SEM CASTIGO

PGR arquiva investigação contra ministro acusado de homofobia

Andre Reis
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PGR Gilmar
PGR arquiva investigação contra Gilmar Mendes por suposta homofobia. Paulo Gonet, indicado ao cargo pelo presidente Lula, foi sócio de Gilmar no IDP em Brasília

BRASÍLIA, 28 de abril de 2026  A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou o pedido de investigação contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, por suposta homofobia. A decisão ocorreu nesta segunda (27), após o próprio magistrado reconhecer que suas palavras foram inadequadas e se retratar de forma espontânea e pública.

O caso teve origem em entrevista do ministro ao site Metrópoles, publicada na quinta (23). Na ocasião, Gilmar Mendes mencionou a homossexualidade como possível “acusação injuriosa” contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que é pré-candidato à Presidência pelo Novo.

O ministro comentava seu pedido para incluir Zema no Inquérito das Fake News. O ex-governador havia divulgado um vídeo em que satiriza Gilmar e o ministro Dias Toffoli, relacionados ao escândalo do Banco Master. “Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições”, questionou Gilmar na entrevista.

“Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual”, prosseguiu o ministro. “Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no Estado, será que não é ofensivo? Homens públicos podem fazer isso? É isso que precisa passar por avaliação.”

Poucas horas após a entrevista, Gilmar Mendes usou suas redes sociais para admitir o erro. “Não tenho receio de reconhecer um erro”, escreveu o ministro em seu perfil no X. “Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema.”

O procurador da República Ubiratan Cazetta, chefe de gabinete do procurador-geral Paulo Gonet, avaliou o caso. “Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+”, afirmou Cazetta.

O advogado e professor Enio Viterbo havia apresentado o pedido de investigação. Ele atua nas redes sociais para cobrar transparência e criticar integrantes do STF. Cazetta concluiu que o episódio não trouxe indícios suficientes de violação relevante e atual a direitos coletivos.

O procurador também não identificou ilícito penal ou justificativa para intervenção institucional. Paulo Gonet, indicado ao cargo pelo presidente Lula, foi sócio de Gilmar no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, em Brasília.

No comunicado de retratação, Gilmar Mendes afirmou que pretende combater a “indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o STF”. Segundo ele, esse suposto fato envolve a participação de Zema. O pedido para incluir o ex-governador no inquérito ainda aguarda análise da equipe de Paulo Gonet.

Não há prazo definido para essa avaliação. Enquanto isso, o requerimento contra Gilmar Mendes já foi descartado pela PGR.

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