
MARANHÃO, 19 de outubro de 2026 — A Polícia Federal alertou Alexandre de Moraes, do STF, sobre o risco de violar o sigilo da fonte do jornalista maranhense Luís Pablo. Mesmo assim, em abril de 2026, Moraes determinou a inclusão de conversas no inquérito que apura suposta perseguição ao ministro Flávio Dino e familiares.
O caso começou após publicações sobre veículos oficiais do TJMA usados por familiares de Dino. Em março, Moraes autorizou busca contra Luís Pablo. A PF apreendeu celulares e notebook e, então, encontrou mensagens que poderiam revelar quem forneceu fotos, vídeos e informações sobre os veículos.
Em 8 de abril, o delegado Antônio Carlos Knoll de Carvalho informou a Moraes que havia preservado parte das conversas. Segundo ele, o conteúdo poderia estar protegido pelo sigilo da fonte, previsto na Constituição. Moraes reconheceu essa garantia, mas apontou indícios de possível crime de perseguição e mandou juntar o material em 48 horas.
Depois disso, a PF identificou Raimundo Cutrim, delegado federal aposentado e ex-secretário estadual, como possível informante. Segundo a investigação, ele teria acessado sistemas restritos e repassado dados a Luís Pablo. Buscas também atingiram o advogado Diogo Diniz Lima.
A PF ainda encontrou registros de um pagamento de R$ 100 mil ao jornalista. Entretanto, o próprio órgão afirmou não ser possível concluir que o dinheiro pagou reportagens contra Dino.
Luís Pablo nega monitoramento. Entidades e juristas questionaram os efeitos das medidas sobre o sigilo das fontes e a liberdade de imprensa.










