
BRASÍLIA, 28 de abril de 2026 — Cerca de 40% dos lojistas de São Luís afirmaram que a economia piorou, segundo dados divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão. A pesquisa foi publicada nesta semana e analisou o desempenho do setor em março de 2026, com base no Índice de Confiança do Empresário do Comércio.
Apesar da percepção negativa sobre o momento atual, o índice geral atingiu 109,1 pontos, permanecendo acima da linha de 100 e indicando otimismo. No entanto, o indicador registrou queda de 1,5% em relação a fevereiro e recuo de 5,1% na comparação com agosto de 2025.
O Índice de Condições Atuais ficou em 83,1 pontos, refletindo avaliação mais crítica dos empresários. Segundo o levantamento, 40,2% dos lojistas consideram que houve piora significativa no cenário econômico recente.
Por outro lado, as expectativas seguem elevadas. O índice de expectativas alcançou 143,9 pontos, com destaque para a confiança nas próprias empresas, que chegou a 161,7 pontos. Inclusive, mais da metade dos empresários acredita em melhora no futuro.
Entre os pequenos negócios, o otimismo é ainda mais presente, com 52,2% dos entrevistados indicando expectativa positiva.
O nível de investimento apresentou queda de 6% em um mês, atingindo 89,8 pontos. A intenção de contratação também desacelerou, embora permaneça positiva, com 45,1% dos empresários planejando ampliar o quadro de funcionários.
Outro ponto observado foi o aumento dos estoques. O indicador marcou 84,3 pontos, enquanto 25,2% das empresas relataram excesso de produtos armazenados. Esse cenário é mais evidente no setor de bens duráveis, como eletrodomésticos.
Além disso, fatores econômicos contribuem para esse desempenho. A taxa de juros de 14,75% ao ano e o crédito mais caro dificultam o consumo. O rotativo do cartão, que chega a cerca de 436% ao ano, também impacta o mercado.
O alto nível de endividamento das famílias em São Luís também afeta o comércio. A inadimplência atinge quase 30% da população da cidade, o que reduz o poder de compra e interfere na dinâmica do setor.
Segundo o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, o momento exige cautela. Ele afirmou que o cenário indica crescimento mais lento e demanda planejamento e eficiência na gestão.
De acordo com a entidade, a desaceleração da confiança está ligada a um ambiente econômico mais restritivo.







