
BRASIL, 11 de maio de 2026 — As despesas relacionadas a deslocamentos realizados pelo governo federal em 2025 totalizaram R$ 2,5 bilhões. A informação consta de dados oficiais. O maior volume desses gastos correspondeu a viagens dentro do Brasil. Essas viagens atingiram R$ 1,8 bilhão.
Em seguida, aparecem despesas protegidas por sigilo, que chegam a R$ 418 milhões. Além disso, há R$ 249 milhões destinados a viagens internacionais e R$ 15,4 milhões sem destino informado.
Viagens com informações restritas revelam apenas o órgão responsável, o superior hierárquico e as datas. Não há identificação de passageiros. A Polícia Federal liderou as despesas sigilosas. Esse órgão somou R$ 251 milhões.
A Polícia Rodoviária Federal registrou R$ 120 milhões. O Ministério da Justiça teve R$ 39,7 milhões nessas viagens. A Defesa registrou R$ 280 mil.
Entre os registros de viagens mais onerosas está a participação do almirante de esquadra Renato de Aguiar Freire em evento em Singapura. O custo foi de R$ 260 mil. Desse total, R$ 246 mil foram apenas em passagens.
Pietro Sampaio Mendes presidia o Conselho da Petrobras em janeiro de 2025. Ele esteve em Abu Dhabi e Riad, com gasto de R$ 246 mil. Desse valor, R$ 229 mil foram em passagens.
A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, visitou Nova Délhi, Adis Abeba, Pequim e Sydney entre 31 de agosto e 17 de setembro de 2025. As visitas foram para compromissos oficiais.
Entre os destinos mais frequentes está Paris, que concentrou R$ 12,7 milhões em passagens. Genebra registrou R$ 11,2 milhões. Pequim teve R$ 7,7 milhões. Washington somou R$ 7,9 milhões. Os valores podem não refletir exatamente cada destino, já que algumas viagens envolvem múltiplas escalas.
Alguns deslocamentos tiveram destinos menos comuns. A professora Sandra Almeida viajou a Kigali, em Ruanda, para uma conferência. O custo foi de R$ 47 mil. José de Oliveira esteve em workshop nas Ilhas Maurício, com despesa de R$ 33 mil. O diplomata Almir Nascimento se deslocou a Chengdu, na China, ao custo de R$ 29 mil.
No total, houve 21 viagens para Cotonou, no Benin. Essas viagens somaram R$ 160 mil. Onze delas foram realizadas nos dias 12 e 13 de janeiro.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou de eventos em Cotonou, Porto Novo e Uidá. Ela representou o Brasil nas Festividades das Culturas Ancestrais. Além disso, cumpriu agendas relacionadas ao patrimônio cultural afro-brasileiro.
SIGILO
Entre as despesas protegidas por sigilo, destacam-se viagens do Ministério da Justiça em 2 de janeiro. Esse deslocamento custou R$ 117 mil, sendo R$ 100 mil em diárias.
Em 1º de janeiro, outra viagem do mesmo ministério custou R$ 137 mil, com R$ 128 mil em diárias. Há ainda deslocamento de servidor da Polícia Federal em 18 de outubro, no valor de R$ 138 mil. Desse total, R$ 130 mil foram em passagens.
POSIÇÃO DO GOVERNO
Em nota, a Presidência da República informou que as despesas com viagens oficiais “seguem criteriosamente as regras estabelecidas”. Essas despesas abrangem toda a administração federal. As áreas contempladas incluem segurança, saúde, educação e relações internacionais.
Os gastos estão ligados à execução de políticas públicas, segundo o governo.
O governo acrescentou que restrições de acesso a informações seguem a Lei de Acesso à Informação (LAI). Essas restrições são aplicadas para proteger investigações ou operações em andamento. A Controladoria-Geral da União (CGU) mantém a lista das informações restritas.
Ainda segundo o governo, “a comparação isolada dos valores pode gerar conclusões distorcidas”.







