
BRASIL, 17 de outubro de 2026 — A tarifa zero nos ônibus aos fins de semana e feriados, prometida pelo presidente Lula (PT), pode custar cerca de R$ 20 bilhões por ano ao governo federal. A estimativa da Associação Nacional dos Transportes Urbanos (NTU), divulgada pelo Estadão, considera 52 sábados, 52 domingos e 11 feriados nacionais.
Lula anunciou a proposta nesta quinta (15), antes do segundo turno das eleições. A NTU defende que a União pague integralmente a medida, inclusive nos municípios que já oferecem gratuidade. Atualmente, mais de 130 cidades adotam algum tipo de passe livre, segundo as informações apresentadas.
A Confederação Nacional dos Municípios calcula um impacto ainda maior. Segundo o presidente da entidade, Paulo Roberto Ziulkoski, o custo pode chegar a R$ 60 bilhões. Ele criticou o caráter eleitoral da proposta e demonstrou preocupação com possíveis despesas adicionais para as prefeituras, dependendo do modelo de repasse.
“É uma grande preocupação o governo fazer essa proposta de forma eleitoreira […] Pode representar um custo a mais para as prefeituras, dependendo da forma como o governo fará o repasse”, afirmou.
A NTU também cobra garantia de pagamentos regulares às empresas de ônibus. Segundo o diretor Marcos Bicalho, atrasos podem prejudicar a operação do transporte. Além disso, a entidade avalia que recursos hoje gastos por empresas privadas com vale-transporte poderiam reduzir o custo da proposta.
“Por questão de justiça, a União teria que assumir o custo total, o Estado que já adota ou a prefeitura que já adota a política desse tipo poderia destinar esses recursos para outras áreas”, declarou.
No Congresso, projetos já discutem a tarifa zero, entre eles a PEC 25/2023. Segundo o Estadão, ministros também afirmaram reservadamente que não havia espaço no arcabouço fiscal para a medida.










