MÃE ALGEMADA

Moraes suspende lei que reduziria pena de Débora do Batom

Andre Reis
Compartilhe
debora moraes
Moraes interrompe aplicação de nova lei que beneficiaria condenada por atos de 8 de janeiro; cabeleireira cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

BRASÍLIA, 11 de maio de 2026  O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a análise de 24 pedidos de aplicação da Lei da Dosimetria. A decisão vale até este domingo (10).

A lei foi aprovada pelo Congresso Nacional. Ela altera critérios de cálculo e progressão de penas para presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Entre os casos atingidos está o da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. Ela foi condenada a 14 anos de prisão.

Débora Rodrigues ficou conhecida por escrever com batom a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça. O monumento fica em frente à sede do STF, em Brasília. Ela foi condenada por crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Além disso, responde por dano qualificado ao patrimônio público.

Débora é mãe de dois filhos. Ela cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica desde fevereiro deste ano. Moraes autorizou a medida com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na decisão, Moraes afirmou que a suspensão é necessária até que o plenário do STF julgue ações sobre a constitucionalidade da nova legislação. O ministro concedeu prazo de cinco dias úteis para que o Congresso Nacional se manifeste sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade.

A ação foi apresentada pela federação Psol-Rede. Os partidos sustentam que a derrubada do veto presidencial ocorreu de forma irregular. O argumento é que houve “fatiamento” de um veto integral.

Moraes afirmou que as manifestações do Congresso, da Advocacia-Geral da União e da PGR poderão influenciar a execução e a definição das penas. “Poderá influenciar no julgamento dos pedidos realizados pela Defesa”, escreveu o ministro.

Ele recomendou a suspensão da aplicação da lei por segurança jurídica até a definição da controvérsia pelo STF. A decisão integra uma série de despachos de Moraes. Ele reiterou a paralisação da aplicação da norma enquanto o Supremo analisa ações protocoladas também pela Associação Brasileira de Imprensa e pela federação PT/PCdoB/PV.

REAÇÃO DA DEFESA

Em nota divulgada no último sábado (9), a defesa de Débora criticou a decisão do magistrado. Os advogados defenderam também outros condenados. Eles afirmam que a suspensão contraria a deliberação do Congresso. Além disso, argumentam que a decisão ignora a vigência imediata da nova legislação.

“A própria nova lei reconhece que não se pode tratar todos da mesma forma”, diz o texto. “Não se pode colocar no mesmo patamar quem organizou, financiou ou liderou e quem apenas estava presente no contexto dos acontecimentos.”

Compartilhe
0 0 votos
Classificação da notícias
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Gostaríamos de usar cookies para melhorar sua experiência.

Visite nossa página de consentimento de cookies para gerenciar suas preferências.

Conheça nossa política de privacidade.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x