redes. O TSE afirma que a informação incompleta viola a lei e pode gerar multa. O tribunal já enviou orientações a partidos e regionais. A Meta diz que atualiza os dados conforme recebe e conversa com o TSE para melhorar o processo. O PT paulista reconheceu o erro e promete corrigir. O Missão não comentou.
Maranhenses seguem na faixa de 1% na corrida presidencial

BRASIL, 31 de agosto de 2026 — Dois maranhenses disputam a Presidência da República em 2026 com baixo desempenho nas pesquisas. Hertz Dias, do PSTU, e Edmilson Costa, do PCB, concorrem em todo o país com propostas socialistas e críticas ao modelo econômico. Hertz chegou a 2% no levantamento mais recente do PoderData. Hertz Dias, de 55 anos, nasceu em São José de Ribamar e é professor de história da rede pública do Maranhão. Também atua no movimento negro e na cultura hip-hop. Ele entrou no PSTU em 2010 e já disputou eleições para vice-governador, vice-presidente, prefeito de São Luís e governador. Em 2026, Hertz concorre à Presidência com Vanessa Portugal como vice. O programa do PSTU defende o fim da escala 6×1 sem redução salarial, jornada de 36 horas e revogação das reformas trabalhista e da Previdência. Além disso, propõe maior controle estatal de setores estratégicos. Seu número é 16. Edmilson Costa, de 76 anos, nasceu em Pedreiras e é economista, escritor e militante do PCB. Doutor em Economia pela Unicamp, participou do movimento estudantil e da oposição à ditadura. Depois, disputou eleições para prefeito, vice-presidente, vice-prefeito e senador por São Paulo. Agora, Edmilson concorre ao Planalto com Cleusa Santos como vice. Sua plataforma também é socialista e critica o sistema financeiro e o modelo neoliberal. O candidato defende estatização de setores estratégicos e maior controle popular sobre decisões políticas e econômicas. Seu número é 21.
Toffoli suspende campanha de Renan Santos à Presidência

BRASÍLIA, 31 de agosto de 2026 — O ministro Dias Toffoli, relator do caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu as campanhas de Renan Santos (Missão) à Presidência e de Aroldo Medina à vice. A decisão tomada no domingo (30) e publicada nesta segunda (31) suspende atos de campanha na internet, repasses de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e a participação do candidato em debates. Em contato com a Jovem Pan, o candidato do Missão reagiu à decisão e disse ser “um absurdo”. “É uma decisão de ofício que derruba uma campanha inteira. Um absurdo”, disse Renan Santos à Jovem Pan. A medida de domingo aconteceu no dia seguinte ao magistrado retirar de pauta do processo de registro de candidatura do candidato do Missão. “Em petições apresentadas em 19/8/2026, os candidatos componentes da chapa, Renan Antônio Ferreira dos Santos e Aroldo Medina (vice do candidato do Missão) informaram o total de 18 perfis em redes sociais, como complementação às informações do registro, enviado à Justiça Eleitoral em 7/8/2026”, diz um trecho da decisão de sábado de Toffoli. Segundo apuração da Jovem Pan, a campanha de Renan Santos entrará em breve com um mandado de segurança na tentativa de reverter a decisão de Toffoli. O ministro explicou que a suspensão da candidatura de Renan aconteceu por falta de registro de enderenços de sites, blogs, redes sociais e aplicativos de mensagens usados na campanha. A lei apontada por Toffoli também prevê que perfis já existentes sejam informados no momento do registro e que novas contas sejam comunicadas em até 24 horas após a criação. A decisão afirma que os perfis informados pela candidatura de Renan depois do registro só poderiam ser utilizados na campanha após 48 horas do registro dessas informações.Para o ministro, a comunicação prévia é necessária para permitir a fiscalização da propaganda eleitoral e a atuação das plataformas sobre os sistemas de recomendação de conteúdo. “Advertiu-se que a providência a tempo e modo é impreterível e que a propaganda eleitoral somente pode ser realizada depois de transcorridas 48 horas após a anotação pela Justiça Eleitoral. O prazo é essencial para que, em caráter prévio à realização da propaganda, os legitimados possam fiscalizá-la”, diz Toffoli na decisão.
CRM diz que não ajudou a elaborar edital do Hospital da Criança

MARANHÃO, 31 de agosto de 2026 — O CRM-MA informou que não participou da elaboração do seletivo aberto pela Semus para contratar médicos temporários para o Hospital da Criança, em São Luís. O processo busca reforçar as três UTIs pediátricas. O Conselho só entrou nas discussões após convite da secretaria, feito em julho. Em agosto, representantes do CRM-MA e da Semus participaram de uma reunião. Então, ficou acertado que a secretaria enviaria a minuta do edital ao Conselho antes da publicação. A análise inclui qualificação profissional, titulação, Registro de Qualificação de Especialista, tamanho das equipes médicas e segurança do atendimento. O CRM-MA confirmou que já recebeu a minuta. Comissões especiais e Câmaras Técnicas analisam o documento. Segundo o Conselho, o objetivo é contribuir para valorizar os médicos, manter escalas regulares e aumentar a segurança das crianças internadas na unidade. O seletivo oferece 59 vagas imediatas e outras 118 para cadastro de reserva. Há oportunidades para plantonistas de UTI pediátrica, médicos rotineiros, coordenadores e responsáveis técnicos. A Semus fará a seleção pela análise de títulos e da experiência profissional dos candidatos. A prefeitura abriu o processo após cobranças de órgãos de fiscalização. Ministério Público, polícia e Ministério da Saúde apuram denúncias sobre mortes e problemas estruturais nas UTIs. Além disso, auditorias identificaram falhas nas escalas médicas e cobraram reforço e substituição imediata do quadro técnico terceirizado. Confira a íntegra da Nota do CRM-MA: NOTA DE ESCLARECIMENTO O Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão, CRM-MA, esclarece à comunidade médica que não participou da elaboração do Edital de Processo Seletivo Simplificado 1/2026, promovido pela Secretaria Municipal de Saúde de São Luís, SEMUS, destinado à contratação temporária de médicos para as Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Dr. Odorico Amaral de Mattos, nem foi previamente consultado sobre o seu conteúdo. Em 16 de julho de 2026, a Secretaria Municipal de Saúde convidou formalmente este Conselho a colaborar tecnicamente com o processo seletivo. O CRM-MA acolheu o convite e adotou as providências internas necessárias, entre elas a instituição de comissão especial de acompanhamento e a convocação de suas Câmaras Técnicas para exame da matéria. Em reunião institucional realizada em 19 de agosto de 2026, na sede do Conselho, com representantes da Secretaria Municipal de Saúde, ficou ajustado que a minuta do próximo instrumento de seleção seria encaminhada ao CRM-MA antes da publicação, para análise técnica dos requisitos relacionados ao exercício da Medicina e à qualificação dos profissionais. O compromisso foi cumprido. A minuta do novo edital já foi recebida por este Conselho e encontra-se sob análise das suas instâncias técnicas, que examinam as exigências de titulação e de Registro de Qualificação de Especialista, o dimensionamento das equipes e os requisitos necessários à segurança da assistência. O CRM-MA esclarece que sua atuação tem caráter técnico e institucional, não substitui as competências administrativas da Secretaria Municipal de Saúde nem implica assunção de responsabilidade pela condução do processo seletivo. O Conselho reafirma seu compromisso com a regularidade das escalas médicas, com a valorização dos médicos e com o atendimento seguro às crianças de São Luís.
Prefeitura de Senador La Rocque é alvo por contratações precárias

SENADOR LA ROCQUE, 31 de agosto de 2026 — O Ministério Público do Maranhão abriu um procedimento para fiscalizar a Prefeitura de Senador La Rocque. A medida foi publicada em 27 de agosto de 2026 e busca verificar o cumprimento de uma decisão judicial sobre contratações precárias e cargos comissionados no município. A Portaria nº 32/2026 foi assinada pelo promotor João Cláudio de Barros. O procedimento está ligado a uma ação civil pública movida pelo próprio Ministério Público. A Justiça determinou que a Prefeitura não faça novas contratações ou nomeações fora das situações permitidas pela Constituição. Além disso, a decisão mandou o Município publicar, em até dez dias, a lista dos servidores atingidos pelo Decreto nº 148/2024. A ação ainda tramita na Justiça e não tem decisão definitiva. Mesmo assim, as medidas determinadas em caráter de urgência continuam valendo. Com o novo procedimento, o Ministério Público vai acompanhar se a Prefeitura está cumprindo as ordens judiciais. A fiscalização deve observar principalmente novas contratações e nomeações para cargos comissionados. O servidor Higor Rafael Miranda foi designado para auxiliar no andamento do caso. Caso encontre descumprimento das determinações, o Ministério Público poderá adotar outras medidas administrativas ou judiciais. Portanto, a Prefeitura de Senador La Rocque continuará sob fiscalização enquanto a ação sobre contratações precárias e cargos comissionados permanecer em andamento.
Filha de Lula foi 52 vezes ao Planalto, 3 vezes mais que Lulinha

BRASÍLIA, 31 de agosto de 2026 — Candidato à reeleição, o presidente Lula (PT) passou os últimos dias tendo de responder a questionamentos sobre a atuação de seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. No entanto, quem mais frequenta o Palácio do Planalto no governo do pai não é ele, mas outra descendente de Lula: Lurian Cordeiro Lula da Silva. Registros da portaria do Palácio do Planalto mostram que Lurian esteve no local de trabalho do pai 52 vezes entre fevereiro de 2023 e março de 2025, quando terminam os registros disponíveis. Para fins de comparação, Lulinha acessou o Palácio apenas 18 vezes nesse período, de acordo com as mesmas anotações da portaria, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Lurian trabalha bem perto do pai. Desde 2019, ela é assessora parlamentar do senador Rogério Carvalho (PT-SE). Uma faixa de pedestres separa a portaria do Senado da do Palácio do Planalto. Segundo assessores e ex-assessores palacianos, a principal pauta de Lurian no Planalto são demandas de municípios sergipanos. Além de trabalhar para um senador daquele estado, Lurian é casada com o advogado Danilo Dias Sampaio Segundo, que tem pretensões políticas em Sergipe. Ela era assídua no gabinete do ministro Alexandre Padilha quando ele comandava a Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Em algumas ocasiões, entrou na sala do ministro sem agendamento prévio. Alguns assessores a consideram inconveniente. Os outros filhos de Lula mal vão ao Planalto. Luís Cláudio, o caçula, esteve no local apenas cinco vezes nesse período. Entre os netos, quem mais aparece nos registros é Thiago Trindade Lula da Silva, que esteve no Planalto 18 vezes. No Instagram, o jovem de 29 anos se apresenta como “apenas um rapaz latinoamericano sem dinheiro no banco, mas com parentes importantes”. Ao todo, Lula tem cinco filhos: Lurian, Fábio Luís, Luís Cláudio, Marcos Cláudio e Sandro Luís. Os quatro homens são filhos de Lula com a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Lurian é fruto de um relacionamento anterior do presidente com Miriam Cordeiro.
MPE pede impugnação de candidatura de Waldir Maranhão

MARANHÃO, 31 de agosto de 2026 — O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura de Waldir Maranhão (PT) a deputado federal nas eleições de 2026. A ação foi protocolada pelo procurador regional eleitoral Tiago de Sousa Carneiro. Waldir disputa pela Federação Brasil da Esperança, com o número 1355. Segundo o MPE, o candidato está inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. O pedido cita a época em que Waldir foi reitor e ordenador de despesas da UEMA. As contas de gestão de 2005 foram julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado. A Procuradoria aponta problemas em despesas sem comprovação, contratações por dispensa indevida de licitação e pagamentos ligados a um aditivo contratual considerado ilegal. Os valores citados somam mais de R$ 17 milhões. Além disso, Waldir recebeu multa de R$ 900 mil e outras penalidades de R$ 39 mil. O MPE afirma que a decisão administrativa definitiva ocorreu após o julgamento de recursos em 27 de março de 2019. Por isso, o prazo de oito anos de inelegibilidade seguiria até 27 de março de 2027 e alcançaria a eleição de 4 de outubro de 2026. A ação também cita um processo de improbidade administrativa que tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís. Nesse caso, porém, o próprio MPE informa que ainda não existe condenação definitiva ou decisão colegiada contra Waldir. Waldir Maranhão ganhou notoriedade nacional em 2015, quando, como vice-presidente da Câmara dos Deputados, anulou a votação pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), gerando grande repercussão política. Mais de um ano depois, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Maranhão admitiu que cometeu um “equívoco do ponto de vista político”, embora tenha sustentado que a decisão não foi errada juridicamente. Após duas derrotas eleitorais consecutivas, Waldir Maranhão tentava um retorno às urnas. Em 2018, ele obteve 21.254 votos na tentativa de reeleição como deputado federal, mas não conseguiu se eleger. Em 2022, o desempenho foi ainda mais fraco, com apenas 2.816 votos.
Inadimplência bate recorde em julho mesmo com o Desenrola

BRASIL, 31 de agosto de 2026 — Mesmo depois do lançamento, em maio, da nova edição do Desenrola Brasil, o programa do governo com condições especiais para renegociação de dívidas, os números gerais de inadimplência e do nível de endividamento das famílias no Brasil não só não recuaram, como continuaram crescendo e, ainda, bateram recorde nos últimos meses. Em junho, primeiro mês completo da vigência do programa, quase um terço da renda das famílias foi para o pagamento de parcelas e juros das dívidas: essa proporção subiu de 28,5%, em maio, para 28,9% em junho – a maior fatia já registrada em toda a série histórica, iniciada em 2005. Um ano antes, em junho de 2025, 27,5% da renda das pessoas estava tomada pelo pagamento de dívida, e, em 2005, isso girava em torno dos 18%. Os resultados fazem parte das estatísticas mensais de crédito divulgadas nesta sexta (28), Banco Central. Os dados são dessazonalizados e levam em consideração todos créditos tomados, incluindo financiamentos imobiliários. O programa Desenrola Brasil, que ganhou neste ano uma segunda edição com a sucessão de recordes nos níveis de endividamento da população, foi lançado em 4 de maio pelo presidente Lula. Previsto inicialmente para durar por 90 dias, ele foi prorrogado em mais um mês, até 31 de agosto. INADIMPLÊNCIA SUBINDO Como a entrada no Desenrola implica, para a maioria dos contemplados, em uma renegociação de uma dívida que estava inadimplente, é previsível que o comprometimento da renda, para essas pessoas, piore, o que pode ajudar a explicar o aumento nos números gerais: mesmo a juros e parcelas menores, o cliente que entrou no Desenrola voltou a pagar as mensalidades de uma dívida que, antes, tinha sido abandonada. O esperado, contudo, seria uma redução na inadimplência, ou seja, uma diminuição no total de dívidas com os pagamentos em atraso. Mas elas não só continuaram crescendo, como também atingiram novos níveis recordes mesmo depois do início do programa. Em julho, dado mais recente, os diferentes tipos de dívidas em atraso chegaram a 7,8% do total, ante 7,4% em junho e também 7,4% em abril, último mês antes do início do Desenrola. Em julho de 2025, a taxa de inadimplência estava em 6,7% do total das dívidas. É a maior proporção desde pelo menos 2012, quando começa a série, e só em 2012 esse número tinha também chegado a bater os 7%. A taxa leva em consideração apenas a inadimplência das pessoas físicas e em operações de crédito livre, como empréstimos pessoais, cartão de crédito ou cheque especial, e que são o foco das renegociações permitidas pelo Desenrola. O dado não considera as linhas de financiamento que são reguladas, como o crédito imobiliário e o crédito rural, e que têm juros mais baixas e também taxas de inadimplência menores. A inadimplência é medida considerando o valor total da carteira de crédito concedidos pelos bancos nessas modalidades que estão com os pagamentos em atraso.