
BRASÍLIA, 26 de maio de 2026 — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro em um inquérito já em andamento. A investigação atual apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O prazo para a PGR responder é de cinco dias. A decisão atende a um pedido do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolado na segunda (18). O parlamentar solicitou a ampliação dos alvos da investigação. Moraes, então, encaminhou o pedido à PGR para análise.
No documento encaminhado à PGR, Moraes mencionou a possível ligação entre o financiamento do filme “Dark Horse” e valores negociados por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O ministro apontou que o dinheiro pode ter sido usado para a campanha de sanções contra autoridades brasileiras. Além disso, o montante também teria financiado a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro.
Outras possíveis finalidades incluem restrições de vistos, tarifas contra setores produtivos nacionais e a tentativa de coação no processo que busca anistia a Jair Bolsonaro.
Lindbergh Farias argumentou na petição que há “fortes indícios” de que os recursos do filme podem ter sido usados para custear a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro. O deputado sustenta que o objetivo seria reconstruir a imagem política do ex-presidente.
Outra finalidade apontada é pressionar por anistia aos envolvidos na chamada “trama golpista”. A petição afirma que a inclusão de Jair Bolsonaro se justifica, ao menos inicialmente, por ele ser beneficiário direto ou indireto dos fatos. O parlamentar também sustenta que o mesmo núcleo familiar e político estaria envolvido na ofensiva internacional.
CONDENAÇÃO PEDIDA PELA PGR NA SEMANA PASSADA
Na última semana, o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, pediu a condenação de Eduardo Bolsonaro no Inquérito nº 4.995. A acusação aponta que o ex-deputado atuou nos Estados Unidos para impor sanções a autoridades brasileiras. Ele também teria pressionado pela aplicação de tarifas contra o Brasil.
O pedido de Lindbergh, portanto, busca ampliar o escopo dessa mesma investigação. O deputado quer incluir fatos recentes relacionados ao filme “Dark Horse”.
A petição protocolada por Lindbergh também pede medidas cautelares específicas contra Flávio Bolsonaro. Entre elas estão a apreensão do passaporte e a proibição de deixar o país sem autorização judicial.
O deputado solicita ainda veto ao contato com Daniel Vorcaro e outros investigados. Bloqueio de bens e valores ligados ao caso também foi requerido. O documento pede ainda o compartilhamento de provas entre investigações sobre o Banco Master. Áudios, mensagens, contratos e movimentações financeiras devem ser integrados ao inquérito.
RASTREAMENTO FINANCEIRO E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
A Polícia Federal deveria produzir um relatório para cruzar possíveis fraudes do Banco Master com os fatos investigados, conforme a petição. O parlamentar sugere o envio de ofícios ao Coaf, ao Banco Central, à Receita Federal e à CVM. O objetivo é identificar fluxos de dinheiro ligados aos investigados e ao filme.
A petição também pede cooperação internacional aos Estados Unidos. Registros bancários, contratos, atividades de lobby e remessas relacionadas ao filme seriam obtidos dessa forma. A investigação precisa responder “para onde foi o dinheiro”, segundo Lindbergh.
Reportagens publicadas em maio de 2026 revelaram negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Os valores discutidos para financiar o longa variariam entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões.
A petição lista os crimes que devem ser apurados: lavagem de dinheiro, caixa dois, propaganda eleitoral disfarçada, organização criminosa e atentado à soberania nacional.
O documento questiona ainda se houve uso dos recursos para lobby, comunicação política, viagens e interlocução com autoridades estrangeiras.







