VITIMISMO

Primeira-dama Janja diz que críticas a viagens são misoginia

Andre Reis
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Primeira-dama Janja acumula 182 dias fora do país, 24 a mais que Lula; ela justificou gastos com segurança e disse que exerce função inédita e transparente.

BRASÍLIA, 13 de julho de 2026  A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou que as críticas às suas viagens internacionais são motivadas por “misoginia pura”. Ela deu a declaração em entrevista ao podcast Frente a Frente, da Folha de S.Paulo e do Uol, na segunda (13).

Levantamento do Poder360 mostra que Janja ficou 182 dias fora do Brasil desde o início do terceiro mandato de Lula. O presidente viajou por 158 dias no mesmo período. Ela superou Lula em 24 dias.

Lula fez 45 viagens internacionais desde janeiro de 2023. Janja ampliou a participação em agendas oficiais. Só em 2026, ela esteve na Itália, França, Japão e Rússia. O presidente passou 20 dias fora neste ano.

Janja rebateu as críticas sobre os gastos. “Nunca falamos sobre eu gastar demais”, disse. Ela explicou que os custos da comitiva inteira são atribuídos a ela. “Não posso andar de econômica, tem que ser executiva, é questão de segurança”, afirmou. Segundo ela, a Polícia Federal exige esse tipo de deslocamento.

A primeira-dama disse ainda que parte das críticas quer prejudicar Lula. Ela sustenta que exerce uma função institucional inédita. “Eu presto contas, tudo meu é público”, declarou. Ela afirmou que, quando viaja, recebe briefing sobre os assuntos.

Janja contou que vai quase todos os dias ao Palácio do Planalto. Lá, faz reuniões e agendas de trabalho. Os temas incluem combate à fome e à violência contra a mulher. “A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente”, alegou.

Ela acrescentou que o governo regulamentou as atribuições dela há dois anos. O objetivo, segundo Janja, é ampliar a transparência sobre o cargo.

Durante a entrevista, Janja também falou sobre assédio. Ela disse que já foi vítima em agendas oficiais ao lado de Lula. Ela comentou o caso da ex-ministra Anielle Franco, que denunciou assédio do ex-ministro Silvio Almeida em 2024.

“Não preciso tomar uma decisão de que eu vou apoiar uma mulher que tá passando por isso. Eu simplesmente apoio”, afirmou.

Janja criticou a cobrança feita às vítimas. “Os homens cobram demais a gente sobre isso. Por que você não falou? Porque é confortável para eles. A responsabilidade fica no colo de quem sofreu”, disse.

Ela pediu que a Câmara aprove o projeto que criminaliza a misoginia. Segundo ela, o combate ao ódio contra mulheres é apartidário e não tem relação com religião.

As viagens de Janja são alvo de questionamentos da oposição. Em abril, o Tribunal de Contas da União arquivou, por unanimidade, os processos que analisavam os gastos e deslocamentos da primeira-dama.

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