Fachin autoriza AGU defender Moraes em processo nos EUA

BRASÍLIA, 03 de junho de 2026 — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, autorizou a Advocacia-geral da União (AGU) a defender o ministro Alexandre de Moraes em um processo movido contra ele nos Estados Unidos pelo grupo Trump Média e a plataforma Rumble. A decisão foi tomada depois de a justiça norte-americana autorizar a notificação formal do ministro sobre a abertura do processo, etapa que permite o avanço da tramitação no exterior. Na ação aberta em um tribunal federal do estado da Flórida, as empresas alegam que Moraes tenta censurar cidadãos americanos com ordens de restrição e bloqueio de perfis na internet, ferindo a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Para o presidente do Supremo, o caso ultrapassa uma questão pessoal e representa uma ameaça à independência do judiciário. “O que está em questão, para além da figura individual de Ministro do STF, são a independência do Poder Judiciário brasileiro, a integridade do Estado de Direito no Brasil e, no limite, a própria soberania nacional”, escreveu Fachin. O embasamento jurídico para atuação consta na lei brasileira, que não autoriza que magistrados sejam processados pessoalmente por decisões tomadas no exercício de suas funções. Mediante a isso, a própria AGU se prontificou a atuar no caso representando a República e o próprio Supremo. Uma das autoras da ação, a plataforma de vídeos Rumble, está com os serviços suspensos no Brasil desde fevereiro de 2025, determinado em meio a disputas judiciais sobre as regras de moderação de conteúdo no país e ao descumprimento de decisões do SFT.
EUA propõem tarifa adicional de 12,5% contra o Brasil

SÃO LUÍS, 03 de junho de 2026 — O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação sobre o Brasil e outros 60 países. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) fez um relatório de 98 páginas, com a conclusão de que esses países não proíbem nem fiscalizam a entrada de produtos feitos com trabalho forçado. A informação foi divulgada na terça (2). Por conta disso, os EUA propuseram uma tarifa extra de 12,5% sobre tudo o que vem dessas nações. Além disso, no dia anterior, os EUA já tinham sugerido uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O motivo foram seis práticas consideradas desleais. Entre elas estão censura secreta, leniência contra corrupção, pagamentos via Pix, desmatamento ilegal e pirataria. O embaixador Jamieson Greer disse que trabalhadores americanos competem em condições desiguais. Ele afirmou que os EUA não vão tolerar mais essa disparidade. A proposta da tarifa de 12,5% vale para todos os produtos dos países investigados. Países que já proíbem parcialmente o trabalho forçado pagariam 10%. O Brasil está no grupo de 54 nações que não aplicam a proibição. Outros seis países, como México e Indonésia, também falham na fiscalização. O relatório diz que o Brasil alega cumprir acordos, mas a lei local não proíbe a venda desses produtos importados. As audiências públicas sobre o caso acontecem em 7 de julho de 2026. Interessados podem enviar comentários até 6 de julho. A investigação ouviu quase 60 testemunhas e recebeu 500 comentários. A medida dos EUA usa a Lei de Comércio de 1974. O governo americano acredita que a falta de fiscalização prejudica os trabalhadores dos EUA e distorce a concorrência.
Estados Unidos citam Dias Toffoli em relatório sobre tarifas

ESTADOS UNIDOS, 02 de junho de 2026 — Os Estados Unidos citaram o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um relatório comercial. O documento foi divulgado nesta terça (2) pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR). A menção aparece na parte sobre combate à corrupção no Brasil. O relatório reproduz críticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Transparência Internacional. Segundo o texto, a OCDE se preocupou com a decisão de Toffoli de setembro de 2023. Na ocasião, ele anulou provas do acordo de leniência da Odebrecht (atual Novonor). A medida atingiu mais de cem casos da Operação Lava Jato. Além disso, o documento afirma que, em 2024, penalidades contra empresas que confessaram corrupção foram suspensas. Elas puderam ser renegociadas sem transparência e com conflitos de interesse, segundo as críticas. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também alertou que isso pode minar a confiança pública. Por isso, os EUA concluíram que o Brasil falha em fiscalizar suborno e corrupção. O país pode sofrer uma tarifa de 25% sobre produtos. Ainda cabe recurso no STF contra a decisão de Toffoli. O recurso foi apresentado por procuradores e ainda está pendente.
EUA criam fundo antiterrorismo com PCC e CV na mira

ESTADOS UNIDOS, 02 de junho de 2026 — O governo dos Estados Unidos criou um fundo de US$ 8,8 milhões (equivalente a cerca de R$ 44,2 milhões) para financiar investigações contra organizações terroristas na América Latina e no Caribe. A iniciativa coincide com a inclusão, na semana passada, do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho nessa categoria. O programa oferecerá treinamento para investigadores, promotores e juízes da região, e o foco será a investigação, acusação e julgamento de casos de terrorismo, bem como o desmantelamento de redes de grupos terroristas estrangeiros, incluindo suas conexões com o financiamento do terrorismo e com organizações criminosas transnacionais. Ele também busca aprimorar o compartilhamento de informações com órgãos dos Estados Unidos. Intitulado Programa de Interrupção Jurídica e Financeira do Contraterrorismo no Hemisfério Ocidental, ele ficará a cargo do Escritório de Contraterrorismo do Departamento de Estado. O programa tem como objetivo “fortalecer a capacidade dos beneficiários de responsabilizar organizações terroristas estrangeiras, por meio do aprimoramento dos marcos legais e da interrupção de suas redes financeiras”, afirma declaração do Escritório de Contraterrorismo. “Essa iniciativa apoia a Estratégia Nacional de Segurança de 2025 e o Plano Estratégico da Agência do Departamento, aprofundando parcerias regionais para reforçar a segurança, combater ameaças transnacionais e proteger os interesses dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental”, acrescenta o documento. A Estratégia Nacional de Segurança prevê o deslocamento de capacidades de defesa, incluindo militares e de inteligência, de regiões longínquas como a Ásia e a Europa para as Americas, com o objetivo de proteger o território dos EUA.
PCC e CV atuam em 12 estados dos EUA, diz governo Trump

ESTADOS UNIDOS, 1º de junho de 2026 — O governo dos Estados Unidos afirmou nesta sexta (29) que o PCC e o Comando Vermelho atuam em 12 estados americanos. A informação foi dada pela porta-voz Amanda Roberson, do Departamento de Estado. Ela deu entrevistas à imprensa brasileira. Amanda disse que os grupos fazem lavagem de dinheiro, contrabando, tráfico de drogas e tráfico de pessoas. “Eles manejam redes financeiras ilícitas”, explicou. Além disso, representam uma ameaça à segurança fora do Brasil. A medida entrou em vigor na quinta (28). Ela foi baseada em avaliações de segurança nacional. Por isso, os EUA querem usar todas as ferramentas disponíveis para proteger seu território. A porta-voz reforçou que não haverá intervenção militar no Brasil. As consequências incluem restrições de visto, bloqueio de bens e proibição de transações financeiras. Apoiar os grupos também virou crime. Amanda afirmou que a cooperação com o Brasil continuará. “Já temos mais de 200 anos de coordenação em segurança”, disse. Ela também incentiva medidas mais rígidas contra as facções no Brasil. Desde o segundo mandato de Trump, os EUA já classificaram 17 grupos da América Latina como organizações terroristas. A porta-voz negou relação entre a medida e as eleições de 2026 no Brasil. “Nossa prioridade é a segurança dos EUA”, concluiu.
EUA classificam PCC e CV como terroristas globais

ESTADOS UNIDOS, 29 de maio de 2026 — O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta (28), a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, fez o anúncio oficial. A medida passa a valer a partir de 5 de junho. O Departamento de Estado divulgou um texto sobre a decisão. A publicação afirma que PCC e CV são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”. O documento atribui aos grupos ataques contra forças de segurança, autoridades e civis. “Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis”, diz o comunicado. O governo dos EUA declarou que a atuação dos grupos ultrapassa o território nacional. “Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil”, afirmou o texto. As atividades criminosas alcançam toda a região das Américas. Os EUA também relataram a presença das facções dentro do próprio país norte-americano. O anúncio associou a decisão à política de segurança do governo do presidente Donald Trump. Rubio afirmou que a administração norte-americana continuará utilizando instrumentos legais e administrativos. Essas ferramentas visam combater grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. “O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação”, afirmou o secretário de Estado. A decisão reforça o compromisso do governo dos EUA no enfrentamento de organizações criminosas na região. “A ação de hoje demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump de desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região”, prosseguiu o texto assinado por Rubio. O objetivo declarado é “garantir a segurança do povo norte-americano” e manter drogas ilícitas fora das ruas do país. O anúncio ocorreu depois de uma série de encontros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com integrantes do governo norte-americano em Washington. O parlamentar é pré-candidato à Presidência. Na terça (26), ele pediu diretamente a Trump que os EUA classificassem o PCC e o CV como terroristas. No dia seguinte, o senador também se reuniu com Rubio e com o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance.
Família Vorcaro é investigada por ocultação de patrimônio

ESTADOS UNIDOS, 21 de maio de 2026 — A justiça dos Estados Unidos investiga a família Vorcaro por suspeita de ocultação de patrimônio. A informação consta de um memorando encontrado nos e-mails de Daniel Vorcaro. O documento foi obtido pela EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do Banco Master naquele país. A revelação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. O documento descreve um mecanismo para movimentar e esconder ativos no exterior. Henrique Vorcaro, pai de Daniel, adquiria bens usando intermediários. Daniel, por sua vez, era apontado como beneficiário real desse patrimônio. O texto previa que Henrique deveria transferir imóveis e empresas ao filho mediante solicitação. Cada operação teria o valor simbólico de R$ 1. O liquidante considera essa cláusula uma evidência clara de tentativa de proteger ativos. A medida ignoraria o valor de mercado dos bens. O documento afirma: “Deste modo, tão logo solicitado por Daniel, Henrique se compromete a transferir companhias, propriedades de imóveis diretamente a Daniel, pelo valor de R$ 1 cada”. Além disso, o memorando estabelece que Daniel detém opção de compra sobre a gestora Iron Capital. EMPRESA JÁ APARECE EM INVESTIGAÇÕES A Iron Capital aparece em apurações sobre operações financeiras irregulares. Ela estruturaria negócios para fundos relacionados ao Master. A empresa também consta da Operação Compliance Zero. Essa investigação apura fraudes e manipulação de mercado ligadas ao grupo. O memorando foi anexado ao processo judicial nos EUA. Seu objetivo foi rebater a quarta tentativa dos advogados da família. Eles buscavam impedir a obtenção de provas pela Justiça norte-americana. A intenção era evitar intimações a terceiros. Isso incluía instituições financeiras, empresas imobiliárias, companhias de aviação e galerias de arte. O liquidante usa o memorando para contestar declarações de Henrique Vorcaro. Ele jurou à Justiça dos EUA não possuir negócios próprios no país. Também negou ter contratos em seu nome em território americano. O texto do memorando, porém, sugere que Henrique atuava como gestor dos bens e investimentos de Daniel. Essa atuação, segundo o liquidante, justifica a jurisdição do tribunal da Flórida sobre ele.
Cuba divulga guia de proteção civil com medo dos EUA

CUBA, 19 de maio de 2026 — A Defesa Civil de Cuba divulgou um guia de instruções para a população. O material detalha medidas de proteção em caso de ataque militar dos Estados Unidos à ilha. O manual traz orientações práticas para situações de emergência. O guia recomenda organizar uma mochila com itens essenciais. Entre os itens estão materiais de primeiros socorros e documentos pessoais. A lista inclui ainda rádio, velas, fósforos e lanterna. Alimentos não perecíveis para três dias também são necessários. Água potável, produtos de higiene e medicamentos para tratamentos contínuos completam a lista. Brinquedos para crianças pequenas são recomendados igualmente. Há instruções sobre cuidados com feridos no material. O guia inclui procedimentos para tratar fraturas e hemorragias. A Defesa Civil orienta buscar abrigos adequados em caso de ofensiva. Os abrigos devem proteger contra ataques aéreos. O órgão afirma que é preciso atenção especial a pessoas com deficiência. Idosos dependentes, crianças e gestantes também merecem cuidado redobrado. Ao ouvir sirenes que indiquem ataques, a população deve procurar porões. Trincheiras ou túneis suficientemente profundos também são opções. Esses locais ajudam a evitar os efeitos das explosões. O guia alerta para não permanecer em áreas abertas. Prédios danificados devem ser evitados pela população. Não se deve buscar refúgio sob pontes ou túneis rodoviários. Postos de gasolina também estão na lista de locais proibidos. Essas orientações valem caso não seja possível acessar abrigos apropriados. CONTEXTO DAS MEDIDAS As medidas começaram a circular depois de declarações do ditador cubano, Miguel Díaz-Canel. Ele alertou para um possível “banho de sangue”. A ameaça ocorreria se os EUA optarem por uma operação militar contra Cuba. A declaração aconteceu após a divulgação de informações pelo site Axios, no domingo (17). Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares, segundo o site. O país também iniciou discussões sobre possíveis ataques a alvos norte-americanos. Entre os alvos estão a base de Guantánamo e navios dos EUA. A base de Key West, na Flórida, também seria um alvo potencial.