Petrobras deve despejar R$ 8 bi em refinaria pivô da Lava Jato

Lula refinaria

BRASÍLIA, 19 de janeiro de 2024 – A Petrobras revelou planos de investir entre R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões para finalizar as obras na Refinaria de Abreu e Lima (Rnest), marco central de escândalos da Operação Lava Jato. A informação foi compartilhada pelo presidente da estatal, Jean Paul Prates, durante um evento com a presença do presidente Lula (PT) em Ipojuca (PE), local da refinaria. Os recursos, provenientes do novo PAC, dependem ainda de licitações para definição do valor final. A Rnest, iniciada na gestão de Lula, enfrentou interrupções em 2015 devido a denúncias de corrupção reveladas pela Lava Jato. Originalmente concebida com a participação da PDVSA venezuelana, o projeto enfrentou controvérsias e escândalos envolvendo a Petrobras, empreiteiras e políticos. Jean Paul Prates defendeu os investimentos, afirmando que a refinaria se tornará autossuficiente no primeiro ano de operação completa, prevista para 2028. O projeto, iniciando com a expansão da primeira unidade, prevê a conclusão da segunda em 2028, com capacidade para processar 260 mil barris de petróleo por dia. Durante o evento, Lula comentou sobre as negociações com a Venezuela e as acusações de corrupção durante a Lava Jato, atribuindo os processos a uma suposta colaboração entre juízes e procuradores. O presidente destacou a história de superação da Rnest, afirmando que o projeto representa a reconstrução e expansão da segunda maior refinaria brasileira. As obras devem iniciar no segundo semestre deste ano. As controvérsias envolvendo a Rnest incluem um gasto já realizado de US$ 18 bilhões (R$ 90 bilhões) – quase dez vezes o orçamento original – e sua paralisação em 2015 após as revelações da Lava Jato.

Governo veta recursos para centros de Autismo, diz relator da LDO

Lula autismo

BRASÍLIA, 19 de janeiro de 2024 – O relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Danilo Forte (União-CE), mostrou preocupação com o governo ao afirmar que a decisão de vetar recursos para centros de referência para pessoas com transtorno do espectro autista contradiz o discurso oficial de compromisso social. O veto, realizado pelo presidente Lula, impede a garantia de recursos para o funcionamento desses centros em 2024. O governo Federal justificou o veto alegando a falta de especificidade sobre a natureza dos centros e se estes estariam vinculados à estrutura da União. Essa indefinição, segundo a justificativa, poderia resultar na obrigação de custeio de instituições privadas. Danilo Forte destacou a contradição entre o discurso social enfatizado pelo governo e a prática de vetar recursos essenciais. Ele ressaltou que ter o recurso no orçamento, mas sem a obrigação de execução, compromete a prioridade e o compromisso efetivo com políticas importantes. O relator alertou que esses vetos podem gerar pressão para agilizar a votação no Congresso. A decisão do governo foi criticada pelo relator, que considera o veto aleatório e sem critérios claros.

MEC empenha só 56% de verba para bolsas de alfabetizadores

MEC Lula

BRASÍLIA, 18 de janeiro de 2024 – O Ministério da Educação (MEC) sob a gestão do presidente Lula não alcançou a execução orçamentária planejada para o pagamento das bolsas de formação continuada destinadas aos instrutores da Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização (Renalfa), parte integrante do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Inicialmente, o governo Lula destinou R$ 22,5 milhões para as bolsas do Renalfa em 2023. No entanto, os empenhos efetuados totalizaram apenas R$ 12,5 milhões, representando 56% do montante inicial. O MEC justificou a execução parcial alegando atrasos por parte de estados e municípios na designação dos articuladores regionais e municipais do Renalfa. Esses profissionais desempenham um papel crucial na gestão do programa e eram responsáveis pela maior fatia do orçamento destinado ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o que impactou diretamente na execução dos pagamentos das bolsas. Apesar dos desafios, o MEC conseguiu empenhar R$ 619,2 milhões para custear as ações do Compromisso, alcançando 97% do orçamento destinado ao programa.

Reajuste do salário mínimo faz dois salários voltarem a pagar IR

Lula promessa

BRASIL, 18 de janeiro de 2024 – O reajuste do salário mínimo em 2024 impactou a tributação de quem recebe até dois salários, contrariando a promessa de isenção de Imposto de Renda (IR) feita pelo presidente Lula. No primeiro ano de seu governo, Lula encaminhou uma medida que corrigia a tabela do IR, ampliando a isenção para até dois salários mínimos. Contudo, a falta de ajuste adequado na tabela resultou na situação em que aqueles que ganham o equivalente a dois salários mínimos em 2024 estão sujeitos à incidência de IR. A Unafisco Nacional, representante de auditores fiscais da Receita Federal, destacou que o aumento de aproximadamente 10% no salário mínimo em 2024 elevou os ganhos para quem recebia até dois salários mínimos no ano anterior, de R$ 2.640 para R$ 2.824. No entanto, a tabela do IR não foi ajustada na mesma proporção, levando a uma tributação que, segundo a entidade, contradiz a promessa de isenção para essa faixa de renda. A medida provisória enviada pelo governo para corrigir a tabela do IR, convertida em lei pelo Congresso em agosto do ano passado, elevou a primeira faixa de isenção para R$ 2.112. Para alcançar a faixa dos dois salários mínimos vigentes no ano anterior, o governo concedeu um desconto simplificado de 25%. Atualizar a tabela exigiria uma nova medida provisória ou projeto de lei enviados ao Congresso. Até o momento desta publicação, o Ministério da Fazenda não havia se pronunciado sobre uma eventual atualização. A Unafisco defende a correção integral da tabela do IR pela inflação, com recomposição do IPCA desde 1996, propondo um aumento de 134% na faixa de isenção e de 159% nas demais faixas.

Governo Lula cancela isenção fiscal de pastores

Lula igreja

BRASÍLIA, 18 de janeiro de 2024 – O governo Lula revogou a isenção fiscal especial que beneficiava líderes religiosos, como pastores, desde agosto de 2022. A medida, implementada por Jair Bolsonaro, foi oficializada pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra de Bolsonaro, considera o fim do benefício como uma perseguição do governo petista aos evangélicos. Em suas redes sociais, ela alertou para possíveis desdobramentos, mencionando casos de líderes religiosos sendo presos e expulsos em países liderados pela esquerda no continente. A decisão, que entrou em vigor em 2022, foi oficializada por Julio Cesar Vieira Gomes, então chefe da Receita, mas posteriormente considerada atípica pelo órgão e pelo Tribunal de Contas da União, que abriu uma investigação. Gomes também está sendo investigado por questões relacionadas às joias presenteadas a Bolsonaro pelo governo da Arábia Saudita. A isenção fiscal anterior tributava apenas pagamentos relacionados a atividades educacionais prestadas a instituições vocacionais. Com a revogação, qualquer remuneração paga por igrejas e entidades religiosas volta a ser considerada como salário, sujeita ao pagamento de imposto de renda. A medida acontece em um momento em que o presidente Lula busca se reaproximar dos evangélicos, visando também as eleições municipais de outubro.

Sancionada lei que permite sociedade única em emissoras rádios

Lei Rádio

BRASÍLIA, 16 de janeiro de 2024 – O presidente Lula (PT) sancionou nesta segunda (15) um projeto de lei altera o Código Brasileiro de Telecomunicações para permitir que estabelecimentos de radiodifusão possam ser organizados por sociedades compostas por um único sócio, conhecidas como sociedades unipessoais. A legislação anterior não autorizava a atuação de sociedades de um único sócio nos serviços de radiodifusão. Segundo o governo federal, essa medida visa garantir maior dinamismo e desburocratização no segmento de radiodifusão. O projeto de lei, aprovado pelo Senado em dezembro de 2023 e pelos deputados federais, traz uma série de alterações. Uma das principais é a ampliação do limite de estações de rádio e televisão que podem ser operadas por cada empresa. Agora, esse limite passa para 20 emissoras, abrangendo FM, onda média, onda curta ou onda tropical. Atualmente, o número máximo de emissoras varia de acordo com a abrangência (local, regional ou nacional) e o tipo de frequência. Com essa nova regra, empresas terão mais flexibilidade na gestão de suas emissoras. Além disso, a legislação possibilita a migração de pequenas emissoras AM (amplitude modulada) para a frequência FM, o que era dificultado pelo limite imposto pela lei anterior.

Lula é mais bem avaliado do que Bolsonaro pelo Congresso

Lula Bolsonaro

BRASÍLIA, 15 de janeiro de 2024 – O governo Lula é melhor avaliado pela atual composição do Congresso do que Jair Bolsonaro pela legislatura anterior. É o que revela uma pesquisa inédita do Ipri, instituto de pesquisas da FSB, realizada antes do recesso parlamentar, no fim de dezembro. Segundo o levantamento, o Congresso dá nota 5,9 para o desempenho de Lula em uma escala de 0 a 10. No final do primeiro de seu governo, Bolsonaro recebeu nota 5 dos parlamentares. A pesquisa também aponta que a relação do Congresso com o governo também é melhor avaliada agora. Na mesma escala, deputados e senadores dão nota 5,4 para o relacionamento da Casa com a gestão de Lula. Sob Bolsonaro, a nota era de 4,9 para igual quesito. Ao todo, foram entrevistados 200 deputados federais e 25 senadores, em amostra representativa do Congresso.

Maioria dos bloqueados do Bolsa Família vive no Nordeste

Bolsa Família

BRASIL, 15 de janeiro de 2024 – O programa Bolsa Família enfrentou cortes significativos ao longo de 2023, com a revisão de cadastros resultando no bloqueio de 8,4 milhões de benefícios em todo o país. Nordeste e Sudeste lideraram os cortes, totalizando 3.762.332 e 3.023.165 benefícios bloqueados, respectivamente. A medida, que teve início durante a transição de governo, visou corrigir inconsistências nos cadastros, incluindo dados desatualizados e problemas relativos à renda ou composição familiar. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) justificou a ação como uma necessidade para garantir a eficácia e justiça do programa, enfrentando críticas e repercussões negativas. Entre março e dezembro de 2023, 8.423.205 beneficiários tiveram seus acessos bloqueados, com estados como São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro ultrapassando a marca de um milhão de benefícios cortados. A gestão federal, responsável pela revisão, alega que a medida busca a “retomada” do programa social, considerando as modificações realizadas nos últimos anos. Uma das principais inconsistências destacadas pelo Ministério é o aumento de famílias unipessoais beneficiárias do programa. Dos 8,4 milhões de beneficiários retirados, 7,1 milhões eram de famílias unipessoais. A média de renda per capita dessas famílias permaneceu abaixo do teto estabelecido pelo programa, indicando que as inconsistências não necessariamente significam que o beneficiário não estava na faixa de renda adequada.

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