Maranhão tem pior cobertura de internet móvel do país

MARANHÃO, 03 de julho de 2026 — O Maranhão tem a pior cobertura de rede móvel do Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD TIC), divulgada pelo IBGE. O levantamento aponta que o sinal está disponível em apenas 81,3% dos domicílios maranhenses, o menor índice entre os 27 estados, apesar do avanço no acesso à internet. A pesquisa também mostra que 50,1% dos maranhenses usam exclusivamente o celular para navegar na internet, estudar, trabalhar e acessar serviços. O percentual coloca o Maranhão na liderança nacional da dependência do smartphone, enquanto o acesso por computadores e tablets permanece limitado para metade da população. Apesar da baixa cobertura, o número de domicílios com acesso à internet cresceu 139,3% entre 2016 e 2025. O total passou de 932 mil para 2,137 milhões de residências conectadas. Além disso, o uso da internet entre idosos aumentou de 7,9% para 61,1% no mesmo período, crescimento superior a 1.000%. Os dados indicam que a inclusão digital avançou no estado, mas a infraestrutura de telecomunicações não acompanhou esse ritmo. Por isso, muitos usuários ainda enfrentam dificuldades causadas por conexões instáveis e falhas no sinal da rede móvel, especialmente aqueles que dependem exclusivamente do celular para acessar a internet.
Alexandre de Moraes mantém prisão domiciliar de Bolsonaro

BRASÍLIA, 03 de julho de 2026 — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), renovou a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão saiu nesta sexta (3). O benefício havia expirado na semana passada, após 90 dias de duração. Moraes levou em conta o estado de saúde de Bolsonaro, que ainda se recupera de uma broncopneumonia. Para o ministro, manter a medida “é razoável, adequado e proporcional”. A renovação ocorreu depois de um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet opinou sobre um caso envolvendo uma arma de fogo registrada em nome do ex-presidente. Segundo a PGR, não há provas de que Bolsonaro tenha cometido infração disciplinar que justifique a mudança do regime. “A conclusão da autoridade policial tem bom suporte nas circunstâncias apuradas”, afirmou Gonet. Ele recomendou a entrega da arma às autoridades, e Moraes acompanhou esse entendimento. A defesa de Bolsonaro havia reforçado o pedido de manutenção do regime domiciliar poucas horas antes. Os advogados também disseram que o ex-presidente abria mão do equipamento. Por conta disso, Moraes revogou o porte de arma e o registro de CAC de Bolsonaro. O ministro determinou que a defesa entregue à Polícia Federal, em até 48 horas, todas as armas vinculadas ao ex-presidente. No começo da semana, a Polícia Civil do Distrito Federal já havia informado ao STF que Bolsonaro não cometeu crime. A polícia disse que ele possuía o registro válido da arma e que não havia restrições conhecidas. “Não vislumbro materialidade e conduta dolosa de eventual crime”, concluiu a autoridade policial. Tudo começou na noite de 15 de junho. Agentes encontraram uma pistola Glock calibre 9 mm no veículo de Estácio Leite da Silva Filho, segurança de Bolsonaro, durante uma blitz. Havia também um carregador sobressalente.
Bacabal sedia etapa regional do Maranhense de Voleibol de Base

BACABAL, 03 de julho de 2026 — Bacabal sediou pelo segundo ano consecutivo a etapa regional do Campeonato Maranhense de Voleibol de Base 2026, reunindo cerca de 600 atletas de diversas regiões do estado. A competição contou com 54 equipes nas categorias sub-14, sub-16 e sub-18 e foi promovida pela Federação Maranhense de Voleibol (FMV), com apoio da Prefeitura de Bacabal. Entre os dias 27 de junho e 2 de julho, a cidade recebeu delegações de diversos municípios maranhenses. Segundo a organização, mais de mil pessoas, entre atletas, comissões técnicas, familiares e visitantes, passaram por Bacabal durante o evento, movimentando a rede hoteleira, restaurantes, lanchonetes, serviços e o comércio informal. Campeã da categoria Sub-16 pela equipe CTE Futuro, de São Luís, a atleta Bruna Ferreira comemorou a conquista e destacou a estrutura oferecida durante a competição. “Foi maravilhoso desde o começo. Nossos treinos foram muito intensivos e a gente fica muito feliz com o resultado de ser campeã do Sub-16 esse ano. O tratamento aqui foi ótimo, o prefeito daqui é maravilhoso, cedeu essa quadra maravilhosa pra gente, teve ventiladores apesar do grande calor que tem aqui em Bacabal, mas mesmo assim foi um grande e lindo campeonato. Agora é levar o troféu para São Luís e comemorar.” Eleita melhor líbero da competição pelo segundo ano consecutivo, Priscila Paiva, atleta do Colégio Dom Bosco, de Imperatriz, ressaltou a organização do torneio e a recepção às delegações. “Fui melhor líbero ano passado e estou levando, graças a Deus, o prêmio de melhor líbero esse ano também. Sou muito grata à escola Dom Bosco e parabéns pela organização. O prefeito Roberto Costa sempre recebendo vocês aqui com muito carinho. Nós atletas ficamos muito gratos. É muito importante ter essa organização e ser bem tratado.” Representando Bacabal, Gabriel da Silva, da equipe Cartal, medalhista de bronze na competição, destacou a evolução da equipe local em relação à edição anterior. “A gente ter alcançado o terceiro lugar é uma vitória muito grande, porque no ano passado tivemos esse mesmo campeonato e não conseguimos nenhuma vitória. Quero agradecer muito à prefeitura, à secretaria e aos professores Mateus e Caco, que são muito especiais nessa trajetória.” O presidente da Federação Maranhense de Voleibol (FMV), Ricardo Lins, avaliou a competição e destacou a ampliação da modalidade.
Lula dobra gasto de Bolsonaro em 2022 com propaganda

BRASÍLIA, 03 de julho de 2026 — O governo Lula (PT) ampliou despesas em propaganda no primeiro semestre deste ano, às vésperas do início da campanha do presidente à reeleição, e destinou mais que o dobro dos gastos do governo Jair Bolsonaro (PL) no mesmo período de 2022. A gestão petista já empenhou R$ 520 milhões para a ação do Orçamento que é usada principalmente para custear as campanhas publicitárias da Secom (Secretaria de Comunicação Social) de janeiro a junho, antes de o calendário eleitoral impor travas aos gastos com comunicação. No ano da última disputa à Presidência, Bolsonaro encaminhou R$ 213,5 milhões no período. Em anos eleitorais, a propaganda oficial fica concentrada principalmente no primeiro semestre porque a lei determina suspensão da publicidade institucional durante o período conhecido como defeso, que neste ano começa em 4 de julho. Ficam liberadas apenas exceções, como campanhas que a Justiça Eleitoral reconhece como de “grave e urgente necessidade pública”. A legislação também impõe limites de verba que os governos podem empenhar no primeiro semestre. A cifra é calculada a partir dos valores empenhados nos três anos anteriores com diversos tipos de ações de comunicação, incluindo a Secom. Na mesma ação do Orçamento que custeia propagandas, o governo também destinou cerca de R$ 7,6 milhões para contratar pesquisas de opinião. Em nota, o governo afirmou que segue os limites de despesas estabelecidos por lei. “Eventuais comparações entre exercícios distintos devem considerar as especificidades de cada período, as políticas públicas desenvolvidas, o planejamento anual de comunicação e as necessidades de campanhas de utilidade pública, não sendo adequada a comparação isolada de valores empenhados entre anos sem a devida contextualização”, disse a Secom. O levantamento feito pela Folha considera valores atualizados pela inflação e destinados à ação orçamentária de “comunicação institucional”, que é totalmente destinada para a Secom encomendar peças de propaganda sobre programas do governo. Foi contabilizado o valor empenhado, que representa a fatia do orçamento reservada oficialmente para pagar uma determinada despesa.
SSP-MA divulga indicadores criminais do 1º semestre de 2026

MARANHÃO, 03 de julho de 2026 — O Maranhão registrou queda nos principais indicadores criminais no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Unidade de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Os dados mostram redução nos feminicídios, homicídios dolosos, roubos de celulares e roubos de veículos após ações de reforço na estrutura das forças de segurança. O maior recuo ocorreu nos feminicídios. Entre janeiro e junho, o estado contabilizou 17 casos, contra 30 no mesmo período de 2025, redução de 43%. Em junho, os registros caíram de seis para um caso, queda de 83%. Na Grande Ilha, o mês terminou sem feminicídios, enquanto o acumulado do semestre passou de quatro para três ocorrências. Os homicídios dolosos também apresentaram melhora. Na comparação entre junho de 2025 e junho deste ano, houve redução de 13,8%. Além disso, os roubos de celulares caíram de 8.417 para 6.852 casos, uma diminuição de 19%. Os roubos de veículos passaram de 1.655 para 1.407 registros, queda de 15%. Segundo o governo estadual, os resultados acompanham investimentos em segurança pública desde 2022. Nesse período, foram entregues 1.002 viaturas, realizadas mais de 260 obras e promovidos 9.515 militares. Somente em 2026, mais de 220 novas viaturas reforçaram as forças de segurança. O estado também ampliou as Patrulhas Maria da Penha, fortaleceu a perícia oficial e expandiu o uso de tecnologias, como reconhecimento facial, videomonitoramento inteligente, drones e novos equipamentos operacionais.
Alvos da PF após sanção dos EUA movimentaram R$ 10 bilhões

BRASIL, 03 de julho de 2026 — A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange nesta sexta (3). O alvo é um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Uma análise preliminar da PF mostrou que os investigados movimentaram mais de R$ 10 bilhões. Os suspeitos usavam várias estratégias para esconder o dinheiro. Entre elas, estavam transferências de criptomoedas, transporte de valores em espécie e operações bancárias de alto valor. Além disso, faziam repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Os EUA já haviam sancionado alguns dos alvos na quarta (1º). A PF cumpre 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. As ações ocorrem em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A Justiça determinou o sequestro de bens e criptoativos no valor total de R$ 10,4 bilhões. Mais de 50 policiais participam da operação. Victor Henrique de Oliveira Shimada é um dos principais alvos. Os EUA o apontam como “elo fundamental” com o PCC. Segundo o Tesouro americano, ele lavou mais de US$ 30 milhões nos Estados Unidos. Ele é sócio de uma empresa investigada em um escândalo no Corinthians. Até o momento da publicação, Shimada continua foragido. Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa. Ela é parente de Shimada. Os EUA a descrevem como “intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro” para o PCC. A PF diz que ela prestava serviços logísticos essenciais para a rede criminosa. A defesa de Victor Shimada afirmou que ainda não teve acesso às decisões judiciais. O advogado Yuri Cruz disse que qualquer manifestação agora seria precipitada. Em nota anterior, a defesa já havia negado o envolvimento de Shimada com o crime organizado. Os representantes de Stella Stefanie não foram encontrados para comentar.
Cidades do Maranhão deixam milhões do Fundeb sem aplicação

MARANHÃO, 03 de julho de 2026 — Ao menos R$ 704,6 milhões do Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica, deixaram de ser aplicados na educação infantil desde 2021, apesar de a Constituição obrigar a destinação de parcela do fundo a essa etapa. Dados obtidos pela Folha mostram que 835 municípios descumpriram essa regra, total ou parcialmente, em algum exercício nos últimos cinco anos. O mecanismo reúne parcela de impostos estaduais e municipais, além de complementação da União para locais que não atingem um valor mínimo por aluno. Os recursos são distribuídos conforme número e tipo de matrículas. O novo fundo, reformulado em 2021, também determinou que 15% de uma parte da complementação da União sejam aplicados em investimentos, para melhorias nas redes de ensino, como obras. Desde então, 788 municípios deixaram de cumprir a exigência em ao menos um ano, somando R$ 426,6 milhões de recursos não investidos. As omissões estão na mira de órgãos do Ministério Público, que vão trabalhar em ação coordenada junto aos municípios do país. O objetivo é garantir a recomposição dos investimentos não realizados e também apurar se, além de não irem para educação infantil ou investimentos, os valores nem sequer tenham ido para a educação. Os dados são do Siope (Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação), tabulados pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e enviados a procuradores e promotores que se dedicam ao tema. Os dados foram extraídos em 25 de março. Como há casos de inclusão de novos registros ou da substituição de declarações, o cenário pode ser ainda pior. Além disso, só há dados de 2025 sobre educação infantil de apenas 1.805 das prefeituras (32% do total). Em nota, o FNDE informou que atua no cálculo das estimativas do fundo, no repasse da complementação e no apoio técnico. “Eventuais irregularidades e sanções cabíveis são apuradas pelos órgãos de controle competentes”, diz o órgão, ligado ao Ministério da Educação. Com os valores não aplicados em educação infantil e investimentos, de R$ 1,1 bilhão, seria possível construir 314 novas creches e gerar cerca de 30 mil vagas de tempo integral (seguindo parâmetros de custos do Novo PAC). O Brasil registrou 826 mil crianças na fila de espera por uma vaga em creche em 2025. O promotor Lucas Sachsida diz que a preocupação do Ministério Público é que haja uma aplicação conforme o que diz a Constituição. “Diante de notícia de milhares de crianças aguardando vaga na fila, parece inaceitável que haja valores não aplicados por parte dos entes”, diz ele. Ligado à Promotoria de Alagoas, Sachsida é coordenador-adjunto do comitê nacional de financiamento da educação da 1ª Câmara de Cooordenação e revisão do Ministério Público Federal. A renovação do fundo, que o incluiu na Constituição, determinou aumento escalonado da complementação federal. Passou dos 10% vigentes até 2020 para 23% neste ano. A partir de agora, o percentual será fixo. A mudança também incluiu um modelo híbrido de distribuição, que permitiu atingir mais cidades pobres que antes não recebiam complementação, com o Vaat (Valor Anual Total por Aluno). Ele considera todas as receitas da educação de estados e municípios e consegue direcionar recursos também a municípios pobres dentro de estados mais ricos (o que não ocorria até 2020). Metade dos recursos globais do Vaat devem ir para educação infantil, mas há um percentual calculado para cada município, chamado IEI (Índice de Educação Infantil). Só os municípios que recebem essa complementação da União, o Vaat, devem comprovar essas despesas. Os maiores valores não aplicados em educação infantil estão em cidades do Pará e do Maranhão, mas há casos em todo país. A prefeitura com maiores valores não aplicados é a de Belford Roxo (RJ). Nos anos de 2023 e 2024, cidade deixou de aplicar, no total, R$ 29,3 milhões na educação infantil. O município também não cumpriu a obrigação de destinar 15% a investimentos de 2023 a 2025, com valores totais de R$ 22,6 milhões. A gestão não respondeu questionamentos enviados por email e mensagens desde 11 de junho. Em São João de Meriti (RJ), foram R$ 18,7 milhões não aplicados na educação infantil e R$ 7,7 milhões deixaram de ir para investimentos em 2023 e 2024. A prefeitura também não respondeu à reportagem. A Folha mostrou no fim de maio gastos do Fundeb alheios à educação em centenas de cidades do país. Enquanto deixou de aplicar esses valores previstos na Constituição, São João de Meriti foi um dos municípios que destinaram verba do Fundeb para o fundo municipal de saúde: foram R$ 11,1 milhões em 2023 —a prefeitura respondeu, na ocasião, que não tem conhecimento do motivo da transferência por ter sido realizada na gestão anterior. Segundo a consultora em educação Mariza Abreu, o Fundeb tem desafios operacionais, como a forma de computar o valor total do gasto com educação em cada município para se definir o rateio do Vaat. O tema é complexo e ao menos cinco prefeituras conseguiram na Justiça serem habilitadas para receber o Vaat mesmo com imprecisões na declaração dos dados sobre orçamento. Segundo dados oficiais, são Juruá (AM), em 2024; Maraã (AM), em 2025; e Mãe do Rio (PA), Canavieiras (BA) e São João da Ponta (PA), em 2026. Como é cada tipo de complementação:
Buriticupu entra na mira por emendas PIX de R$ 30 milhões

BURITICUPU, 03 de julho de 2026 — A Promotoria de Justiça de Buriticupu instaurou um procedimento para apurar a aplicação de R$ 30 milhões recebidos pela Prefeitura por meio de emendas PIX entre 2020 e 2025. A investigação começou após indícios de falta de transparência e de rastreabilidade na execução dos recursos enviados ao município. Após ser notificada, a Prefeitura informou, por meio da Procuradoria-Geral do Município, que adotou medidas para ampliar a transparência. Segundo a administração, foi criada uma área específica no Portal da Transparência. Além disso, afirmou que não houve contas de passagem nem saques em espécie com recursos de emendas parlamentares. A Promotoria, no entanto, avaliou que as informações apresentadas não comprovam, por si só, a regularidade da execução financeira. Segundo o promotor Felipe Rotondo, as declarações precisam ser acompanhadas de documentos, como extratos bancários, conciliações, relatórios de execução, identificação dos beneficiários, registros de empenho, liquidação, pagamento e comprovação da divulgação pública das informações. Por isso, o promotor determinou diligências junto ao Banco do Brasil, à Controladoria-Geral da União, ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão e à própria Prefeitura de Buriticupu. O objetivo é confrontar os dados e reunir provas sobre a aplicação dos recursos. O procedimento segue em tramitação.