
SÃO LUÍS, 14 de julho de 2026 — A atuação da Prefeitura de São Luís na gestão das UTIs pediátricas do Hospital da Criança é alvo de investigações do Ministério Público, da Defensoria Pública e de órgãos federais.
As apurações começaram após denúncias sobre a terceirização do serviço, feita em 2025, e o aumento de 39 para 101 mortes nas UTIs em um ano, alta de 159%. Ao todo, o Hospital da Criança registrou 113 óbitos infantis no período.
Segundo o MPMA, a licitação que entregou a gestão das UTIs ao Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), de Teresina (PI), apresenta diversas irregularidades. Além disso, a Defensoria recomendou a anulação do contrato.
Entre os problemas apontados estão a redução de equipes, a falta de médicos especialistas em pediatria e a contratação de profissionais sem experiência em UTIs infantis.
Pais também relataram falta de medicamentos, demora para exames e dificuldades no atendimento. O casal Samila dos Santos Lobato e Ismael perdeu os filhos gêmeos, Bento e Bernardo, de quatro meses, após internação na unidade. O pai registrou boletim de ocorrência por suspeita de negligência.
“É uma sensação horrível saber que levei meus filhos vivos… Enterrar dois filhos em menos de 24 horas é inadmissível. Faltou atenção, faltou profissionalismo”, afirmou.
O Conselho Regional de Medicina do Maranhão informou que acompanha a situação do hospital. Além disso, o Ministério da Saúde confirmou a apuração das denúncias recebidas pela Ouvidoria do SUS.
O Ministério Público Federal também recebeu o caso e encaminhou as informações para análise de um procurador da República.







