ESTADO CRÍTICO

7 em cada 10 homicídios no Maranhão são com armas de fogo

Andre Reis
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Maranhão arma
Atlas da Violência 2026 mostra que o Maranhão teve 73,5% dos homicídios com armas de fogo em 2024, acima da média nacional e com alta anual segundo Ipea e FBSP.

MARANHÃO, 28 de maio de 2026  Maranhão registrou 73,5% dos homicídios com armas de fogo em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Ipea e FBSP. O indicador supera a média nacional de 70,1% e coloca o estado entre os mais altos do país em homicídios com armas de fogo.

Segundo o levantamento, o Maranhão integra grupo de estados do Nordeste com maior participação de armas de fogo nos assassinatos.

Na comparação regional, Ceará, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Maranhão aparecem entre os maiores índices de homicídios com armas de fogo, além de Amapá e Rio Grande do Sul no ranking nacional.

Em 2024, o Brasil registrou 29.870 homicídios com armas de fogo de um total de 42.590 homicídios, segundo o Ministério da Saúde. O percentual nacional ficou em 70,1%, com redução de 8,8% em relação a 2023, embora permaneça próximo das médias históricas.

De acordo com o pesquisador Daniel Cerqueira, do Ipea e coordenador do Atlas da Violência, diferenças entre estados envolvem transição demográfica, políticas públicas e governança do crime organizado. O estudo aponta que essas variáveis influenciam os índices de homicídios com armas de fogo em diferentes regiões.

O Atlas da Violência também aponta aumento da circulação de armamentos mais letais no país. Entre 2019 e 2023, estudos citados indicam redução de apreensão de revólveres e aumento de pistolas semiautomáticas, além de maior presença de rifles e metralhadoras associados ao tráfico internacional e desvios de arsenais.

Estudo acadêmico sobre o mercado ilícito entre 2019 e 2023 identificou mudanças no perfil das armas apreendidas, com queda de revólveres e aumento de pistolas semiautomáticas. Também houve crescimento de armamentos de perfil militar, ligados ao tráfico internacional e produção clandestina.

Segundo o levantamento, parte das armas utilizadas por organizações criminosas tem origem em compras legais feitas por civis e posteriormente desviadas para o mercado ilegal, conforme apontam evidências reunidas no Atlas da Violência.

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