
BRASÍLIA, 21 de maio de 2026 — A rejeição da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro teve uma combinação de fatores. Nos bastidores da Polícia Federal, esses fatores eram vistos como incontornáveis.
As investigações estavam em estágio avançado, conforme fontes ligadas à Operação Compliance Zero. Além disso, houve excesso de omissões por parte do banqueiro. A percepção interna era de que Vorcaro tentava controlar o alcance das revelações.
A avaliação interna na PF é de que Vorcaro chegou tarde à mesa de negociação. Quando os advogados iniciaram as tratativas formais, investigadores já tinham um volume robusto de provas. Essas provas vieram de celulares apreendidos e trocas de mensagens.
O rastreamento financeiro e relatórios de inteligência também foram usados. Documentos extraídos ao longo das fases da operação completavam o material.
Reservadamente, investigadores afirmam que o material apresentado não trouxe surpresa relevante. Em algumas frentes, a PF já tinha informações mais detalhadas. O ponto que mais incomodou foi a chamada “delação seletiva”.
A percepção era de que Vorcaro admitia fatos periféricos. Porém, ele evitava aprofundar episódios sensíveis, especialmente aqueles que poderiam atingir personagens influentes de Brasília.
Integrantes da investigação afirmam que havia expectativa de colaboração mais ampla. A ideia era abordar a estrutura política, financeira e empresarial ligada ao esquema. Em vez disso, a defesa teria apresentado uma narrativa parcial. As fontes classificam a narrativa como excessivamente calculada.
Outro fator desgastou as negociações: os vazamentos sucessivos de trechos da possível delação. A circulação de detalhes reservados irritou investigadores.
O fato foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, responsável pelo caso. Nos bastidores da PF, a leitura é de que os vazamentos enfraqueceram a confiança necessária. Daí, o ambiente de negociação se deteriorou rapidamente.
CONCORRÊNCIA ENTRE INVESTIGADOS
Investigadores também passaram a enxergar uma tentativa de construção de narrativa pública pela defesa. Enquanto isso, as informações entregues não avançavam no mesmo ritmo das descobertas da própria polícia.
A situação de Vorcaro ficou ainda mais delicada. Outros investigados da operação também começaram a sinalizar interesse em colaborar. Isso elevou o nível de exigência sobre qualquer eventual acordo.
Na avaliação de integrantes da PF, uma colaboração premiada só faria sentido com fatos inéditos. Seriam necessárias provas concretas e conexões ainda desconhecidas. O entendimento interno é que isso não aconteceu até agora.
Apesar da rejeição formal da PF, a Procuradoria-Geral da República ainda mantém uma análise paralela sobre os anexos entregues.







